domingo, 28 de dezembro de 2008

ONG BRITÂNICA NEGA COMPRA DA AMAZÔNIA


ONG BRITÂNICA FICOU CHOCADA COM A DENÚNCIA. QUANTO CINISMO!...



ONG BRITÂNICA NEGA COMPRA DA AMAZÔNIA

France Presse
A organização de proteção do meio ambiente Cool Earth, com sede em Londres, disse ter ficado "chocada", nesta terça-feira, depois que a imprensa brasileira divulgou informações sobre a abertura de uma investigação a respeito de suas atividades na Amazônia.


"Estamos chocados, porque não possuímos nenhuma terra na Amazônia. Financiamos diferentes projetos por intermédio de parceiros", explicou à AFP Matthew Owen, diretor da Cool Earth, acrescentando que não recebeu "nenhuma notificação" de investigação no Brasil.


O jornal "O Globo" publicou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) abriu uma investigação sobre um dos fundadores da Cool Earth, o empresário Johan Eliasch, que possui dupla cidadania (britânica e sueca).


Ele teria dito que se poderia comprar toda a Amazônia por 50 bilhões de dólares. "Eliasch realizou, entre 2006 e 2007, reuniões com empresários e propôs que comprassem terras na Amazônia, chegando a afirmar que seriam necessários 'apenas' 50 bilhões de dólares para adquirir toda a floresta",informou "O Globo", citando relatório da Abin.
http://schirrmann.blogspot.com/2008_05_05_archive.html
ELE PODE COMPRAR A AMAZÔNIA?
Quem é o milionário Sueco Johan Eliasch que entrou na mira do serviço secreto brasileiro por ter adquirido áreas de floresta Amazônica para preservação (?)
Eamonn McCabe
O DONO DE TERRASJohan Eliasch diz ter investido na Amazônia por causa do aquecimento global.
 Para a Abin, ele aproveitou lacunas na lei

A velha paranoia brasileira de que a soberania brasileira na Amazônia está sob ameaça de potências estrangeiras e de ONGs ambientalistas acaba de ganhar um rosto. É o do milionário sueco Johan Eliasch, conselheiro para assuntos de meio ambiente do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown. Em outubro de 2005, Eliasch comprou 160.000 hectares de terras de florestas na região norte do país, uma área maior que a da cidade de São Paulo. Em seguida, criou a ONG Cool Earth (Esfrie a Terra), que tenta angariar doações para adquirir e conservar florestas na Amazônia. Numa palestra para seguradoras, Eliasch disse que US$ 50 bilhões seriam o bastante para preservar toda a Amazônia. Eliasch jamais levantou tal quantia e não há ilegalidade na posse de terras por estrangeiros na Amazônia, mas sua declaração atraiu para ele e suas terras os olhares da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o serviço secreto do governo brasileiro.
Num relatório de investigação, a Abin acusa Eliasch de ter comprado as áreas de floresta aproveitando-se de “lacunas do Direito brasileiro”. Não há nenhum registro fundiário em nome de Eliasch ou de sua ONG no Brasil. Mas registradas em nome de empresas nacionais como Floream e Empresa Florestal da Amazônia, todas as áreas estão, na verdade, sob a gestão de Eliasch. O relatório dos arapongas segue o mesmo tom das ácidas declarações recentes do presidente Lula contra editoriais de jornais como The New York Times, que questionaram se a preservação da Amazônia não é um assunto global. De acordo com o relatório da Abin, “tanto a compra de terras quanto a fundação da ONG partem do mesmo pressuposto de que países em desenvolvimento necessitam de intervenções externas para conservar as florestas tropicais”.
Eliasch nega ter pretendido em qualquer momento ferir a soberania nacional. “A Floresta Amazônica brasileira pertence aos brasileiros”, disse a ÉPOCA. Aos 46 anos, Eliasch é dono da companhia de materiais esportivos Head e é a 214a pessoa mais rica da Grã-Bretanha, segundo a lista do jornal britânico Sunday Times. Separado e pai de dois filhos adolescentes, ele mantém há seis anos um relacionamento com a socialite brasileira Ana Paula Junqueira. Os dois se conheceram num jantar de aniversário da modelo Naomi Campbell em Saint-Tropez, balneário no sul da França freqüentado por milionários de todo o mundo. De lá para cá, o casal se divide entre temporadas em Saint-Tropez, onde mantém uma casa e um confortável catamarã, Londres e São Paulo, outros locais de domicílio. O casamento com Ana Paula Junqueira foi um dos motivos que levaram Eliasch a investir 8 milhões de libras (cerca de R$ 26 milhões) na compra de terras na Amazônia. Outro motivo foi a perspectiva sombria de um mundo sem neve por causa dos efeitos do aquecimento global. Num texto intitulado “Por que eu decidi lutar contra as mudanças climáticas”, Eliasch lembra como, há 40 anos, durante os invernos em Estocolmo, na Suécia, gostava de ir para a escola deslizando de esqui na densa neve que cobria as ruas. “Hoje, um garoto sueco pode ser considerado um menino de sorte se tiver neve o bastante para esquiar durante uma semana no inverno”, escreveu.
Seu engajamento na luta contra o aquecimento global tem também um interesse econômico: evitar um esfriamento nos próprios negócios. “A Head vende esquis e a cada ano há menos neve nas montanhas européias”, diz a mulher, Ana Paula Junqueira. Eliasch nasceu rico, mas sua fortuna atual (avaliada em 400 milhões de libras ou R$ 1,3 bilhão) se deve ao próprio esforço. Antes de morrer, seu avô, um industrial da construção civil, determinou que o neto só teria direito à herança aos 50 anos. Eliasch fez curso de Administração na Suécia e, na década de 80, radicou-se em Londres, onde criou alguns fundos de investimentos. Em 1996, comprou a Head, então uma empresa à beira da falência, com prejuízo estimado em US$ 65 milhões. Doze anos depois, a empresa alcançou a receita de mais de US$ 600 milhões. “Ele trabalha das 8 horas à meia-noite, incluindo os fins de semana”, afirma Ana Paula.
Reprodução
Quando comprou as terras na Amazônia, de uma madeireira que fazia manejo florestal e estava à beira da falência, Eliasch imaginava que poderia repetir a história de sucesso da Head. “Tivemos três reuniões, em todas ele falava sobre tentar salvar a empresa”, afirma o engenheiro ambiental Alberto Guerreiro, um dos executivos da madeireira. “Ele não entendia quase nada do assunto, mas nós dávamos relatórios de mais de cem páginas para ele ler e no dia seguinte ele já tinha lido tudo e tinha novas perguntas.” Em 2006, Eliasch concluiu que não seria viável manter a madeireira e demitiu cerca de 800 trabalhadores. Comunicou a decisão ao então secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, Virgílio Viana. “Eu o interpelei, disse que aquilo causaria desemprego, traria problemas”, diz Viana. “Mas ele estava decidido. Acho que tinha percebido que a fama que conseguiria com a idéia de preservação da floresta compensava mais do que seguir o plano de manejo da madeireira.” Em março de 2007, com a madeireira fechada, Eliasch foi o cicerone do príncipe Andrew, quarto na linha de sucessão do trono inglês e seu amigo de uma década, numa excursão pelo Rio Madeira, no Amazonas, em que mostrou suas áreas de preservação.
A história de Eliasch não gerou só as investigações da Abin. Na quinta-feira passada, o governo federal anunciou que fará uma revisão nas normas jurídicas para dificultar a compra de terras por estrangeiros. Hoje, 55% das propriedades registradas em nome de estrangeiros estão na Amazônia. Em 1998, uma decisão da Advocacia-Geral da União liberou empresas brasileiras controladas por capital estrangeiro da necessidade de pedir autorização para adquirir imóveis. O governo Lula quer agora criar controles mais rígidos. “É preciso estabelecer regras urgentes, porque há uma disputa mundial pelas nossas terras”, diz Rolf Hackbart, presidente do Incra.
“O papel do governo deve ser monitorar, fiscalizar e dirigir a ação desses grupos que querem investir, sejam brasileiros ou não”, diz Danilo Igliori, professor da Universidade Cambridge, na Inglaterra. “Mas o governo não tem dinheiro para investir na área e faz sentido que o mundo pague para preservar a floresta.” Eliasch parece não ser o exemplo mais adequado a seguir, porque seu projeto, segundo os especialistas, carece de sustentação técnica. Mas satanizar estrangeiros que querem investir na Amazônia também não é a melhor forma de manter a floresta em pé.
Mariana Sanches - 30/05/2008 - atualizado em 02/07/2008  17:29 - Revista Época

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