sábado, 24 de dezembro de 2011

Minério Coltan


No momento em que inicio este post, Fernando Nobre descreve na Sic Notícias o que , em sua opinião, é o combustível da guerra na República Democrática do Congo*, uma guerra que dura há quase dez anos, mais concretamente desde o dia 2 de Agosto de 1998. O médico sem fronteiras informa que este conflito ignorado já fez mais de 5 milhões de vítimas e escravizou inúmeras outras, muitas delas crianças, as principais vítimas desta guerra. Segundo um relatório de 2008 do International Rescue Committee, continuam a morrer por mês cerca de 45 000 pessoas em consequência de mais um conflito que não faz primeiras páginas.

Esse combustível, ou antes mineral,  de sangue é o coltan, na realidade dois minerais, acolumbite e a tantalite, ambos óxidos mistos de ferro, manganês, nióbio e tântalo, a columbite mais rica em nióbio (e contém ainda magnésio); a tantalite mais rica em tântalo. Ambos os metais, mais raros e mais cobiçados do que o ouro, são indispensáveis às novas tecnologias, de telemóveis a  estações espaciais passando pelas armas mais sofisticadas, algumas das quais utilizadas na guerra que assola o território onde se situam  80% das reservas de coltan.
O Ruanda e Uganda ocupam militarmente parte do território congolês, uma ocupaçãoviolenta que tem como objectivo explorar os recursos minerais do Congo embora esse objectivo seja disfarçado numa necessidade de combate a grupos rebeldes. Tudo isto perante a total passividade da mesma comunidade internacional que há bem pouco tempo tanto se indignou com outra guerra, de dimensões e consequências que empalidecem face a esta. A guerra que assola a República Democrática do Congo tem como causa última a ganância. E esta guerra tem a total colaboração dos governos ocidentais que fecham os olhos às actividades das suas empresas.
De facto, pelo menos desde 2002 que a ONU adverte da existência de uma rede complexa envolvida na depredação dos recursos minerais do Congo,  rede da qual fazem parte muitas empresas ocidentais que alimentam não só a violência como a corrupção sistémica desta zona do globo. Por exemplo, nessa altura o Exército Patriótico Ruandês (EPR) tinha uma bem montada estrutura para supervisionar a actividade mineradora no Congo e facilitar os contactos com os empresários e clientes ocidentais. Existiam várias empresas mistas formadas por europeus, membros do EPR e do círculo de pessoas próximas do então presidente ruandês Paul Kegame.
Em Outubro de 2008, Anneke Van Woudenberg -senior researcher para o Congo da Human Rights Watch  - escrevia num artigo que vale a pena ler, «A New Era for Congo»:
The armed rebel groups, rampant corruption, greed for the country’s mineral wealth, and a national army that commits rape and murder, all combined with a pervasive culture of impunity, require a transformation of the country itself.

  • Os grupos rebeldes armados, corrupção desenfreada, a ganância pela riqueza mineral do país, e um exército nacional que comete estupro e assassinato, tudo combinado com uma cultura de impunidade,requerem uma transformação do próprio 
Mas essa transformação não ocorrerá enquanto for rentável (e impune) continuar a roubar despudoradamente os recursos congoleses. Em 2002, quando terminaram o relatório, os peritos da ONU pediram que fossem tomadas medidas duras contra os autores destes crimes económicos, nacionais e estrangeiros, um embargo total dos minérios roubados, uma extensão do embargo aos estados que apoiassem os rebeldes, e, especialmente, que fosse criado um Tribunal Internacional para julgar os responsáveis e atribuir compensações às suas vítimas. Nada de muito consequente foi feito embora alguns criminosos de guerracomeçem agora ser julgados. E nada de muito consequente parece ir ser feito com o anúncio ontem pela ONU de que a MONUC, a missão da ONU no Congo,  terá um papel muito restrito no conflito, que me parece longe de estar terminado apesar do anúncio de que as tropas do Ruanda e Uganda deixarão o Congo no fim de Fevereiro.

*O ex-Zaire agora (outra vez) República Democrática do Congo ou Congo-Kinshasa, para o diferenciar do vizinho Congo-Brazzavile, é um dos maiores países de África. Independente desde 30 de Junho de 1960, o Congo assumiu à data o nome de República do Congo - em 1964 foi acrescentado o adjectivo «democrática». Mas de facto a democracia e a paz têm estado afastadas do Congo, em particular desde que em Novembro de 1965, Mobutu Joseph Désiré tomou o poder num golpe de estado. Mobutu estabeleceu uma ditadura personalista e em 1971 mudou o nome do país para Zaire e da capital para Kinshasa (ex-Leopoldville). Ele próprio passou a chamar-se Mobutu Sese Seko Koko Ngbendu wa za Banga, que significa «o todo-poderoso guerreiro que, pela sua resistência e inabalável vontade de vencer, vai de conquista em conquista deixando fogo à sua passagem».
O poder absoluto de Mobutu foi especialmente contestado a partir Outubro de 1996, altura em que explodiu no país uma rebelião liderada por Laurent-Désiré Kabila. Nos meses seguintes aumentaram os choques entre a guerrilha, baptizada de Aliança das Forças Democráticas pela Libertação do Congo-Zaire (AFDL) e o Exército, que enfrentou deserções em massa. Mobutu foi finalmente derrubado em Maio de 1997, e Kabila tornou-se presidente do Congo nessa data, cargo que manteve até ao seu assassinato em Janeiro de 2001. Foi sucedido pelo seu filho Joseph Kabila Kabange, que tentou pôr termo à guerra que assola o país e que, de acordo com outro relatório do International Rescue Committee, vitimou 3.3 milhões de pessoas nos primeiros quatro anos, entre Agosto de 1998 e Agosto de 2002 e fez cerca de 5.4 milhões de vítimas em menos de dez anos. (Palmira F. Silva)

Mineração - A rota das esmeraldas

Operação Caminho das Pedras combate transporte clandestino na região de Teófilo Otoni e Vale do Mucuri
Serra das Esmeraldas

Teófilo Otoni realiza uma das mais importantes feiras de pedras preciosas

agencia minas
Uma força-tarefa, coordenada pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais (DER/MG), deflagrou operação para coibir o transporte clandestino na região de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, uma das rotas mais exploradas pelo transporte irregular em Minas.

A operação, batizada de “Caminho das Pedras”, conta com o apoio do Ministério Público, equipes das Polícias Civil e Militar, Polícias Rodoviárias Federal e Estadual, Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) e de órgãos de trânsito municipais. Os trabalhos são ininterruptos, com pessoal atuando 24 horas por dia, sem prazo determinado para acabar.

A ação conjunta tem por objetivo erradicar o transporte irregular de passageiros na região, já que a clandestinidade coloca em permanente risco a vida de usuários e terceiros. “A união de órgãos das esferas municipal, estadual e federal vai permitir uma ação mais ostensiva e intensiva no combate do transporte clandestino, eliminando qualquer conflito jurisdicional”, avalia o diretor de Fiscalização do DER/MG, João Afonso Baeta Costa Machado.

João Baeta ressalta, ainda, que a operação está estruturada em três pilares.

O primeiro se baseia nas ações de inteligência, com o objetivo de reconhecer amplamente o ambiente operacional e as circunstâncias que o cercam, identificando veículos, proprietários e motoristas, as rotas principais e secundárias, os demais atores envolvidos na atividade clandestina, e as formas e os argumentos empregados no aliciamento de passageiros. Tudo isso, visando ao planejamento das ações e à otimização do efetivo de fiscais do DER, com o apoio de outras unidades do órgão localizadas nas 40 coordenadorias regionais em todo o Estado, e possibilitando a atuação desses agentes em pontos e horários diferentes, de forma a apreender o maior número de veículos irregulares e autuar os infratores.

O segundo pilar está apoiado na atuação conjunta de órgãos de todas as esferas, com a participação efetiva do Ministério Público, o que garante a legalidade e a juridicidade das ações coordenadas pelo DER.

Já o terceiro pilar se fundamenta na garantia do conforto e segurança para o usuário, que, nas hipóteses de apreensão do veículo, terá o transbordo imediato para o sistema regular.

Ele também destaca que o transporte clandestino de passageiros, por ser uma atividade marginal, mantém estreita e direta relação com outras formas de criminalidade. “Quando o transporte irregular é combatido, estamos também desestimulando e cerceando a prática de outros crimes relacionados, tais como assaltos, sequestros, tráfico de armas, drogas e animais, contrabando, descaminho, evasão fiscal e tributária”.

Baeta explica, ainda, que a evasão de passageiros faz com que o sistema regular perca fôlego e tenha de cobrar cada vez mais caro pela passagem. Os clandestinos, por sua vez, praticam uma competição predatória com os regulares e com o tempo, sem estrutura e sem alternativas, entram em decadência e não mais se sustentam.

Origem do nome da operação

A escolha da expressão Caminho das Pedras, com a qual foi batizada a operação da força-tarefa, é uma alusão ao fato do município de Teófilo Otoni estar localizado em região de grande exploração e comercialização de pedras preciosas, semipreciosas e cristais de quartzo, importantes fontes de recursos, constituindo-se em polo exportador mundialmente conhecido. Chamada de Capital Mundial das Pedras Preciosas, Teófilo Otoni é o maior centro lapidário do Brasil, com cerca de 3 mil oficinas dedicadas ao ramo. Recebe compradores de gemas de todas as partes do mundo, interessados na grande variedade e alta qualidade das pedras da região, cujo comércio impulsiona a economia da cidade e de municípios vizinhos.



O mercado verde da penhora judicialEsmeraldas são usadas como garantia de dívidas na Justiça

As esmeraldas servem para algo mais do que ornar jóias. O Código de Processo Civil permite, no artigo 655, que estas e outras pedras e metais preciosos sejam oferecidos para o pagamento de dívidas em processos de penhora. Consta do código uma relação de bens com dez itens, e as pedras aparecem em segundo lugar, logo depois do dinheiro vivo. A preferência está ligada à liquidez que oferecem. São mais fáceis de vender que imóveis ou veículos.
A brecha legal fomentou o surgimento de um mercado vigoroso. Circulam pela Justiça milhares de processos que propõem, por exemplo, a troca de penhoras de aviões ou obras de arte por pedras. Na esteira, surgiram até empresas de advocacia associadas a empresas de mineração, que vendem um pacote completo aos clientes. Além do serviço jurídico, entregam as pedras que serão penhoradas. Como não são joalheria, conseguem preços especiais para os clientes, que por sua vez ganham na operação, porque repassam aos credores as pedras cotadas a valores de mercado.
A legislação abriu espaço para fraudes. Como há várias classificações para a esmeralda, quadrilhas compostas de especialistas estariam emitindo laudos superfaturados para a Justiça. Segundo investigação da Polícia Federal e do Ministério Público, dívidas de fazendeiros e empresários com o Incra e o BNDES estariam sendo garantidas através desse expediente. Por isso, alguns credores, como o INSS, começam a recusar as pedras verdes.


Fonte:
A rota das esmeraldas - Edição 181 05/11/2001 - http://epoca.globo.com/edic/20011105/neg1b.htm

Ta (73) e Nb (41) = O Coltan e a Guerra na África

            “Coltan” é a combinação de duas palavras que correspondem aos respectivos  minerais: a columbita(Nb) e a tantalita(Ta), dos quais se extraem metais mais cobiçados do que o ouro. 


Há uma guerra desde o dia 2 de agosto de 1998?, porque dois países africanos como Ruanda e Uganda ocupam militarmente parte do território congolês?, e porque já morreram mais de dois milhões de pessoas?. O coltan é essencial para as novas tecnologias, estações espaciais, naves tripuladas que se lançam no espaço e às armas mais sofisticadas.

Se tomarmos em conta que estes metais são considerados altamente estratégicos e agregarmos que 80% das suas reservas  encontram-se na República Democrática do Congo, começaremos a vislumbrar porque há uma guerra neste país desde o dia 2 de agosto de 1998, porque dois países africanos como Ruanda e Uganda ocupam militarmente parte do território congolês, e porque já morreram mais de dois milhões de pessoas. O coltan é essencial para as novas tecnologias, estações espaciais, naves tripuladas que se lançam no espaço e às armas mais sofisticadas.


Amparados por um duvidoso respaldo da ONU.O que adiciona gravidade a esta pirataria é a passividade da comunidade internacional. A guerra, tem como causa a depredação de metais preciosos e recursos estratégicos; enriquecem alguns, e se financia a própria guerra.
            Esta guerra constitui a maior injustiça, em escala planetária, que se está cometendo contra um Estado soberano. Nas últimas décadas a história nos ofereceu tristes exemplos de assalto e até da ocupação militar de um país independente. O Iraque invadiu o Kuwait, e os EUA fizeram a mesma coisa em Granada, ainda que com resultados distintos. Bombardearam-se países como Afeganistão e Iraque, amparados por um duvidoso respaldo da ONU. Mas o que não havia acontecido desde a invasão de países europeus pela Alemanha de Hitler era a ocupação pura e dura de um território para aniquilar  milhares de cidadãos e explorar os recursos minerais do país ocupado. É isso o que está acontecendo na R. D. do Congo. O que adiciona gravidade a esta pirataria é a passividade da comunidade internacional. Para aqueles a quem dói toda a opressão, assusta este desprezo por uma parcela da humanidade, duplamente ultrajada.
            Já ninguém pode ignorar que a guerra de que padece a República Democrática do Congo tem como causa a depredação de metais preciosos e recursos estratégicos. Com isso se enriquecem alguns, e se financia a própria guerra. Os culpados são muitos. Segundo um grupo de especialistas da ONU, que elaborou um informe sobre a guerra neste país, o Exército Patriótico Ruandês (EPR) montou uma estrutura ad hoc para supervisionar a atividade mineradora no Congo e facilitar os contatos com os empresários e clientes ocidentais. Se criaram várias empresas mistas entre os negociadores europeus do coltan e membros do APR e do círculo de pessoas próximas ao presidente ruandês Paul Kegame.

Um milhão de dólares por mês

Destinatários finais do coltan: EUA, Alemanha, Holanda, Bélgica e Cazaquistão. A companhia Somigi (Sociedade Mineira dos Grandes Lagos) tem o monopólio do setor; é uma empresa mista de três sociedades: Africom (belga), Promeco (ruandesa) eCongecom (sul-africana). Entrega 10 dólares por cada quilo de coltan exportado ao movimento rebelde 
O Exército ruandês translada o mineral em caminhões até Kigali, capital de Ruanda, onde é tratado nas instalações da Somirwa (Sociedade Minera de Ruanda), antes de ser exportado. Os destinatários finais são os EUA, Alemanha, Holanda, Bélgica e Cazaquistão. A companhia Somigi (Sociedade Mineira dos Grandes Lagos) tem o monopólio do setor; é uma empresa mista de três sociedades: Africom (belga), Promeco (ruandesa) eCongecom (sul-africana). Entrega 10 dólares por cada quilo de coltan exportado ao movimento rebelde Reagrupação Congolesa para a Democraciaa (RCD), que conta com cerca de 40.000 soldados, apoiados por Ruanda. "Com a venda de diamantes - declarou Adolphe Onusumba, presidente da RCD - ganhávamos cerca de 200.000 dólares ao mês. Com o coltan chegamos a ganhar mais de um milhão de dólares por mês."
            A mestiça paquistanesa-burundinesa Azazi Gulamani Kulsum, uma contrabandista famosa na região dos Grandes Lagos, é a gestora da Somigi. Esta mulher começou sua carreira em Bunia, vendendo tabaco de contrabando. Muito próxima ao dirigente hutu burundinês Léonard Nyangoma, era considerada há até pouco tempo a principal abastecedora de armas dos rebeldes ruandeses hutus. Hoje, graças à Somigi, trabalha com o exército ruandês, que a princípio se encontra em Kivu para perseguir aos hutus.
            Na zona controlada pelos ugandeses - assinalou a jornalista Marina Rini depois de visitar o noroeste da R.D. do Congo - não existe monopólio. Assegura que em Butembo operam seis grandes compradores estrangeiros, oficialmente em competição entre si. Os empregados estrangeiros, com excessão de um ugandês, são todos soviéticos: russos ou cazaques. Sem revelar sua identidade confessaram a Marina Rini: "Vivíamos há muitos anos na África do Sul e agora viemos comercializar o coltan". Deles, compra o Cazaquistão. Informações reservadas da ONU revelam que o tráfico é organizado pela filha do presidente cazaque, Nursultan Nazarbaev, através de sociedades mistas belgas. A filha de Nazarbaev está casada com Vassili Mette, diretor geral da Ulba, empresa cazaque que extrae e refina urânio, coltan e outros minerais estratégicos. Ao que parece, Salim Saleh, irmão do presidente ugandês, Yoweri Museveni, não está fora deste florescente negócio.

Companhias ocidentais na exploração do coltan

Alcatel, Compaq, Dell, Ericsson, HP, Lucent, MOtorola, Nokia, Siemens e outras companhias de ponta utilizam condensadores e outros componentes que contém tântalo, assim como as companhias que fabricam estes componentes como AMD, AVX, Epcos, HItachi, Intel, Kemet, NEC.
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Esta é, em linhas gerais, a sutil teia de aranha de um negócio internacional que está alimentando uma guerra no coração da África e empobrecendo os cidadãos de um dos países mais ricos da terra

Mas tem mais. O IPIS (Serviço de Informação para a Paz Internacional) realizou um estudo minuncioso sobre a vinculação das empresas ocidentais com o coltan e com o financiamento da guerra na R.D. do Congo.
            Os documentos reunidos por esta organização estabelecem que a companhia belga Cogecom sprl é um sócio chave no monopólio instaurado pelos rebeldes congoleses. As transações entre Somigi e Cogecomenvolveram 600.000 dólares para a RCD somente no mês de dezembro de 2000. Outras transações similares aconteceram entre Somigi e Cogear, uma companhia com uma direção fictícia na Bélgica.
            A investigação sobre as atividades do grupo alemão Masingiro GMBH revelam três transações comerciais realizadas entre junho e setembro de 2001 e que cobriam a exportação de 75 toneladas de coltan. As quantidades em jogo fazem pensar que o coltan exportado pela companhia alemã procede de estoques acumulados pelo monopólio da RCD (a Somigi). Este coltan foi enviado à Alemanha através do aeroporto de Ostende e do porto de Amberes pelas três companhias de transporte TMK (vinculada à RCD), A.B.A.C. e NV Steinvweg (Bélgica). O coltan estava destinado sem dúvida à fabrica de tratamento de tântalo em mãos de H.C. Starck, filial da Bayer e líder mundial na matéria.
            O homem de negócios suíço Chris Huber parece jogar um papel primordial no financiamento do esforço de guerra em Ruanda. A investigação demonstra que suas companhias Finmining e Raremet compram o coltan da Rwanda Metals, uma companhia que atua em nome do exército ruandês e o revende à fábrica de transformação Ulba no Cazaquistão. Sabe-se que existem transações entre a Finmining e a companhia cazaque de fretesUlba Aviadomapnia/Irtysh Avia para o envio de coltan de Kigali ao Cazaquistão. Chris Huber poderia estar ligado a Victor Bout, um conhecido traficante de armas, fornecedor de diferentes grupos rebeldes e armados.
            Eagle Wings Resources (EWR) é uma joint-venture (empresa de risco compartilhado) entre a norte-americana Trinitech e a holandesa Chemi Pharmacie Holland. O representante local da EWR em Kigali é Alfred Rwigema, cunhado do presidernte Paul Kagame. O informe das Nações Unidas acusa o presidente ruandês de jogar um papel motor na exploração dos recursos naturais da República Democrática do Congo. A direção da EWR afirma ter rechaçado propostas comerciais da Grands Lacs Metals, outra companhia de coltan controlada pelo exército ruandês.
            Alcatel, Compaq, Dell, Ericsson, HP, Lucent, MOtorola, Nokia, Siemens e outras companhias de ponta utilizam condensadores e outros componentes que contém tântalo, assim como as companhias que fabricam estes componentes como AMD, AVX, Epcos, HItachi, Intel, Kemet, NEC.

Objetivo: dividir o Congo

Dividir o Congo: que facilitaria mais ainda a exploração dos recursos. Isto já foi pressentido e denunciado por Cristophe Munzihirwa, arcebispo de Bukavu – e por isso o exército ruandês o assassinou.
Estes obscuros negócios são, em primeira instância, os culpados de uma guerra que não se torna menos dramática e pesada por ser esquecida. Com um agravante: teme-se que sobre o mesmo território da R.D. do Congo pese a ameaça da divisão em vários estados, o que facilitaria mais ainda a exploração dos recursos. Isto já foi pressentido e denunciado por Cristophe Munzihirwa, arcebispo de Bukavu – e por isso o exército ruandês o assassinou.
            Mais recentemente, o bispo congolês de Kaminha, Jean-Anatole Kalala Kaseba declarou: “os que criaram esta situação podem terminá-la, especialmente os EUA. A ONU está ali, inclusive na minha diocese. São observadores. Têm um programa que não querem dizer-nos. Asseguram que vieram para interpor-se aos beligerantes, mas vem a confirmar a repartição do país. Preferiríamos que estivessem em todas as cidades, mas não estão presentes em Uganda nem na Ruanda. Temos razões para crer que foram enviados pelas multinacionais. O presidente de Botsuana Kett Masire – o mediador do conflito congolês – disse claramente que se fracassar o diálogo inter-congolês, a ONU tomará de novo o país em suas mãos. Não é novidade. Esta guerra foi provocada para isso. A ONU quer que fracasse o diálogo inter-congolês para dirigir o país como um protetorado. Creio que a ONU está hoje a serviço de uma grande potência e faz o que esta quer.”
            Isto não é apenas um temor. Em março de 2002, o governo de Ruanda, que converteu parte de Kivu em uma extensão de seu território, se apropriou de todos os serviços telefônicos nacionais de Buvaku. http://latinoamericana.org/2003/textos/portugues/Coltan.htm


Para extração dos minérios  matam e se alimentam dos gorilas que surgem das florestas devido o desmatamento

Tântalo (73) e Nióbio (41)


http://www.resourceinvestor.com/
http://www.resourceinvestor.com/2007/01/18/tap-tantalum

domingo, 18 de dezembro de 2011

Nióbio Minério Brasileiro: Nióbio Seis Lagos na Amazônia e a Omissão das Governanças

NIÓBIO À COMERCIALIZAÇÃO NO EXTERIOR POR: EDVALDO TAVARES

LME
Reuters

As negociações envolvendo venda de produtos visam transações que resultam em lucros financeiros que permitem aplicação em volumes maiores dos produtos em futuras negociações. É natural o impacto resultante da tomada do conhecimento que a comercialização do nióbio não atende esta regra.
Antônio Ribas Paiva, presidente do “Grupo das Bandeiras”, no “Fórum do Clube do Hardware”, no artigo “O Nióbio é Nosso!”, faz a seguinte observação: “A maioria dos brasileiros não sabe o que é o Nióbio, e muito menos que o Brasil é o único produtor mundial deste importante mineral. O Brasil poderia pagar sua dívida externa só com nióbio, que é um dos muitos minerais contrabandeados daqui. Acho extremamente importante que este assunto seja colocado em evidência, pois é o futuro do nosso país que está em jogo”.]
Continuando o fornecimento de informações com o objetivo de desfazer dúvidas, aqui está mais um trecho do artigo do citado articulista: <O Jornal “Folha de São Paulo”, no dia 05 de novembro, noticiou que: “LULA passou o final de semana em Araxá em casa da CBMM do Grupo Moreira Salles e da Multinacional Molycorp… A Companhia exporta 95% do Nióbio que retira de MG e é a maior exploradora do metal do mundo. Por meio de uma ONG a empresa financiou projetos do "Instituto Cidadania", presidido por LULA, inclusive o "Fome Zero", que integra o programa de governo do presidente eleito. (Folha de São Paulo de 05/11/02, pg. "A" 4.) 
A matéria obriga à reflexão, porque evidencia a aliança anterior às eleições presidenciais entre um político, supostamente de esquerda, e uma multinacional, que de acordo com os dados do IBGE, da Secretaria do Comércio Exterior e da "CPRM" subfatura exportações de nióbio, causando prejuízos anuais de bilhões de dólares americanos ao Brasil. O raciocínio é simples: o Brasil, considerando as reservas de São Gabriel da Cachoeira AM, não computadas pelo DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), detém 98% (noventa e oito por cento) das reservas mundiais exploráveis de nióbio.


O mundo consome anualmente cerca de 37.000 toneladas do minério, totalmente retiradas do Brasil. 
O nióbio bruto é comprado no garimpo a 400 dólares americanos o quilo. Portanto, sem contar a necessidade de formação de reservas estratégicas dos países do primeiro mundo, e o acréscimo do preço em razão do beneficiamento do minério, feito em Araxá, MG e Catalão, Goiás, deveríamos contabilizar, pelo menos, 14 bilhões e oitocentos milhões de dólares, a mais, em exportações anuais, ou seja: cerca de 30% (trinta por cento) a mais no total de todas as exportações brasileiras.
US$ 400 x 1000 = US$ 400.000 a ton.
US$ 400.000 x 37000 ton. = US$ 14.800.000.000,00
Esses valores não aparecem no balanço comercial, logo, está provado que os exportadores estão subfaturando as exportações de nióbio, em detrimento dos interesses do país e da Nação Brasileira. Os preços do nióbio, cotados na Bolsa de Metais de Londres (50 libras esterlinas o quilo), são meramente simbólicos, porque o Brasil é o único fornecedor mundial, portanto, quem deveria determinar o preço é o vendedor (mercado do vendedor). Mal comparando, nióbio a 50 libras o quilo é o mesmo que petróleo a três dólares o barril. No caso do petróleo, a OPEP estabelece o preço do mineral, equilibrando os interesses dos consumidores e produtores, porque o preço do petróleo é uma "questão de Estado". O mesmo não ocorre com o nióbio; absurdamente, quem estabelece o preço de venda do produto são os compradores, em conluio com as empresas que exploram o minério no Brasil e que nessa ação deletéria contam com a conivência "oficial", de políticos cujas campanhas e "projetos" financiam. Tanto os preços de venda como as quantidades exportadas são subfaturados, há décadas.
Os dados sobre o nióbio fornecido pelo DNPM estão eivados de vício, porque tanto as quantidades do minério quanto os preços apontados pelo departamento são subfaturados, fornecidos pelos próprios interessados, da conspiração Araxá/Catalão. Uma fração dos valores e quantidades reais do nióbio "exportado" seria suficiente para erradicar a subnutrição da população carente, e livrar o Brasil da desfavorável condição de devedor, além de financiar o desenvolvimento>.
Caso o comentário precedente sobre a questão comercial exterior do nióbio do qual o Brasil é exportado absoluto não seja suficiente, vejamos o que diz o jornalista Jorge Serrão no artigo “Roubo do Nióbio” no jornal “Alerta Total”: “A classe média de assalariados brasileiros nem precisaria pagar R$ 35 bilhões por ano de Imposto de Renda, se o Brasil não fosse vítima do maior escândalo de subfaturamento fiscal do mundo. O País deixa de arrecadar R$ 210 bilhões de reais por ano por causa da manobra que sonega impostos da exportação de nióbio – um metal raro, usado em todas as aplicações de tecnologia de ponta da indústria moderna, e do qual o Brasil detém 98% das reservas mundiais. 
O Brasil exporta 81 mil toneladas do metal por ano. O quilograma do metal sai daqui vendido por R$ 16, o que rende R$ 1 bilhão e 296 bilhões – sobre os quais recaem tributos. Acontece que o nióbio é negociado na Bolsa de Londres por até U$ 1.200 dólares por quilograma. Se o Brasil não fosse lesado na operação, e empregasse a soberania do País no negócio, a operação com o nióbio renderia (como rende aos ingleses) US$ 97 a 100 bilhões de dólares – sobre os quais recairiam os impostos”.
Caros amigos, direção e opinantes do jornal “Opinião e Notícia”, ao qual dedico o meu total respeito e afeto, não quero ser o dono da verdade, apenas fiel ao meu país e por dever de brasilidade, tenho pesquisado sobre o nióbio na esperança de estar enganado, mas, diante das fontes de informações chego à decepcionante conclusão de que tudo que venho escrevendo é a mais frustrante realidade. 
Sugiro aos que queiram contestar as minhas argumentações, façam pesquisas e estudem o assunto e publiquem as suas opiniões juntamente com as fontes que embasarem as devidas opiniões. O Brasil está coalhado de corruptos e traidores. BRASIL ACIMA DE TUDO. SELVA! EDVALDOTAVARES. MÉDICO. BRASÍLIA/DF.

http://opiniaoenoticia.com.br     Nióbio: A riqueza desprezada pelo Brasil