domingo, 28 de dezembro de 2008

RIO BRANCO- RORAIMA NA AMAZÔNIA E A COBIÇA INTERNACIONAL

Texto: Aimberê Freitas

A antiga denominação do Estado de Roraima, era Território Federal de Roraima ou, mais antigo ainda, Território Federal do Rio Branco. O principal e mais importante curso d’água de Roraima é o rio Branco. Por ele chegaram os primeiros colonizadores portugueses.
O vale do rio Branco sempre foi muito cobiçado por ingleses e holandeses, que aqui estiveram, através da Guiana, em busca de índios. Os espanhóis pelo território da atual Venezuela chegaram a invadir o norte do rio Branco, mais precisamente o rio Uraricoera. Coube aos portugueses derrotar e expulsar a todos esses invasores e estabelecer a soberania de Portugal e depois do Brasil nesta região.
A construção do Forte São Joaquim na confluência dos rios Uraricoera e Tacutu, em 1775, foi um marco decisivo na conquista do rio Branco para os domínios portugueses. Apesar do descobrimento do Brasil ter ocorrido em 1500, o que é hoje o Estado de Roraima só foi descoberto 200 anos depois e conquistado mais tarde ainda. A presença permanente do colonizador Português só ocorreu, de fato, após a construção do Forte São Joaquim.
Os primeiros colonizadores a chegar ao rio Branco foram: Capitão Francisco Ferreira e o Padre carmelita Jerônimo Coelho. Estes vieram com o propósito de aprisionar índios e recolher ovos de tartaruga para fazer manteiga. Depois deles, vieram Lourenço Belfort e Cristóvão Aires Botelho, que foram os primeiros a ultrapassar a cachoeira do Bem-Querer. Outro que subiu o rio Branco, foi José Miguel Aires também com o objetivo de aprisionar índios para vendê-los com escravos em Belém e São Luiz do Maranhão.
Nicolau Horstman foi um holandês que partiu de Paramaribo, capital da colônia holandesa na América do Sul, atingiu o rio Negro e depois o rio Branco em 1741 para fomentar o comércio de escravos índios pelos rios Tacutu e Jauaperí até àquela colônia. Os espanhóis, vindos do rio Orinoco entre 1771 e 1773, invadiram o rio Uraricoera, atravessando a cordilheira de Pacaraima, o que parecia impossível para os portugueses na época. Fundaram três povoações: Santa Rosa, Santa Bárbara e São João Bautista de Cada Cada. Foram, no entanto expulsos pelos portugueses.
A decisão para construir o Forte de São Joaquim, hoje praticamente destruído, foi tomada para que a partir do Forte, os portugueses pudessem enfrentar a cobiça internacional e assegurar a soberania de Portugal sobre as terras do vale do rio Branco. Após a inauguração do Forte, os portugueses partiram para a criação de povoados reunido os próprios índios da região. Foram criados: Nossa Senhora da Conceição e Santo Antônio (no rio Uraricoera), São Felipe (no rio Tacutu) e Nossa Senhora do Carmo e Santa Bárbara (no rio Branco).
Acostumados à liberdade, os índios não se sujeitaram às condições impostas pelos portugueses aos povoados. Anos depois, 1789, o comandante Manoel da Gama Lobo D’almada, para garantir a presença do homem, dito civilizado, nos campos naturais do Rio Branco (lavrado), que eram considerados excelentes para a criação de gado, partiu para a implatação da fazenda São Bento, no Uraricoera, depois aa fazenda de São José, no Tacutu e, por fim, na fazenda São Marcos, em 1799, esta fazenda ainda hoje existe, pertence aos índios e está localizada em frente ao local onde existia o Forte São Joaquim.
O gado era criado nos campos sem nenhum controle. Havia muita desorganização e com isso os animais se espalharam por todos os lugares. Servindo, inclusive, para que houvesse o aprisionamento de parte desses animais por particulares para a formação de outras fazendas. Serviu, também, para possibilitar aos índios, uma nova ocupação: a de vaqueiros. Os índios macuxi são reconhecidos, na região como excelentes vaqueiros.
Em 1808, com a chegada da família real portuguesa ao Brasil, a região ficou abandonada e sentiu muito. Enquanto o Rio de Janeiro crescia com a chegada da família real, a criação da Casa da Moeda, da Academia real de Belas Artes, a Biblioteca Nacional, o Teatro Real e a Escola de Medicina do Rio e de Salvador, o Forte São Joaquim era esquecido.
Quem mais atentou contra a soberania portuguesa na região e quem deu mais trabalho aos soldados do forte São Joaquim foram os ingleses. Entre 1810 e 1811, militares ingleses penetraram em território luso brasileiro. Foram no entanto recebidos com cordialidade pelo comando do forte mas impedidos de prosseguirem com o seu trabalho de penetração.
Um alemão de nome Robert Sechomburgk. Trabalhando para a Inglaterra foi o o estrangeiro que mais prejuízos deu ao Brasil. Este alemão, em 1835, a título de fazer um levantamento da geografia física do interior a Guiana , chegou até o forte São Joaquim, portanto no centro do Vale do Rio Branco. Ali foi recebido com cortesia, sem que os portugueses desconfiassem de sua ação naquele lugar. Sechomburgk regressou a Londres, mas em 1837, voltou à Guiana e continuou seus estudos geográficos. Em seus relatórios à Londres Sechomburgk, mandava dizer que a soberania lusitana na região era fraca, precária, quase inexistente. Sugeriu, inclusive, que Inglaterra deveria ocupar esses espaços “vazios” mandando demarcá-los para os domínios de sua majestade inglesa e até de ocupá-los em caráter permanente.
Esses relatórios causaram um impacto positivo na corte inglesa. A opinião pública britânica apoiou e assim o missionário inglês, protestante, Thomas Youd, foi mandado para a região. Este instalou-se na região do Pirara e passou a catequizar os índios para a religião e para o domínio inglês. A bandeira inglesa passou a ser hasteada em território brasileiro. Yound ensinou o idioma inglês aos índios. Foi necessário que o Comandante do Forte Capitão Ambrósio Aires e o Frei José dos Santos Inocentes, cumprindo ordens do Presidente da Província do Pará, General Soares de Andréia, fossem até a presença do audacioso missionário e o intimidasse a deixar o território onde estava instalado, pois ali era território brasileiro. Youd deixou a região mais levou consigo os índios já catequizados.
No entanto, Robert Schomburgk, em 1840, como resultado dos seus estudos geográficos, desenhou uma carta (mapa) e a remeteu a Londres. Nesta carta ele mostrava que a região do Tacutu, do Maú até do Surumu era ocupada por tribos independentes “. Baseado nessa sua conclusão, Schomburgk indicou a Londres uma nova fronteira entre as terras brasileiras e as terras da colônia inglesa na América do Sul. Esta nova fronteira tinha como limites o rio Cotingo e o rio Surumu.Por sua vez o Brasil, que tinha proclamado sua independência de Portugal há poucos anos, tinha como sua fronteira com a Guiana, o divisor de águas do rio Tacutu com o Essequibo, ou seja o rio Tacutu o seus afluentes da margem direita. E assim considerava porque a doutrina na época era de que quem dominava um rio, era o dono de toda a sua bacia em toda a extensão. E o rio Tacutu com seus afluentes é um formador do rio Branco, conquistando e dominado pelos portugueses a partir do rio Negro. Não havia dúvida quanto a isto a não ser nos relatos mentirosos do alemão Robert Schmburgk à Londres. O Forte São Joaquim era o mais importante testemunho deste domínio português, uma vez que estava erguido na margem esquerda do próprio rio Tacutu.
A opinião pública inglesa, impressionada pelos relatos de Schomburgk, passou a exigir que o governo inglês acatasse as sugestões do alemão e passasse a demarcar a região pelos rios Contingo e Surumu. Definindo, assim, a nova fronteira entre o Brasil e a Guiana. Devido ao descaso da família real com o norte brasileiro e apesar da existência do Forte, a presença brasileira na fronteira era fraca. E até a independência do Brasil (1822) contribuiu para essa fragilidade de ocupação. Mesmo assim, o governo do Pará, a quem a região estava subordinada administrativamente, protestou em Belém perante o cônsul inglês e o governo do Brasil protestou em Londres através do Embaixador brasileiro. Diante dos protestos, o governo britânico, que já havia iniciado a demarcação da área, mandou retirar os marcos: divisórios já colocados no rio Cotingo e no Surumu, mas não desistiu de conquistar a região.
O governo brasileiro titubeou ao encaminhar, em 1842, uma recomendação ao governo britânico, sugerindo a neutralização da área do Rupunini, objetivo da disputa entre o Brasil e a Inglaterra. A Inglaterra, de imediato concordou com a neutralização mas não recuou dos seus direitos. Assim o governo inglês só aceitou esta neutralização incluindo a região do Cotingo e do Mau. A disputa diplomática entre o Brasil e a Inglaterra pela área do Tacutu incluindo o Rupunini, o Cotingo e o Mau se estendeu até 1898 quando o Brasil acatou a proposta inglesa de submeter a questão ao governo da Itália que atuaria como árbitro.
O governo brasileiro indicou Joaquim Nabuco, grande jurista pernambucano para acompanhar o julgamento que seria feito pelo Rei Vitório Emanuel III, da Itália, defendendo as propostas brasileiras. Nabuco dedicou-se com afinco à causa, estudando-a e mostrando com bons argumentos a supremacia brasileira na região. Sua obra, sobre o rio Branco e seus formadores e afluentes e especialmente sobre esta questão da fronteira entre Brasil e Inglaterra é muito grande e profunda. São 18 volumes que impressionam quanto ao conteúdo e quanto aos argumentos.
Mas, apesar dos esforços da diplomacia brasileira através de Joaquim Nabuco, do Barão do Rio Branco e do governo do Pará através de Antonio Ladislau Monteiro Baena, em 1904. Sua Majestade o Reio Dom Vitório Emanuel III, da Itália, deu a palavra final, retirando 19.630km2 do território brasileiro, pertencente ao Estado de Roraima, e entregou-os à Inglaterra (Guiana),definindo, assim os limites entre o Brasil e aquele país pelos rios Tacutu e Mau. É certo, também que se não fossem os argumentos e a defesa de Joaquim Nabuco, teríamos perdido muito mais terreno e a fronteira seria pelo Cotingo e Surumu. O Brasil e Roraima, em particular, muito devem a Joaquim Nabuco.

A colonização do Rio Branco
A colonização do rio Branco atual Estado de Roraima pode ser dividida em quatro períodos distintos:
Da “descoberta” do rio Branco (1750) até o início do século XIX (1800);
Do início do século XIX (1800) até a criação do município de Boa Vista (1890); até a criação do Território Federal do Rio Branco (depois Roraima e da criação do Território Federal aos dias atuais.
Da “descoberta” do rio Branco (1750) ao início do século XIX
Os fatos mais importantes que marcam este período da história de Roraima são:
A construção do Forte São Joaquim;
A criação das povoações de N. S. do Carmo N. S. da Conceição, S. Felipe, Santa Bárbara e Santa Isabel, que não prosperam devido a revolta dos índios com os métodos impostos pelos portugueses aos moradores desses povoados;
A introdução do gado bovino e eqüino nos campos gerais (lavrados) de Roraima por Lobo D’Almada.
A revolta de 1790. Esta foi tão grande e tão violenta que ficou conhecida como a revolta da praia de sangue, tantos foram os índios e os soldados mortos que tingiram águas do rio Branco de sangue.
Do início do século XIX à criação do município de Boa Vista
Nesse período a violência dos colonizadores foi a mais radical que se tem notícia. A revolta da praia de sangue ajudou a manter o clima de luta nos anos seguintes;
A seca de 1877 que assolou o nordeste brasileiro, trouxe para a região de Roraima os primeiros nordestinos que aqui se fixaram. Estes trataram de consolidar a criação de gado bovino. Surgindo, daí, na verdade, os primeiros fazendeiros;
A decadência definitiva dos povoados criados pelos portugueses sob a administração do Forte São Joaquim e a própria decadência deste. Seus comandantes passaram a ter cada vez menos força a ponto de que o seu último comandante ter sido um homem austero, íntegro e dedicado mas que tinha a patente de Cabo e não Capitão ou Major.
Da criação do município de Boa Vista (1890) à criação do Território Federal (1943)
Quando o município de Boa Vista foi criado, sua população era de um pouco mais de mil pessoas. Os dados de 1887 informam que, naquele ano, Boa Vista contava com 1 mil habitantes considerados apenas os brancos e os mamelucos, fora os índios. O Estado do Amazonas, ao qual pertencia o município de Boa Vista não tinha recursos para desenvolver o vale do rio Branco como desejava. Nem o gado que crescia e se desenvolvia nos lavrados de Roraima e que servia, inclusive, para o abastecimento de Manaus, conseguia estimular os governantes amazonenses. O município foi criado no governo de Augusto Ximeno de Villeroy que entendeu ser a criação do município um ato importante para o desenvolvimento da região.
Outro governador amazonense que voltou suas atenções para o vale do rio Branco, foi Eduardo Ribeiro, que contratou o cidadão Sebastião Diniz para abrir uma picada de Manaus a Boa Vista para que, por ela, fosse construída uma estrada ligando a capital do Amazonas aos campos gerais do rio Branco, que pudesse servir para o transporte do gado da região para o matadouro de Manaus.
Da criação do Território Federal aos nossos dias
Com a criação do Território Federal, em 1943 esta região passou a ter um tratamento melhor, uma vez que seus problemas passaram ao domínio do Governo Federal. O centro das decisões sobre o rio Branco deixou de ser o Palácio Rio Negro, em Manaus para ser o Palácio do Catete no Rio de Janeiro (até a inauguração de Brasília em 1960) e depois o Palácio do Planalto em Brasília. Na estrutura de governo idealizada para o Território Federal foi instituída a Divisão de Produção, Terras e Colonização – DPTC. Esta tinha como objetivos: realizar pesquisas e levantamentos sobre os recursos naturais do Território, cadastrar as terras, organizar colônias agrícolas e estimular o aproveitamento dos recursos naturais existentes.
Nos primeiros anos da vida do Território Federal as iniciativas para a ocupação do espaço com atividades agro-pastoris, foram tímidas. Mas dentre estas podemos destacar: a construção de 52 casas residenciais no centro de Boa Vista (entre as ruas José Magalhães, Benjamim Constant e Avenida Getúlio Vargas); construção dos Grupos Escolares Lobo D’Almada, Osvaldo Cruz, Prof. Diomedes e Afrânio Peixoto; instalação do Curso Normal Regional Monteiro Lobato, (com o objetivo de formar professores para o ensino regular) e o Ginásio Euclides da Cunha; constituição da Legião Azul (homens que usavam uniformes azuis de mescla) para fazer o desmatamento da estrada de Mucajaí a Caracaraí; criação das três primeiras colônias agrícolas de Roraima (Coronel Mota no Taiano, Braz de Aguiar, no Cantá e Fernando Costa em Mucajaí.
Para que essas colônias fossem criadas e prosperassem, o governo do Território trouxe do Maranhão muitos colonos. Para estes, o governo fornecia: passagem, hospedagem no período de adaptação, 25 hectares de terras, ferramentas agrícolas, mosqueteiros, remédios, assistência médica e assistência técnica permanente, sementes e mudas. Nos últimos anos da existência do Território Federal (o Estado foi considerado implantado com a posse do primeiro Governador eleito, em 1.º de janeiro de 1991), o governo federal abriu a BR-174 e a BR-210 e ao longo dessas rodovias implantou inúmeros projetos de colonização. Em 1982 eram 42 colônias agrícolas em fase de implantação.
Além das BRs como espinhas de peixe, perpendiculares às estradas penetrando na selva, foram abertas as chamadas Estradas Vicinais para multiplicar o número de lotes e possibilitar que mais famílias fossem assentadas. Para esses novos projetos de colonização foram trazidos colonos do nordeste (especialmente do Maranhão) e também do sul do país.

O Território Federal
O primeiro Território Federal brasileiro foi o do Acre, em 1903. Em 1943, o Presidente Getúlio Vargas criou cinco Territórios Federais: Rio Branco (depois Roraima) Guaporé (depois Rondônia), Amapá, Iguassú e Ponta Porã. Os dois últimos foram extintos em 1946. O objetivo da criação dos Territórios Federais era o de ocupar os espaços vazios do território nacional e em especial na Amazônia. A criação dos Territórios Federais brasileiros ocorreu em plena II Guerra Mundial. Tem-se, como certo, que foi a idéia da segurança nacional o que impulsionou o ato da criação.
O Território Federal do Rio Branco, apesar de ter sido criado em 13 de setembro de 1943, somente em abril de 1944 conheceu o seu primeiro Governador. Este chegou a Boa Vista em junho daquele ano. O Presidente Getúlio Vargas foi o criador dos Territórios Federais, mas ele foi deposto do seu cardo em 1944. Seu sucessor, Eurico Gaspar Dutra não demonstrou o mesmo entusiasmo que Getúlio, quanto aos territórios. Podemos dividir a história administrativa de Roraima, em três períodos distintos:
De 1943 a 1964.
Nesse período, Roraima teve 15 governadores titulares entre militares (maioria) e civis. O senador Vitorino Freire, do Maranhão, indicou direta ou indiretamente, 10 desses governadores, numa prova de sua influência política junto ao governo federal. Cada governador, no entanto ficou pouco tempo (média de 16 meses). Nesse curto espaço de tempo, aliado ao desconhecimento do Território, o governante quase nada podia realizar. Assim de 1943 a 1964, o Território Federal de Roraima foi mal administrado e não alcançou o desenvolvimento esperado.
Governadores de 1943 a 1964.
Capitão Ene Garcez dos Reis
Tenente Coronel Felix Valois de Araújo
Capitão Clóvis Nova da Costa
Dr. Miguel Ximenes de Melo
Professor Jerocílio Queiroz
Coronel Belarmino Neves Galvão
Senhor Aquilino da Mota Duarte
Dr. José Luiz de Araújo Neto
Tenente Coronel Auris Coelho e Silva
General Médice Ademar Soares da Rocha
Capitão Jos~e Maia Barbosa
Hélio Magalhães de Araújo
Dr. Djacir Cavalcante de Arruda
General Clóvis Nova da Costa
Dr. Francisco de Assis Albuquerque

De 1964 a 1985.
Nesse período de 21 anos, Roraima teve 8 governadores que administraram com poderes militares, uma vez que o Brasil foi conduzido nesta fase de sua vida republicana, pelo chamado governo revolucionário militar ou como querem alguns, ditadura militar.
Os oito governadores foram:
Tenente Coronel Dilermando Cunha da Rocha
Tenente Coronel Hélio da Costa Campos
Major Walmor Leal Dalein
Tenente Coronel Hélio da Costa Campos
Coronel Fernando Ramos Pereira
Brigadeiro Ottomar de Souza Pinto
Brigadeiro Vicente de Magalhães Morais
General Arídio Martins de Magalhães

De 1985 a 1990. Após o Governo Militar com a redemocratização do país e após a eleição indireta de Tancredo Neves para a Presidência da República, o Território Federal de Roraima passou novamente a ser governador por pessoas indicadas por políticos.
Neste período, foram indicados para governar Roraima:
Getúlio Alberto de Souza Cruz
Roberto Pinheiro Klein
Romero Jucá Filho
Rubens Vilar de Carvalho


Governadores do Estado
Com a constituição promulgada em 5 de outubro de 1988, o Território Federal de Roraima foi transformado em Estado membro da Federação. Sua implantação de acordo com a Lei, ocorreu com a posse do primeiro Governador, em 1.º de janeiro de 1991.
O primeiro Governador do Estado de Roraima foi o Brigadeiro, Ottomar de Souza Pinto, que governou de 1.º de janeiro de 1991 a 31 de dezembro de 1994. O segundo Governador do Estado, foi Neudo Ribeiro Campos, roraimense e engenheiro civil. Tomou posse no dia 1.º de janeiro de 1995, sendo reeleito em 1998.
Em abril de 2002, Neudo Campos deixou o cargo para concorrer a Senador da República. Em seu lugar, tomou posse o vice-governador, Flamarion Portela, que na disputa pelo governo, nas eleições de 2002, venceu o candidato Ottomar de Souza Pinto. Tomou posse em 1 de janeiro de 2003, para mais um mandato de quatro anos.


O Estado de Roraima
O antigo Território Federal de Roraima foi transformado no atual Estado de Roraima, pelo Art 14 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição Brasieleira, promulgada em 1998. Assim, antigo Território Federal existiu de 13 de setembro de 1943 até 5 de outubro de 1988.
O período de 5 de outubro de 1988 a 31 de dezembro de 1990 é considerado de transição do Território Federal para o Estado. Logo após a posse de Ottomar Pinto, pôde nomear os seus auxiliares (secretários de estado), através da Medida Provisória criou as seguintes Secretarias:

Secretaria de Estado da Administração
Secretaria de Estado da Fazenda
Secretaria de Estado do Planejamento
Secretaria de Estado da Educação
Secretaria de Estado da Saúde
Secretaria de Estado do Trabalho e Bem Estar Social
Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento
Secretaria de Estado de Obras e Serviços Públicos
Secretaria de Estado da Segurança Pública e
Secretaria de Estado de Interior e Justiça

Mais:
O Gabinete Civil
Gabinete Militar
Procuradoria Geral do Estado

Estes três últimos são pertencentes a chamada Governadoria do estado (acrescidos da Vice-Governadoria e da Polícia Militar)
Em junho de 1991, a Secretaria de Estado de Interior e Justiça teve sua denominação alterada para Secretaria de Meio Ambiente, Interior e Justiça (Semaijus). Esta, finalmente, extinta em 1995. Mas o Estado, para ser considerado implantado, precisa ter os três poderes funcionando; Executivo, Judiciário e Legislativo. Sem o funcionamento desses três poderes ou poderes ou mesmo de um deles não se considera que o Estado esteja, democraticamente implantado.
O poder Legislativo, constituído pela Assembléia Legislativa, foi eleito em 1990 na mesma eleição do governador. Foram eleitos 24 deputados estaduais. Estes, igualmente, tomaram posse no dia 1.º de janeiro de 1991 e após sua posse, reunidos, empossaram o governador. O primeiro presidente do Poder Legislativo roraimense foi o Deputado, Flávio Chaves.
No início dos seus trabalhos, a Assembléia Legislativa não tinha onde se reunir. A princípio funcionou em três salas improvisadas cedidas pelo Bando do Estado de Roraima, sem o mínimo de condições necessárias ao pleno desenvolvimento dos seus trabalhos. Posteriormente, e visando a melhoria do seu desempenho passou a funcionar no Palácio da Justiça (atual Fórum Sobral Pinto), com auditório amplo e melhores condições de trabalho. Depois de 8 meses de sua existência, pôde finalmente, o poder legislativo se instalar no atual Palácio “Antonio Martins”, onde se encontra.
Roraima: nossa terra
Quando os primeiros colonizadores chegaram a Roraima (vale do rio Branco) a população da região era exclusivamente indígena. Os índios, de acordo com teoria aceita por muitos estudiosos, são originários do continente asiático e penetraram no continente americano pelo Estreito de Bering. A penetração dessas pessoas levou muitos anos para se concretizar. Os primeiros homens que por aqui chegaram, tinham uma vida cuja alimentação era baseada na pesca e na coleta de mariscos. Viviam junto ao mar há, aproximadamente 15.000 anos.
Dos primeiros homens que chegaram à América do Sul, há sinais encontrados no litoral do Oceano Pacífico e também no litoral do Atlântico. Na medida que novas levas de pessoas iam chegando, havia um pequeno deslocamento em direção à floresta (para coleta de frutos silvestres e para caça). Entre os caminhos iniciais das penetrações está a costa venezuelana onde, a partir daí, chegaram à costa da Guiana e do Amapá e penetravam no continente pelo rio Orinoco .Seguindo por essas rotas e pela costa do Pacífico também, palmilhavam a Amazônia e de resto, todo o continente sul-americano, como indicam os achados arqueológicos nas nascentes do rio Amazonas (datados de 7.563 a.c) e os da costa do salgado do Pará (de3.000 a.c).
Na região do vale do rio Branco, esses povos chegaram pelo Caribe e pelo rio Orinoco. Infelizmente ainda não foi encontrado, em Roraima, vestígios arqueológicos com os quais se possa conhecer a data provável da chegada dos primeiros povos a esta região. Há estimativas, no entanto, de que esses povos primitivos devam ter chegado ao vale do rio Branco por volta de 3.000 a 4.000 a.c. Desses povos primeiros derivam os índios que os colonizadores europeus encontraram quando aqui chegaram em 1.500.
O primeiro europeu a percorrer o rio Amazonas foi o espanhol Francisco Orelha em 1539. Ele percorreu o grande rio de sua cabeceira a sua foz. Pedro Teixeira foi o primeiro português a percorrer o rio Amazonas e o rio Negro no início do século XVII.Foi ele quem trocou o nome de rio Queçoene, como era conhecido pelos índios, para rio Branco. A partir daí foram registradas inúmeras entradas de colonizadores, exploradores e cientistas no vale do rio Branco. Os colonizadores europeus tratavam, principalmente de conquistar os índios. Estes repudiavam essas conquistas e por isso eram maltratados, presos e escravizados.
A Lei do colonizador institui a chamada Guerra Jsta que era quando o índio se recusava a aceitar as imposições do colonizador. Partindo dessa recusa, segundo a Lei, era Justo aprisioná-los, escravizá-los e até matá-los. Quem realizava essa Guerra Justa, eram as Tropas de Resgate (resgatavam índios para vendê-los como escravos em Belém e São Luiz do Maranhão). Essas guerras contribuíram para as baixas (mortes) entre os índios, para a diminuição da população indígena e para a Revolta Geral das tribos.
A Região sul do Estado
A ocupação da região sul do Estado de Roraima é recente. Até o início da década de 70 só era conhecida a parte situada às margens do rio Branco. A abertura da estrada Manaus-Boa Vista (inaugurada em 1977) e da Perimetral Norte, possibilitou o assentamento de famílias nas colônias ao longo destas estradas bem como das vicinais abertas. A estrada Manaus-Boa Vista tem uma longa história. Desde o ano de 1847 que o governo do Estado do Amazonas tentava construí-la. Mas só em 1893 foi que o cidadão Sebastião Diniz, contratado pelo governo amazonense, conseguiu abrir um picada de Manaus a Boa Vista numa extensão de 815 km, cruzando nove rios e 734 igarapés grandes e pequenos. Deixou-a livre de arbustos e árvores que não excedesse a 50 cm de circunferência.
Da abertura dessa picada até 1977, quando a estrada foi inaugurada pelo Vice-Presidente da República, Adalberto Pereira dos Santos, decorreram 84 anos. A execução final da obra coube ao Sexto Batalhão de Engenharia de Construção 6.º BEC, sediado em Boa Vista. O trecho de Caracaraí ao Novo Paraíso (112km) é comum à Perimetral Norte e à Manaus-Boa Vista. Em Novo Paraíso as duas estradas se separam e seguem direções diferentes: a Maunaus-Boa Vista segue a direção norte/sul (até Manaus) e a Perimetral Norte segue a direção nordeste (até o Estado do Pará). A abertura dessas estradas e mais recente da RR-170 que liga Novo Paraíso ao Cantá e à Boa Vista, passando pelas Confianças I, II e III, possibilitou o descobrimento das potencialidades da região sul do Estado de Roraima.
Para ocupar esta região, eminentemente de florestas, foram trazidos colonos do Maranhão, em sua maioria e também do Paraná e do Rio Grande do Sul. Esta região hoje abrange prósperos municípios como Caroebe, São João da Baliza, São Luiz do Anauá e Rorainópolis, além de Caracaraí que desenvolve o baixo rio Branco. A região sul do Estado de Roraima escoa sua produção para Boa Vista, mas muitos preferem Manaus. Existem pessoas, nesta região, que não se interessam em viajar à capital do Estado, dado sua ligação estreita com Manaus.
Nesta região iniciou-se a produção de mel de abelha no Estado. Hoje Roraima é auto-suficiente na produção de mel de abelha e o excedente é comercializado com o Estado do Amazonas. Nessa região está concentrada a pecuária mais racional e econômica que utiliza, como pasto, o capim plantado. Após a derrubada e a queima da floresta, é feito o plantio do arroz e do milho e depois o agricultor planta o capim para formar o pasto. Este sistema é muito mais trabalhoso que o sistema tradicional da criação do gado no pasto natural (no lavrado), mas seus resultados são melhores economicamente. Os mais assim criados atingem o peso de abete mais cedo e as vacas dão mais leite. A região sul do Estado é bem diferente da região norte. Possi características próprias. Foi com a ocupação dessa região que ocorreu a exploração demográfica de Roraima a partir da década de 70.

A economia de Roraima
A economia de Roraima está baseada na produção agropecuária e na mineração. Na agropecuária, o comércio de bois vivos destinado ao abate em Manaus foi, até a década de 70 a base econômica de maior destaque. Através das boieiras (barcos grandes que transportavam os animais dos portos das fazendas), até a cidade de Manaus. Daquela cidade traziam gêneros alimentícios e bens de consumo para os fazendeiros e para o comércio de Boa Vista. Durante anos foram comercializados com Manaus uma média anual de 8 mil bois.
Este comércio acabou devido a dois fatores: o primeiro foi o crescimento populacional do Estado que passou a consumir maior quantidade de carne bovina e segundo foi a paralisação do crescimento do rebanho bovino. Hoje Roraima importa carne bovina, suína e de aves. Mas foi a produção de arroz irrigado que ocupou o lugar da carne bovina no comércio de Roraima com Manaus, como produto da agropecuária. No ano de 1977, foi introduzida a mecanização agrícola em Roraima para o cultivo do arroz nos lavrados. O sistema de produção de arroz de sequeiro não teve êxito esperado, mas possibilitou o aproveitamento da tecnologia da produção mecanizada para a cultura do arroz irrigado nas várzeas (parte baixa às margens dos rios, também conhecida como igapó). As várzeas em Roraima são abundantes ao longo dos rios Branco, Tacutu, Uraricoera, Amajari e Cauamé.
O arroz produzido nas várzeas com o sistema de irrigação tem dado ótima produtividade e é de boa qualidade. Serve para abastecer o Estado e seu excedente é comercializado com Manaus. Outras culturas como o milho, a mandioca e o feijão também são produzidas mas não atingem o nível de produção do arroz . No caso da mandioca, o Estado é auto-suficiente na produção de farinha de mandioca. Até a década de 60, Roraima importava farinha de mandioca do Amazonas e do Pará. Hoje já existe um pequeno excedente capaz de inverter o fluxo comercial desse produto.
Roraima produz também apenas para seu abastecimento, frutas tropicais como mamão, melão, abacaxi, laranja, banana, tangerina, caju, limão, melancia e outros. Na produção das hortaliças, tem havido grande progresso nos últimos anos. No extrativismo vegetal, Roraima sempre ocupou posição secundária na economia da Amazônia. Produz em pequena quantidade: castanha-do-Pará, sorva e madeira. A castanha-do-Pará e a sorva são comercializadas com Manaus. A madeira teve seu ponto máximo de produção entre 1975 e 1978 com a comercialização de madeira em toras semi-beneficiadas, para a Venezuela. Em 1982 a Venezuela aumentou o importo de importação da madeira oriunda de Roraima e inviabilizou o comércio desse produto. Hoje, Roraima exporta para a Venezuela madeira semi-acabada como em compensado e pranchas.
No extrativismo animal, o Estado, no baixo rio Brando notadamente nos rios Água Boa do Univini e Xeruini, produz muito peixe ornamental (principalmente o cardinal, de grande procura no comércio internacional), mas a fazenda estadual de Roraima não recebe nenhum centavo de imposto por falta de fiscalização. Quanto à produção mineral, esta teve início em 1930. Severino Mineiro, que apesar do apelido, era paraibano, chegou ao vale do rio Branco no início do século XX e começou os trabalhos de garimpagem de ouro e de diamantes na região das serras no norte do Estado.
A garimpagem é uma atividade permanente em Roraima, mas com altos e baixos quanto ao seu nível. Nas localidades de Tepequém, Mutum, Cotingo, Suapi, Mau, Água Fria e Surucucus a produção varia de acordo com a maior ou menor ênfase que o governo dá a questão ambiental e indígena. Na região de Surucucus já se produziu cassiterita e ouro na década de 80. Hoje está totalmente paralisada depois que foi criado o Parque Nacional dos Índios Ianomâmi em 1991. Roraima é uma província mineral de grande potencialidade já identificada pelo Projeto RADAM (Radar da Amazônia) em 1978 mas ainda não foi explorada economicamente como deve ser.
A indústria roraimense dispõe de um Distrito Industrial em Boa Vista. Nele estão localizadas pouco mais de 20 indústrias de pequeno porte que produzem refrigerantes, derivados do leite e beneficia cereais, madeira e outros. O comércio apresenta-se tradicionalmente como importador de outras peças, principalmente de São Paulo e Manaus. Com as facilidades de importação, iniciadas com abertura comercial do Brasil, em 1990, o comércio roraimense tem importado da Venezuela, diversos produtos como: cimento, ferro, combustível, cerveja, refrigerantes e produtos industrializados para a alimentação. A prática do comércio exterior é um fator importante para o desenvolvimento de Roraima. 
 

 
Leiam também o link Almirante Roberto Gama e Silva:
http://www.mar.mil.br/diversos/Artigos_selecionados/Documentos/Amazoniaeacobicainternacional.pdf

Uma reserva indígena contínua no extremo nordeste de Roraima, como desejam os governantes entreguistas, ex-presidentes, sob o estímulo de estrangeiros

Roraima - Onde estavam tantos índios que fabricados por lá hoje vivem pelo Brasil?

O geólogo Wilson Scarpelli  em 1973 estava em Roraima para pesquisar sobre ouro, em uma faixa de rochas que se estendia desde Tepequén, a oeste, até a margem esquerda do Rio Cotingo, já na Guiana. Em seu trabalho, o Dr. Wilson voava de fazenda em fazenda, nalgumas das quais pernoitava por alguns dias, e de onde percorria, a pé, as áreas em que tinha interesse. Nessas andanças, afirma o geólogo, em mensagem enviada a mim, “não vi nenhuma aldeia, mas muita atividade de pecuária e de garimpagem de diamantes”. Ele diz mais: “Só vi uns 3 índios, e na fazenda do Sr. Levindo, parente de Juscelino Kubitschek (parente mesmo). A fazenda estava situada à margem direita do Rio Quinô. Os índios tinham ido ao Sr. Levindo em busca de auxílio (comida e remédio)”
Pacaraima divisa Venezuela e a pista de pouso de grande porte construída clandestinamente por Lula em 2004 para...

Minhas homenagens ao ilustre Roberto Gama e Silva Almirante Reformado
O EXTREMO NORDESTE DE RORAIMA

quando o ministro  do STF Marco Aurelio Mello bateu o martelo: demarcação contínua e o STF vira à página!!!
Inicialmente, necessário se torna declarar que o propósito desse trabalho, simples coleta de dados geográficos e históricos, é o de facilitar o julgamento dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, na questão do estabelecimento de uma reserva indígena contínua no extremo nordeste de Roraima, como desejam os maus brasileiros, sob o estímulo de estrangeiros interessados em ocupar o "paraíso dos recursos naturais", a Amazônia Brasileira.
Definido o propósito do trabalho, iniciemos a excursão pelo extremo nordeste de Roraima.
Quem imagina que nessa região do setentrião brasileiro vai se deparar com a floresta tropical úmida, tipologia vegetal predominante na Amazônia, que se prepare para uma surpresa.
O Monte Caburaí, com 1.456 metros de altitude e localizado num ponto de coordenadas 05º 15´ 05´´ Norte e 060º 12´33´´ Oeste, é o ponto extremo da região e, também, o ponto extremo norte do Brasil. Faz parte de uma seqüência de serras denominada Pacaraima e tem, um pouco a oeste, uma elevação ainda maior, o Monte Roraima, com 2.734,06 metros de altitude e coordenadas geográficas 05º 12´08´´ Norte e 060º 44´07´´ Oeste.
Monte Caburai 
 Monte Roraima 
Nessa ocasião, predominam os alíseos de nordeste, suplantando a força dos alíseos de sudeste. Então, as chuvas se precipitam a barlavento da barreira geomorfológica, deixando os trechos a sotavento praticamente sem umidadA seqüência de serras atua como uma barreira geomorfológica em relação aos ventos dominantes que sopram durante parte do ano, exatamente enquanto a "Zona de Convergência Intertropical", no seu passeio ao norte do Equador, mantém-se distanciada desta linha imaginária.
e. Esse o motivo da existência dos campos gerais do Rio Branco, que ocupam cerca de 50 mil quilômetros quadrados do extremo nordeste de Roraima, começando nas fraldas da cadeia montanhosa e estendendo-se até o encontro do rio Tacutú com o rio Branco. 
Essa savana, num determinado ponto, é interrompida pela Serra do Sol, antigo Morro dos Cristãos, devidamente contornada pelos rios Cotingo e Tacutú. 
Os habitantes primitivos da região pertencem aos dois mais importantes grupos dos chamados povos atlântico-setentrionais, segundo a classificação de Pericot y Garcia: aruaques e caribes.
No grupo dos ARUAQUES, distinguem-se os índios UAPISHANAS, os ATORAÍS e os MABIDIAN.. No grupo CARIBE alinham-se, apenas, os CARIPUNAS, os MACUXÌS e os TAULIPANG, eis que um quarto grupo, o dos PARAVILHANAS, teve o seu último remanescente falecido em 1914, nas proximidades da serra da LUA.
 
Serra da Lua contígua guiana inglesa e as denúncias da "doação" de Lula ao Príncipe Charles:
No total, a população indígena dos campos gerais do Rio Branco deve somar uns 15 mil indivíduos, para os quais se pretende destinar uma área contínua de 1,74 milhão de hectares, como reserva.
Acontece que os campos do Rio Branco, desprovidos de árvores de grande porte, atraíram, desde cedo, a atenção dos colonizadores, que começaram a montar fazendas de criação às margens dos igarapés.
Manoel da Gama Lobo d´Almada, segundo governador da Província do Rio Negro (1786 a 1789), reconhecendo a vocação natural dos campos, introduziu gado e cavalos nas pastagens naturais do extremo nordeste de Roraima, promovendo a ocupação de grandes trechos da região pelos colonizadores descendentes de europeus. Na época, a bacia do Rio Branco já contava com 26 povoações, sendo 3 vilas, 9 "lugares" e 4 aldeias.
A população de origem européia cresceu com certa rapidez, depois da iniciativa de Lobo d´Almada e o entrosamento com os habitantes primitivos se foi estreitando, devido ao fato dos fazendeiros contratarem a mão de obra indígena para tocarem as suas propriedades.
Hoje, os macuxís, tribo predominante na região, estão de tal maneira integrados à comunhão nacional a ponto de uma jovem da citada etnia ter saído vitoriosa em concurso de soletração, de âmbito estadual, e, por esse motivo, escolhida para representar Roraima na disputa nacional promovida por uma rede de televisão.
Então, como montar uma Reserva Indígena de área avantajada, deslocando à força criadores de gado lá estabelecidos há mais de dois séculos, convivendo harmonicamente com os habitantes primitivos?
Mas, não serão só os fazendeiros as vítimas da decisão precipitada do Poder Executivo.
A partir de 1967, a Universidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, montou um "campus" avançado em Boa Vista, como parte do "Projeto Rondon".
Muitos gaúchos, surpreendidos com a semelhança entre os campos gerais e os pampas, decidiram se fixar em Roraima, ocupando áreas no extremo nordeste do estado, onde o clima é mais ameno, devido à altitude crescente do terreno, até atingir as serras que separam o Brasil dos seus vizinhos. Esses "novos roraimenses" dedicaram-se ao plantio do arroz e o vem fazendo, com sucesso, há quatro décadas. Não são, portanto, arrivistas que lá chegaram para explorar os habitantes primitivos. Ao contrário, convivem com eles harmoniosamente, inclusive oferecendo-lhes trabalho.
Ainda resta falar de um terceiro grupo, menos numeroso e pouco estável: os garimpeiros.
Desde tempos imemoriais existe a garimpagem de diamantes nos arenitos basais das rochas classificadas como pertencentes ao "Grupo Roraima". Esses diamantes provêm de chaminés "kimberlíticas" recobertas pelas rochas sedimentares que formaram as serras integrantes dos limites externos de Roraima, por ocasião dos choques entre as placas tectônicas da América do Sul e da América do Norte, antes do afloramento do istmo do Panamá.
Agora, para onde foram e para onde vão os diamantes garimpados nesses arenitos, ninguém sabe, ninguém viu...
Por tudo o que foi dito, espera-se que, doravante, os dirigentes que editam e fazem cumprir as leis estudem com sabedoria as situações com que se defrontam, para que sejam evitados os traumas impostos aos cidadãos de bem, em pleno exercício de atividades produtivas.
Por outro lado, precisam eles prestar muita atenção aos mapas (será que sabem interpreta-los?) e às atividades de organizações não governamentais estrangeiras, estas empenhadas em provocar uma secessão na Amazônia, para suprir as necessidades de matérias primas já escassas nos países que expandiram os seus ecúmenos até os limites dos respectivos territórios.
 
Fiquem certos, os brasileiros, que as organizações não governamentais estrangeiras não querem o nosso bem, mas os nossos bens!
Portanto, merecem ser expulsas da Amazônia, no lugar dos fazendeiros, arrozeiros e garimpeiros que habitam a região e atuam, também, como sentinelas avançadas da nacionalidade.
TUDO PELA PÁTRIA!

Roberto Gama e Silva
Almirante Reformado
Rio de Janeiro, em 23 de abril de 2008.

Família Moreira Salles e participação da Chevron na CBMM



A Brasil Warrants, empresa de participações da família Moreira Salles, adquire a fatia de 35% da sócia americana Molycorp, controlada pela Chevron, na Companhia Brasileira de Mineração e Metalurgia (CBMM). Com sede em Araxá, Minas Gerais, a CBMM é a maior exportadora de nióbio do mundo, com vendas externas de US$ 500 milhões por ano. O nióbio é usado na indústria siderúrgica - para a produção desde aço inoxidável a semicondutores - em oleodutos e em gasodutos.
Com a aquisição, a Brasil Warrants passa a deter 98,5% da CBMM. Cerca de 1,5% do capital é de José Alberto Camargo(José Alberto de Camargo era conselheiro do Instituto da Cidadania, fundado por Lula, e presidente da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, que pertence à família Moreira Salles. Ele comprou a peça Cristo e pagou r$ 60 mil a Dom Mauro, em janeiro de 2003. Por sugestão de Frei Betto, resolveu dá-la a Lula), executivo que foi por anos presidente da companhia. É importante notar que os investimentos da família Moreira Salles no Unibanco se dão por meio de outra empresa, a E. Johnston (?). A Brasil Warrants não faz parte das empresas da Unibanco Holdings. Outra empresa ainda, a Santana, concentra o caixa e investimentos em imóveis dos Moreira Salles.

MOMENTO HISTÓRICO (foto ao lado)
Pedro Moreira Salles, presidente do Unibanco (sentado, à esq.), Roberto Setubal, presidente do Itaú (sent. à dir.), Israel Vainboim, presidente do Conselho de Administração da Unibanco Holdings e anfitrião do encontro (em pé, à esq.), e Henry Penchas, ex-vice-presidente do Itaú
Israel Vainboim, vice-presidente da Brasil Warrants, não quis revelar o valor da aquisição. Mas confirmou ao Valor que a empresa tomou empréstimo sindicalizado (com a participação de vários bancos) de US$ 300 milhões, um pré-pagamento à exportação, para financiar a compra. O empréstimo, sob a liderança do ABN Amro, tem prazo de vencimento em cinco anos. O custo para a empresa ficou em torno de 1% ao ano sobre a Libor, a taxa interbancária de Londres. Como a Brasil Warrants é uma holding e não uma companhia exportadora, vai comprar performance de exportação da CBMM e de outras empresas no mercado específico para isso.
Foto abaixo:)IPATINGA - O presidente da Nippon Steel Corporation (NSC), Shoji Muneoka, foi recebido no Brasil pelo presidente da Usiminas, Wilson Brumer, e pelo presidente do Conselho de Administração da Usiminas, Israel Vainboim, para uma visita de cortesia, no início desta semana, às instalações industriais da siderúrgica brasileira. Seguindo uma tradição de seus antecessores, o executivo japonês pôde conhecer in loco o ciclo de investimentos em laminação, atualização tecnológica e galvanização empreendido pela Usiminas nas usinas de Ipatinga (MG) e Cubatão (SP).

Segundo Vainboim, a Brasil Warrants não costuma se alavancar. "Uma holding não é um lugar para se fazer estripulias", diz. "É sempre necessário observar se o fluxo de dividendos das companhias operacionais será suficientes para pagar a dívida", lembra o experiente executivo. A opção de tomar o pré-pagamento à exportação se deveu ao custo "baixíssimo" do empréstimo, conta Vainboim, que faz parte do conselho do Unibanco e é presidente da diretoria da holding que o controla.
Segundo Vainboim, a decisão foi tomada pela própria Chevron. Em agosto de 2005, a gigante americana comprou a Unocal (Union Oil of California), que controlava a Molycorp, a sócia dos Moreira Salles na CBMM. Conforme o executivo, não fazia sentido estratégico à gigante do petróleo manter uma participação tão pequena, de 35% na CBMM, apesar de a empresa ser um "ótimo negócio", que rende dividendos "excelentes" e é líder no seu setor no mundo todo.
A Brasil Warrants viu então uma boa oportunidade de investimento e resolveu ampliar sua participação na CBMM. Na verdade, desde 2004, quando foi comprada pela Unocal, a Molycorp vinha reduzindo sua participação na empresa e a Brasil Warrants, ampliando. Inicialmente, a fatia era de 44,59%. A venda de 4,59% em 2004 rendeu ganhos de US$ 15 milhões antes dos impostos, à época. Depois, foram vendidos mais 5% e agora, outros 35%.
A filosofia da discreta Brasil Warrants é investir em empresas "éticas e certinhas", como definiu Vainboim, que não tenham contingências fiscais, por exemplo, para manter o legado do patriarca banqueiro e embaixador Walther Moreira Salles, morto em fevereiro de 2001. A holding só está presente nos conselhos, nunca nas diretorias, das empresas nas quais participa, dando amplos poderes aos executivos. Mas ajuda a selecionar e acompanhar a administração dessas companhias. "Nosso principal 'know-how' é financeiro e, por isso, buscamos sempre ver se as atividades de nossas controladas estão financiadas da melhor forma, no melhor prazo e na melhor moeda", diz Vainboim.
Recentemente, a Brasil Warrants fez um desinvestimento importante: vendeu os direitos de explorar a marca Blockbuster no Brasil para a Lojas Americanas* (*grupo Lemann, Ambev ,Bc.Garantia), da GP Investimentos, por R$ 186,2 milhões. A marca americana foi implantada no país pela Brasil Warrants em parceira com o Unibanco, 40% a 60%, há 11 anos, mas os ganhos ano a ano foram "medíocres", não muito superiores à Libor, taxa interbancária de Londres, diz o executivo. No entanto, como a empresa estava desvalorizada por causa disso, sua venda vai proporcionar ganho contábil "considerável", que ele preferiu não revelar.
Mais rentável foi a participação na incorporação do Centro Empresarial Nações Unidas (CENU), na avenida Roberto Marinho com a Marginal Pinheiros, por meio da Imopar. O empreendimento foi vendido para o Hilton, Funcep e Tishman Speyer. "Obtivemos ganhos mais próximos ao DI", disse.
A holding ainda tem algumas salas no CENU que aluga e vende. Tem participação na Aracruz e já esteve na rede Novo Hotel e na Carbocloro, entre outras empresas.
A empresa nasceu nos anos 50, quando a Brazilian Warrants foi adquirida pelo patriarca Walther Moreira Salles na bolsa de Londres. Na época, a companhia era uma grande fazenda em Matão (SP), de 55 mil hectares, que havia sido usada para a produção de café antes da crise de 29. Logo foi nacionalizada e virou Brasil Warrants. Aos poucos, partes da fazenda foram sendo vendidas para capitalizar o Unibanco e hoje restam 15 mil hectares na Fazenda de Cambuí.

Ianomâmi! Quem?


Farsa Ianomâmi
Nos tempos da infância e da adolescência que passei em Manaus, minha cidade natal, nunca ouvi a mais leve referência ao grupamento indígena denominado "Ianomâmi", nem mesmo nas incursões que fiz ao território, acompanhando o meu avô materno, botânico de formação, na sua incessante busca por novas espécies de orquídeas. Tinha eu absoluta convicção sobre a inexistência desse grupo indígena, principalmente depois que aprendi que a palavra "ianomâmi" era um nome genérico aplicado ao "ser humano".

Recentemente, caiu-me nas mãos o livro "A Farsa Ianomâmi", escrito por um oficial do Exército brasileiro, de família ilustre, o Coronel Carlos Alberto Lima Menna Barreto. Credenciava o autor do livro a experiência adquirida em duas passagens demoradas por Roraima, a primeira, entre 69 e 71, como Comandante da Fronteira de Roraima, 2º Batalhão Especial de Fronteira, a segunda, quatorze anos depois, como secretário de Segurança do antigo Território Federal.

Menna Barreto procurou provar que os "ianomâmis" haviam sido criados por alienígenas, com o intuito claro de configurar a existência de uma "nação" indígena espalhada ao longo da fronteira com a Venezuela. Para tanto citou trechos de obras publicadas por cientistas estrangeiros que pesquisaram a região na década iniciada em 1910, notadamente o alemão Theodor Koch-Grünberg, autor do livro "Von Roraima zum Orinoco, reisen in Nord Brazilien und Venezuela in den jahren 1911-1913.

Embora convencido pelos argumentos apresentados no livro, ainda assim continuei minha busca atrás de uma personalidade brasileira que tivesse cruzado a região, em missão oficial do nosso governo, e que tivesse deixado documentos arquivados na repartição pública de origem. Aí, então, não haveria mais motivo para dúvidas.

Definido o que deveria procurar, foi muito fácil selecionar o nome de um dos "Gigantes da Nacionalidade", embora pouco conhecido pelos compatriotas de curta memória: Almirante Braz Dias de Aguiar, o "Bandeirante das Fronteiras Remotas". Braz de Aguiar, falecido em 17 de setembro de 1947, ainda no cargo de "Chefe da Comissão Demarcadora de Limites - Primeira Divisão" prestou serviços relevantes ao país durante 40 anos corridos, sendo que destes, 30 anos dedicados à Amazônia, por ele demarcada por inteiro. Se, nos dias correntes, o Brasil já solucionou todas as pendências que recaíam sobre os 10.948 quilômetros que separam a nossa maior região natural dos países vizinhos, tudo se deve ao trabalho incansável e competente de Braz de Aguiar, pois de suas observações astronômicas e da precisão dos seus cálculos resultaram mais de 500 pontos astronômicos que definem, juntamente com acidentes naturais, essa longa divisória.

Todas as campanhas de Braz de Aguiar foram registradas em detalhados relatórios despachados para o Ministério das Relações Exteriores, a quem a Comissão Demarcadora era subordinada. Além desses relatórios específicos, Braz de Aguiar ainda fez publicar trabalhos detalhados sobre determinadas áreas, que muito contribuíram para desvendar os segredos da Amazônia. Um desses trabalhos denominado "O Vale do Rio Negro", classificado pelo Chefe da "Comissão Demarcadora de Limites - Primeira Divisão" como um subsídio para "a geografia física e humana da Amazônia", foi encaminhado ao Ministério das Relações Exteriores no mês de janeiro de 1944, trazendo no seu bojo a resposta definitiva à indagação "ianomâmi! Quem?

No tocante às tribos indígenas do Vale do Rio Negro, incluindo as do tributário Rio Branco, afirma o trabalho que "são todas pertencentes às famílias Aruaque e Caribe, sem aludir à existência de alguns povos cujas línguas se diferenciam profundamente das faladas pelas duas coletividades citadas". Prossegue o autor: "Tais povos formam as chamadas tribos independentes, que devem ser consideradas como restos de antigas populações cuja liberdade foi grandemente prejudicada pela ação opressora de vizinhos poderosos". Também os índios "Tucanos" constituem uma família a parte, complementa o trabalho. Dito isto, a obra cita os nomes e as localizações das tribos aruaques no Vale do Rio Negro, em número de treze, sem que da relação conste a pretensa tribo "Ianomâmi". Em seguida, foram listadas as tribos caribes, bem como a sua localização: ao todo são sete as tribos, também ausente da relação o nome "Ianomâmi".

* ROBERTO GAMA E SILVA é almirante reformado 

http://diario-cuiaba.jusbrasil.com.br/politica/34393/roberto-gama-e-silva-ianomani-quem-i


Leiamhttp://www.bancadamilitar.org.br/abm-AMZ-06.htm

"Hidrelétricas na Amazônia"


Na Amazônia, a geomorfologia regional juntou-se aos rios caudalosos para oferecer
perspectivas amplas de aproveitamento da energia cinética das águas para geração
Divulgação JIE/ITAIPUde energia elétrica.
Computados apenas os sítios já inventariados, que não incluem alguns
aproveitamentos de porte e todas as pequenas quedas, a Amazônia brasileira poderá
dispor de capacidade instalada da ordem de 134 mil megawatts, pouco mais da
metade do resto do país (260 mil megawatts) e superior à capacidade instalada de
todas as hidrelétricas dos Estados Unidos da América (115 mil megawatts).
A fartura de energia elétrica, de fonte renovável e limpa, transformará a inequívoca
vocação mineral em vocação minero-industrial, circunstância que valorizará
sobremaneira a região.
Como se sabe que a precedência absoluta na região é a conservação da cobertura
arbórea, devido à relação biunívoca entre a floresta e as chuvas, convém tecer
alguns comentários sobre a construção de hidrelétricas na região, como resposta aos
argumentos disseminados por “ambientalistas de asfalto” e “Organizações Não
Governamentais” estrangeiras.
Em primeiro lugar, o impacto da substituição da vegetação nativa, mesmo aquela
dominada por florestas, pelos reservatórios das usinas é desprezível, pelo fato de
não afetar o clima, fiador do equilíbrio de todos os ecossistemas amazônicos.
Com efeito, o ciclo hidrológico local ficará livre de qualquer alteração perniciosa,
porque não será reduzida a proporção da precipitação que retornará à atmosfera
para, mais adiante, gerar mais chuvas. A evapotranspiração será compensada, com
sobras, pela evaporação da superfície líquida dos reservatórios.


O outro parâmetro conformador do clima, a umidade relativa do ar, também não será
Tucuruí
reduzido. Ao contrário, tenderá a aumentar, ligeiramente, devido à diminuição do
albedo (razão entre a radiação refletida por uma superfície e a radiação solar que
sobre ela incide), uma vez que a água tem maior capacidade de absorção da energia
solar incidente do que qualquer outro tipo de superfície.
A seguir, argumentam muitos que os reservatórios são muito extensos, alagando
grandes trechos florestados. Ocorre que, até o momento, só foram aproveitadas as
quedas situadas no limite entre a Bacia Sedimentar e os Escudos, portanto em sítios
http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Balbina
pouco encaixados no relevo. Por esse motivo, a área de alagamento de Tucuruí
chegou a 2.430 quilômetros quadrados e a de Balbina atingiu 2.360 quilômetros
quadrados.


As futuras hidrelétricas, construídas à montante desse limite serão mais bem
encaixadas no relevo e, por conseqüência, inundarão áreas menores. Além disso, o
uso de unidades geradoras tipo bulbo, combinado com a seleção de quedas mais
baixas, minimizarão as áreas alagada.
Assim é que a futura Usina de Santo Antônio, no Madeira, com potência instalada de
3.150 mil megawatts, terá um reservatório com apenas 271 quilômetros quadrados,
madeira
dos quais uns 150 quilômetros quadrados pertencem ao curso natural do rio. A outra
usina licitada no Madeira, à montante de Santo Antônio, a futura Hidrelétrica do Jirau,
com potência instalada de 3300 mil megawatts, terá um reservatório de 258
quilômetros quadrados, dos quais 122 coincidem com o curso natural do rio. Para
sanar qualquer dúvida a respeito, a usina de Belo Monte, que será construída na
primeira volta do rio Xingu, gerará 11 mil megawatts e formará um lago de 400
quilômetros quadrados.
Espera-se, apenas, que se planejem melhor as obras civis das futuras barragens, de
Jirau
modo a conceder tempo para a extração e comercialização das madeiras existentes
nas áreas de alagamento dos reservatórios, de modo a reduzir ao mínimo a emissão
do gás metano, produzido pela decomposição dos vegetais submersos. Tal emissão
também é usada como argumento contrário à construção de hidrelétricas na
Amazônia.
Outro ponto controverso é o dos danos à ictiofauna, devido às interrupções nos
cursos dos rios, que inibiriam a reprodução das espécies que buscam as nascentes
para a desova. É um problema contornável, mediante a introdução das “escadas de
peixe” nas barragens, providência esta que se tornará automática a partir do
momento em que a competência se fizer presente em todas as etapas de construção
das usinas.
A favor das hidrelétricas, entretanto, há dois argumentos de peso, totalmente
desvinculados da geração de eletricidade, por esse motivo pouco lembrados.


O primeiro deles é tão valioso que, por si só, justificaria a construção de barragens,
mesmo sem a instalação de turbogeradores: trata-se da ampliação da navegabilidade
Eclusas
dos tributários de Amazonas, além dos limites da Bacia Sedimentar, mediante a
instalação de eclusas, ao lado das barragens.
Depois de implantadas todas as usinas inventariadas na Amazônia, além de outras
fora da região, seria possível desatracar um comboio fluvial do porto de Boa Vista, à
margem do rio Branco, para demandar um terminal hidroviário no alto Tocantins, nas
proximidades de Brasília. Ou então, alcançar o Tietê, via Araguaia, Aporé e Paraná,
até chegar ao subúrbio de São Paulo. Ou ainda, atracar em Buenos Aires, depois de
percorrer o Guaporé, o Paraguai e o Paraná. Tudo isso com o mínimo consumo de
energia, como ensina o Princípio de Arquimedes, e, como conseqüência, com
descarga mínima de poluentes na atmosfera!
O outro argumento ponderável relaciona-se com a introdução da piscicultura nos
futuros reservatórios de água doce, uma vez que a Amazônia é um dos locais mais
apropriados para a criação de peixes, não só pela grande variedade de espécies
nativas, cerca de 2.000, mas também pelas condições climáticas.
Como se procurou demonstrar, pois, são totalmente falsos os argumentos que se
vem usando, com freqüência, para impedir o aproveitamento da energia cinética dos
rios amazônicos para gerar eletricidade.
Sem energia, não há progresso possível!


SILVA, Roberto Gama e. "Hidrelétricas na Amazônia". Rio de Janeiro, em 11 de
junho de 2007.