domingo, 9 de agosto de 2015

A HISTÓRIA DA ENERGIA NUCLEAR NO BRASIL


Engenheiro naval pela Escola Politécnica de São Paulo, formado em 1966, Othon  'no centro' é tido como uma referência em estudos sobre o uso de combustíveis nuclear  Foto: Antonio Cruz/ABr / Divulgação
Por  
Profa. Guilhermina Lavos Coimbra*

RESUMO: Apresentada pela Autora* em 2014, ao Plenário da Associação Internacional de Direito Nuclear/AIDN-INLA/International Nuclear Law Association, Palácio das Relações Exteriores da Argentina, Buenos Aires, A HISTÓRIA DA ENERGIA NUCLEAR NO BRASIL, é a síntese das pesquisas e analise de fatos, envolvendo a polêmica sobre usos da energia nuclear no Brasil, a posição da diplomacia brasileira, os problemas da Usina Nuclear de Fukushima, Japão, concluindo que trata-se de uma questão de concorrência comercial internacional desleal em mercado relevante e que, como uma questão comercial,  deve ser resolvida.
Faz parte de uma série de pesquisas apresentadas em diversos plenários dos Congressos Internacionais bi-anualmente promovidos pela AIDN-INLA (Lake Constanz/Alemanha, Bath, Inglaterra, Budapest/Hungria, Portoroz/Slovenia, entre outros) e nas Universidades brasileiras (UFF, UFRRJ, UFRJ, UERJ, FADES). É uma defesa da necessidade de o Brasil não renunciar ao direito de autonomia – assegurado pelas Cartas da ONU e da OEA – de dar destino utilitário aos minérios nucleares, que jazem em seu subsolo. O direito de gerar energia, econômica, segura e limpa, com tecnologia genuinamente brasileira, em benefício de sua população, é direito inalienável. Exatamente como o direito dos demais Membros da ONU.

Face aos últimos acontecimentos, verdadeira repetição histórica, já ocorrida com o petróleo brasileiro, entendemos de interesse, a disponibilização das informações – até e porque, população bem informada é a melhor defesa de Governo inteligente e bem intencionado.

...”Cum finis est licitus, etiam media sunt licita”.Quando ofim é bom, bons também são os meios. (In BUSENBAUM, Hermann, Teólogo Jesuíta, Medulla Theologiae Moralis /Manual de Ética, 1645).
...'' Nas ações de todos os homens (...) os fins é que contam” ...” os meios de que se valer serão sempre julgados honrosos...'' (In MAQUIAVEL,  “O Príncipe”).  
De acordo com Maquiavel, o resultado da ação é o que importa, e não a maneira utilizada para atingir os objetivos. O entendimento é o de que os fins justificam os meios, quando estes meios são utilizados para um bem maior, no qual efetivamente, possam os fins justificar os meios!
Antes da Introdução é bom repetir, o entendimento lógico do Brasil dos brasileiros: os meios utilizados deverão ser sempre apoiados e aplaudidos, todas as vezes que tiver a finalidade de libertar o país das amarras, das “lições de casa”, impostas ao Governo  brasileiro – castradoras do desenvolvimento em potencial, do concorrente comercial e tecnológico Brasil.
O entendimento acima é devido ao fato de que não é de se esperar dos Membros que compõem as instituições do Estado no Brasil, que eles se interessem e conheçam a geopolítica, as táticas e as estratégias de dominação – utilizadas ao redor do mundo, repetitivamente.Também não é de se esperar dos Membros que compõem as instituições do Estado, que eles se interessem e acompanhem passo a passo, os agrados e desagrados, em relação aos acertos da política externa independente do Brasil.

INTRODUÇÃO

A vontade dos cientistas brasileiros, sempre esteve, há mais de noventa anos, voltada para a pragmatização das pesquisas de seus cientistas, dos conhecimentos técnico-científicos de seus profissionais da área e embasados no exercício pleno de sua autonomia, assegurada no Direito Internacional, pelas Cartas da ONU e da OEA.

Nada é mais estratégico na economia de um país do que o seu setor energético – principalmente, energia que gera eletricidade.

Essa certeza foi comprovada, com o racionamento recentemente suportado pela população brasileira, em atendimento aos ditames do Fundo.Monetário Internacional, que por entender como déficit público, o investimento nas estatais brasileiras da área de energia, impediu o país de nelas investir.

É lógico óbvio e notório que, quem detém o poder de gerar, transmitir e distribuir energia – tem o controle do país.

Por essa razão, não há argumentos que justifiquem ou expliquem a privatização de boa parte da geração e toda a distribuição de energia no Brasil.

O setor elétrico brasileiro, até 2000 era um modelo de eficiência,...” era lucrativo, gerava uma tecnologia de transmissão a longa distância, única no mundo”*(* in O Rolo Elétrico”, Márcio Moreira Alves, O Globo, fevereiro, 2003).

Atendia ao mercado com energia barata e limpa, através de um planejamento a longo prazo.   

Do mesmo modo, não há argumentos que justifiquem o Brasil desprezar  nenhuma de suas fontes de energia e muito menos - a originada dos minérios nucleares.

O Brasil tem trabalhado coerente e arduamente há mais de oitenta anos, objetivando desenvolver um programa nuclear, o qual pudesse fornecer à população brasileira uma capacidade ótima de energia independente dos  fenômenos naturais.

Os técnicos brasileiros sempre entenderam as necessidades do país, relativamente à necessidade do país utilizar a energia nuclear para fins pacíficos (geração de energia elétrica, medicina, indústria, agricultura e outros) apesar do potencial hidroelétrico do Brasil.

As razões de tal entendimento justificam-se, primeiro, porque, as fontes hídricas não se distribuem harmoniosas nem eqüitativamente entre os centros consumidores.

Segundo, porque, todos os sistemas vitais para o funcionamento normal das comunidades, necessitam de alternativas, especialmente, aqueles que dependem dos fenômenos naturais.

 O Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, Região Sudeste do Brasil, devem contar necessária e obrigatoriamente, com diversas alternativas para prover o suprimento, através de inter-conexões com outros sistemas vizinhos. Mas, ainda, assim, isto não é suficiente. Deve haver outras opções baseadas nas diferentes fontes de energia.

Se tais opções não estiverem disponíveis, uma estação de seca prolongada acarretará um colapso total generalizado no sistema.

As alternativas convencionais são as seguintes:

·      usinas térmicas, movidas através do carvão, lenha carvão de lenha  ou, a própria lenha.

O carvão é escasso e concentrado na Região Sul do Brasil e, por esta razão, é utilizado para produzir energia naquela parte do país.

A biomassa, da qual o Brasil está repleto, principalmente, na Região Amazônica, deve ser utilizada para fins mais lucrativos, como por exemplo, a produção de madeira;

·      Hidrocarbonetos (petróleo, gás) são escassos no mundo inteiro, e se, os níveis atuais forem mantidos, durarão não mais que esse tempo;

·      É neste ponto, que surge a opção nuclear no Brasil, como uma fonte de geração de energia elétrica, de acordo com os especialaistas da área que consultamos.

Acresce que o Brasil tem um vasto potencial de minérios nucleares (urânio, tório, berilo, nióbio e outros).

As reservas de urânio, em quilocalorias, são setenta vezes superiores ao total das reservas brasileiras de carvão, petróleo e gás natural.

Não existe, portanto, nem uma única razão, que justifique o Brasil retardar os usos da energia nuclear para propósitos pacíficos de conhecimento dos técnicos brasileiros desde antes de 1940 - nem existem razões para o Brasil se permitir não ter o poder dissuasório, como veremos em seguida, quando traçarmos a síntese da história da energia nuclear no Brasil.

I - A HISTÓRIA DA ENERGIA NUCLEAR NO BRASIL

Do começo da Segunda Guerra Mundial até vinte anos, mais ou menos, após o seu término, a vida intelectual e política brasileira foi marcada pela personalidade do Almirante Álvaro Alberto, da Marinha de Guerra do Brasil, uma presença marcante.**

Consciente do potencial de minérios energéticos nucleares do Brasil, não hesitou em procurar o Presidente Getúlio Vargas, alertando-o sobre a necessidade de dar destinação utilitária a esse manancial.

Graças às pesquisas perseverantes e aos alertas do Almirante Álvaro Alberto, atualmente, o Brasil situa-se como um dos maiores produtores do mundo,de urânio, nióbio e outros minerais energéticos,  indispensáveis à infra-estrutura do país.

Membro de diversas instituições científicas, seu trabalho de pesquisa no campo da Química foi fundamental para o desenvolvimento e inovação das técnicas de explosivos.

Ele desenvolveu, patenteou e industrializou diversos produtos, na área civil e militar, largamente utilizados pela indústria da construção e pelo setor de mineração no Brasil.

Entusiástico e persuasivo nacionalista considerava a aplicação da Ciência como uma maneira de promover o desenvolvimento econômico do Brasil.

O Almirante Álvaro Alberto tornou-se notável, quando, em 1946, representou o Brasil no Conselho de Segurança de Energia Atômica da Comissão da Organização das Nações Unidas/ONU, no qual teve por duas vezes assento (1946-1047).

Naquela época (1946-1947) o Almirante Álvaro Alberto, embasado em suas pesquisas e trabalhos realizados desde 1925, iniciou a sua luta para conseguir permissão de acesso do Brasil à tecnologia nuclear.

Posicionando-se contra os que defendiam o controle internacional dos minerais nucleares, através do qual os países possuidores de reservas deveriam obrigatoriamente depositá-los e deixá-los à disposição do comércio internacional a ser efetuado pelos Estados desenvolvidos – e contra os princípios das compensações específicas, através do qual o Brasil deveria comercializá-los em troca da transferência do conhecimento de sua transformação utilitária – ou seja, em troca da famosa “transferência” de tecnologia.

As teses do Almirante Álvaro Alberto – primeiro Presidente do Conselho Nacional de Pesquisas/CNPq – orientaram a política nuclear brasileira.

Após essas breves e mais do que merecidas referências ao mentor da necessidade do Brasil dar destinação utilitária ao seu manancial de minérios nucleares – cronologicamente, podemos sumarizar o interesse pela energia nuclear no Brasil, do seguinte modo:

O interesse, os estudos e a pesquisa dos cientistas brasileiros, comandados pelo Almirante Álvaro Alberto começaram, mais ou menos, em 1925.

Em 1939, o Almirante Álvaro Alberto consegue incluir no curriculum da Escola Naval, o estudo sobre a energia atômica;

Naquela época, na Europa, cientistas de diversas nacionalidades européias, com os quais o Almirante Álvaro Alberto mantinha correspondência, e contatos científicos, entre eles, Fermi, Curie, Einstein e Oppenheimer, também, iniciavam suas pesquisas, na área da energia nuclear.

As pesquisas européias contaram com o apoio de grandes indústrias européias e norte-americanas – e culminaram com a descoberta da energia mais segura, mais limpa, mais econômica e mais poderosa do mundo: a energia nuclear.

Em razão da perseguição do regime europeu vigente na maior parte da Europa (nazismo, fascismo) a maioria dos cientistas judeus, da época, emigraram para os EUA e colocaram os seus conhecimentos científicos, sobre a utilização da energia nuclear, a serviço dos interesses do Governo Norte-americano.

Foi, inclusive, sob o patrocínio do Governo Norte-americano que a bomba atômica foi construída e testada -  na cidade de Hiroxima, Japão, tendo como cobaia, a inocente população civil japonesa, daquela região..

Empolgado, com a potencialidade da nova fonte de energia, cuja diversificada utilidade, viria a gerar, como de fato gerou, riqueza e desenvolvimento para quem dela se utilizasse - o Governos dos países desenvolvidos, a partir dessa descoberta, obcecados pela idéia de monopolizar os usos da tecnologia nuclear e garantir o abastecimento do combustível nuclear, entre os países desenvolvidos carecedores da matéria-prima nuclear – passaram a dificultar o acesso à referida tecnologia e esmerar-se na construção de ideologias e teses mirabolantes, que dessem uma aparência lógica, moral e de direito, a um querer ilógico, imoral e contrário a todas as regras de Direito (consuetudinário, Cartas da ONU, da OEA e Direito da Concorrência da OMC, inclusive).

1942: os cientistas brasileiros concedem a primeira entrevista sobre a energia nuclear à imprensa. O Almirante Álvaro Alberto propõe que todos os meios eficientes ao estudo e pesquisas sobre a nova fonte de energia nuclear devem ser estimulados, devido à sua crucial importância para o futuro da nação;

1946: o Presidente Eurico Gaspar Dutra denuncia o primeiro Acordo de Exportação de Monazita – na realidade, o primeiro Acordo Nuclear do Brasil - por ultrajante e prejudicial aos interesses do Brasil.

No ano de 1947, em Viena, Áustria, o Plano Baruch (proposto por Bernard Baruch, o Chefe da Representação Norte-Americana, na Agência Internacional de Energia Nuclear/AIEA/ONU) tenta controlar as reservas de minerais radioativos, ao redor do mundo, propondo que todos os países com reservas de minerais nucleares devam colocar os seus suprimentos, sob a responsabilidade de organizações internacionais.

O Brasil não concorda e nem poderia concordar com tal proposta;

1950: no Brasil, uma lei ordinária cria o monopólio dos minerais nucleares;

Em 1953, o Congresso Nacional elabora e aprova a Política Nacional de Energia Nuclear.

Neste mesmo ano, conversações com cientistas alemães resultam, na compra de três reatores nucleares alemães, para serem utilizados no enriquecimento de urânio no Brasil, e, na instituição de uma comissão de nacionalidade mista, composta de cientistas e industriais alemães para estudar a possibilidade de se construir uma usina no Brasil, para enriquecer o urânio no país.

Todas as negociações eram sigilosas e quando os três reatores estavam para ser transferidos para o Brasil, foram embargados pela Comissão de Energia Atômica dos EUA.

Em 1954, o Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) define a primeira política energética brasileira e começa a se preocupar com a energia nuclear.

Neste ano a Política Nacional de Energia Nuclear é instituída.

Em 1955, o Presidente Juscelino Kubitschek cria o Ministério das Minas e Energia e subordinada ao MME, cria a Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN.

O governo brasileiro recusa-se a assinar acordos internacionais prejudiciais  aos interesses nacionais.

Neste mesmo ano, o Presidente Juscelino Kubitschek ordena o confisco dos três reatores alemães que haviam sido comprados pelos cientistas brasileiros e cuja remessa para o Brasil, havia sido embargada pela Comissão de Energia Atômica dos EUA.

A Universidade de São Paulo - USP inicia a construção do primeiro reator nuclear brasileiro.

Em 1961, o Presidente Jânio Quadros enfatiza a necessidade e a import6ancia da energia nuclear e inclui o seu desenvolvimento, na sua Agenda e Programa de Governo.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear/CNEN oferece o apoio às instituições brasileiras de pesquisas;

1963 – O Presidente João Goulart anuncia a sua intenção de construir a primeira usina nuclear no Brasil o que resultou na “joint ventures”de três países: Brasil, Canadá, e EUA.

A USP conclui a fabricação do primeiro reator brasileiro, iniciada no Governo Kubitschek.

1964-1968 – A Companhia de Materiais Nucleares do Brasil S/A foi criada com 51% de suas ações, pertencendo à Comissão Nacional de Energia Nuclear/CNEN.

Em 1965, no Governo Castelo Branco, é assinado, em Washington, D.C., o Acordo de Cooperação Nuclear entre o Brasil e os EUA.

Tal política gerou, por força do cumprimento deste Acordo, uma dupla dependência tecnológica: dependência de equipamentos, tais como, e reatores e outros e, dependência de urânio enriquecido.

Angra I, a primeira usina nuclear a instalar-se no Brasil, foi adquirida, na ocasião, em contrato fechado, ou  “turn  key”.

Isto significou a dependência do urânio enriquecido, o qual deveria ser adquirido, permanentemente, no país e devolvido ao fornecedor da tecnologia, depois de ser utilizado e só poderia produzir energia elétrica, para suprir as necessidades dos consumidores da ELETROBRÁS.

A política governamental adotada, em termos de benefícios, para o país, somente, conseguiu promover o treinamento dos operadores de reatores.

Até 1966, dentro do convencionado internacionalmente, nenhum depósito de urânio poderia ser “descoberto”, no Brasil.

Somente em Poços de Caldas, Minas Gerais, a presença de urânio foi detectada e confirmada – mas, os argumentos contra a respectiva exploração, eram todos, no sentido de que, seria muito ... “dispendiosa a exploração”... etc., ou seja: os argumentos  tendenciosos de sempre, objetivando, desinformar a população brasileira, sobre o seu  imenso e inestimável patrimônio de minérios energéticos.

De 1967 a 1969, no Governo do Presidente Costa e Silva foi decidida a construção de mais uma usina nuclear, com planejamento e construção fundamentada nos mesmos termos do que, mais tarde, ficou conhecido como o Acordo Brasil-Alemanha.

O Presidente reconhece, neste ano, a Agência Internacional de Energia Atômica – a AIEA, a agência da ONU, com sede em Viena, para assuntos de energia nuclear.

Em 1969, em Viena, Áustria, o Brasil recusa-se a assinar o Tratado de Não Proliferação Nuclear ( o TNP) por entender, muito acertadamente, enfatize-se, que o TNP é e continua sendo, tratado discriminatório.

Os Estados nuclearmente desenvolvidos, sempre tiveram e continuam tendo, o maior interesse comercial, em pressionar os Estados em desenvolvimento a assinarem o TNP: ou, por não deterem território fértil em minérios nucleares, ou, por deterem o ‘know how” da tecnologia do ciclo do combustível - pretendem e continuam pretendendo, que os  países em desenvolvimento dos quais se trata, continuem, eternamentemeros fornecedores de matéria prima e grandes compradores da tecnologia nuclear, produzida por eles.

Entre os Estados em vias de desenvolvimento que se recusaram e continuam se recusando a assinar o TNP, podemos citar a Índia, a China, o Paquistão, o Irã e a Coréia do Norte.

Em 1970, o Brasil já possuía algumas ótimas instituições de pesquisas, com reconhecida e respeitada  competência.
Este complexo tecnológico-industrial já estava, inclusive, em condições de desenvolver tecnologia de acordo com as necessidades da população brasileira.

Mas, como, o Presidente Emílio Garrastazu Médicis – deu continuidade ao Acordo Brasil-Alemanha-AIEA - não ocorreu, nesta época, nenhuma transferência de tecnologia no âmbito do Acordo e o desenvolvimento da tecnologia nacional limitou-se e foi restrito à participação na construção civil da indústria nuclear brasileira.

Sobre o período de 1974 a 1979, podemos dizer que o Presidente Ernesto Geisel foi o mais dinâmico presidente brasileiro no que concerne à energia nuclear: foi ele quem, assinou o Protocolo de Bonn, contratou com as empresas nucleares alemãs e criou as empresas nucleares brasileiras.

A intenção geral do Protocolo de Bonn era a de desenvolver no Brasil, uma capacidade industrial em todas as áreas de propósitos pacíficos da energia nuclear e ao mesmo tempo, promover a transferência de tecnologia.

A principal diretriz do Protocolo de Bonn  tinha contudo, o claro objetivo de que a importação do urânio brasileiro seria a contribuição do Brasil para suprir a demanda de urânio da Alemanha.

Em 1983, o Brasil aceitou a obrigação de re-programar o seu cronograma de construção das suas usinas nucleares, objetivando ajustá-lo às demandas de interesse do Fundo Monetário Internacional – o FMI.

A Comunidade Científica Brasileira foi, nesta ocasião, deixada de fora do Programa Nuclear Brasileiro oficial.

A NUCLEP uma das empresas nucleares brasileiras criadas pelo presidente Geisel (Companhia Nuclear de Engenharia de Equipamentos Pesados) foi proibida de ter o seu Departamento de Engenharia, foi proibida de ter os seus próprios projetos de engenharia e foi proibida de comerciá-los.

1984-1986: Os cientistas, engenheiros, técnicos brasileiros, de diversificadas áreas da energia nuclear, apoiados pela Marinha Brasileira continuaram, então, as pesquisas, que vieram a resultar no completo domínio da tecnologia nuclear, ou seja, no domínio completo do ciclo do combustível nuclear.

O domínio completo do ciclo do combustível significa saber dar destino útil aos minerais nucleares que jazem no subsolo brasileiro.

Com essa técnica dominada, a energia nuclear poderia e deveria ter sido utilizada pacificamente para inumeráveis atividades, ligadas à infra-estrutura do país, na Engenharia (para gerar energia elétrica barata de norte a sul deste país continente; para abrir túneis etc.; na Medicina, para a o diagnóstico e cura de pacientes, através da cintigrafia (imprescindível nas lesões malignas e benignas etc.); nos transportes, para impulsionar veículos de grande porte: navios, aeronaves; na lavoura, para conservar alimentos pós-safra, etc..

Em 1987, o Brasil conseguiu desenvolver tecnologia nuclear genuinamente brasileira, desenvolvida pelos pesquisadores da Marinha do Brasil.

O Presidente José Sarney afoito e precipitadamente, fez o anúncio oficial de que o os cientistas e os técnicos brasileiros estavam inteiramente aptos a desenvolver a tecnologia nuclear – o mais importante fator de independência econômica para o desenvolvimento do país, no campo da energia. Os brasileiros esclarecidos, acompanhando as marchas e contra marchas do Programa Nuclear Brasileiro ficaram apreensivos, com a precipitação do anunciado pelo então Presidente.

A reação não se fez esperar. Neste mesmo ano, ocorreu aquilo que ficou conhecido como “o acidente nuclear de Goiânia”.

Na realidade, o que ocorreu não foi um acidente nuclear. Foi “um incidente nuclear”, ou, uma verdadeira, “sabotagem nuclear, em Goiânia”, como veremos a seguir.

Existia um Centro de Radiologia, em Goiânia, que tinha um contrato com a Santa Casa de Goiás, a proprietária do imóvel onde estava instalada a fonte de Césio-137. O Césio-137 é utilizado para curar tumores malignos, que necessitam de radioterapia profunda.

A Santa Casa de Goiás vendeu o imóvel para o IPASGO (Instituto de Previdência Social de Goiás). O Centro de Radiologia teve que desocupar o imóvel, e, quando quis transferir a fonte de Césio-137, para os novas instalações – foi impedido por ordem judicial , vez que, o novo proprietário do imóvel entendia que o aparelho lhe pertencia (a bomba de Césio-137, instalada no referido imóvel).
Os responsáveis pelo Centro Radiológico chegaram até a levar guindaste (porque, o componente é muito pesado) para removê-lo, mas foram impedidos pela ordem judicial, a pedido do IPASGO.

Antes do acidente, houve, portanto, um incidente jurídico, envolvendo o IPASGO e o Centro de Radiologia e isso está documentado, inclusive, na comunicação da ocorrência que o Centro de Radiologia fez à CNEN.

Consta, também, que quem retirou o aparelho que dentro continha 19 gramas de Césio-137 e mais de 200 quilos de chumbo recobrindo o material radioativo – foi um paciente habitual da psiquiatria do IPASGO.

Estranhíssimo, estarrecedor. Inocentes sacrificados, em uma tragédia explicável, apenas, como uma vergonhosa sabotagem comercial nuclear cujo objetivo, óbvio, era o de mostrar à população brasileira, desinformada, que se os técnicos brasileiros eram irresponsáveis para lidar com uma bomba de Césio-137, muito mais irresponsáveis seriam se lidassem, comercialmente, com a energia nuclear.  (Os fatos narrados constam de um dos debates, no Proceedings do Congresso Internacional de Energia Nuclear, promovido pela International Nuclear Law Association, em 1985, no Auditório do Kindaren - Confederação das Indústrias Japonesas, Tókio, Japão).

Em 1988, a Constituição da República Federativa do Brasil monopoliza, no artigo 177, caput, inciso V, $ 2o. inciso III e $ 3- a pesquisa, a lavra, o enriquecimento,o re-processamento, a industrialização e o comércio dos minérios e minerais nucleares e seus derivados.

Do entendimento da Lei Maior brasileira, depreende-se que, a União não poderá contratar com empresas privadas, a realização de nenhuma dessas atividades previstas no inciso V, do artigo 177.

Entre 1989-1992, o Brasil foi forçado a assinar diversos acordos e tratados internacionais, concernentes aos usos da energia nuclear.

Entre eles, o Acordo de Salvaguardas Brasil-Alemanha-AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) foi considerado muito prejudicial aos interesses brasileiros, refletindo uma verdadeira mentalidade colonialista.

Mas, quanto ao pior de todos, o TNP (Tratado de Não-Proliferação Nuclear) apesar de todas as inúmeras e poderosas pressões externas sofridas durante anos, ou seja, desde 1967 – os Presidentes brasileiros, durante anos, sempre foram firmes, recusando-se a assiná-lo, por entenderem tal Tratado, discriminatório e injusto.

Nem mesmo o Presidente Fernando Collor de Mello (o primeiro Presidente latino americano, a sofrer um “impeachment”) teve a coragem de tramar contra os interesses públicos brasileiros, assinando o Tratado de Não-Proliferação – um documento internacional notoriamente conhecido como um tratado de não-proliferação de concorrentes comerciais/TNPC, na área da energia nuclear. 

 Como as pressões no sentido de obrigar o Brasil a aderir ao TNP, sempre, foram persistentes - existem fortes razões para crer que, um outro forte motivo, do “impeachment” do Presidente Collor foi, também, a impossibilidade das forças contrárias aos interesses brasileiros na área nuclear, conseguir que o Brasil assinasse o TNP, durante o seu Governo – haja vista que, mesmo se viesse a sucumbir às pressões e assinasse o TNP, o Presidente Collor não tinha a maioria necessária, no Congresso Nacional, para referendar o referido Tratado.

Em 1993, o Presidente Itamar Franco, também, resiste e recusa-se a assinar o TNP, Tratado de Não Proliferação Nuclear, segundo os interessados em pressionar a adesão, ou, Tratado de Não Proliferação de Concorrentes Comerciais na Área dos Usos Pacíficos da Energia Nuclear, como, é conhecido pelos Estado-partes, vítimas das referidas pressões.

Em 1994, o Brasil abre a sua economia.
E o Presidente Fernando Henrique Cardoso assina o Tratado de Não Proliferação – TNP –.

O Congresso Nacional referenda e o Presidente ratifica o TNP (O Tratado da Não Proliferação de Concorrentes Comerciais, na Area dos Usos Pacíficos da Energia Nuclear) paralisando, desse modo, o desenvolvimento da tecnologia genuinamente brasileira, contrariando os esforços brasileiros, efetuados durante mais de cinqüenta anos, na área do desenvolvimento da energia nuclear, no Brasil.

De 1995 a 2001, as Indústrias Nucleares Brasileiras -INB- assina um contrato com a empresa alemã Siemens Kraftwerk para suprir de 120 toneladas de urânio,as usinas alemãs, a ser exportado para a Alemanha...”em um negócio total de US$ 36 milhões de dólares”.

Nessa época, Angra I e Angra II/INB tinham capacidade para produzir e suprir 120 toneladas anuais de urânio. Para a fase inicial de Angra II era necessária um carregamento de mais do que 130 toneladas de tabletes de urânio”..., isto é, de combustível nuclear importado e custeado pelos contribuintes brasileiros.

A esperança da INB era “...estar apta a enriquecer o urânio em 2002 o que significaria uma economia de US$ 760 milhões em serviços de re-cargas de Angra i e II, durante as suas vidas úteis”...

A produção de energia elétrica nuclear, no Brasil é de 2,6 %.

As seções de Economia dos jornais noticiavam:

...”a expansão econômica do Estado do Rio de Janeiro, trouxe novos investidores estrangeiros. A empresa Internacional Norte-Americana El Paso de Energia elegera o Rio de Janeiro como a principal cidade brasileira consumidora de energia. A idéia era fazer negócios com a América do Sul...”

...” a empresa Espanhola de Transmissão e Expansão de Energia Elétrica  pretende investir US$ 150 milhões de dólares no estado de Goiás, na construção e transmissão de 575 quilômetros de linhas. A presença no Estado de diversas indústrias químicas, de automóveis, de aço, e de petróleo é essencial para atrair empresas de energia....”

...”A tendência é ter usinas construídas o mais próximo possível dos centros consumidores...”...para prevenir o racionamento o objetivo do Governo brasileiro é o aumento da capacidade de geração de energia”...

O Governo brasileiro sabe que, para evitar o racionamento de energia elétrica a melhor alternativa é construir a usina nuclear Angra III, em Angra dos Reis, a qual já está comprada e totalmente paga”...

...”Angra I, II e III juntas podem abastecer 50 % de toda a energia elétrica consumida no Rio de Janeiro, e outras noticias de igual teor.

Na EXPOCNUC (exposição de produtos nucleares, realizada no Rio de Janeiro) a empresa Indústrias Nucleares Brasileiras apresenta a técnica de ultracentrifugação utilizado no enriquecimento do urânio, classificando o Brasil como um dos poucos países do mundo a possuir, operar e comercializar essa tecnologia.

Em 2002, após a eleição do Presidente Luis Inácio Lula da Silva, cientistas, até, então, omissos, ou neutros, ou, ferrenhos opositores do Programa Nuclear Brasileiro e dos interesses brasileiros na utilização da energia nuclear no Brasil - declaram-se a favor de sua utilização e da possibilidade do Brasil vir a construir Angra III, explicando que ...” já foram gastos mais de US$ 700 milhões de dólares na compra de parte dos equipamentos da unidade...” e que ...”será necessário mais de US$ 1,8 bilhão de dólares, para a construção de AngraIII.”

A Ministra das Minas e Energia, do Governo Lula, exalta a necessidade de regras mais claras para o setor energético do país.

Apavorados, com a possibilidade de perderem o cliente cativo-Brasil, matérias pagas, manchetes, nos jornais, passam a enfatizar ...”a polêmica decisão que o Governo Lula terá que tomar, na área nuclear, no sentido de dar continuidade ou paralisar o PNB”.

Notícias tendenciosas, sofismáticas e mentirosas, tentam desinformar a população brasileira, através da exaltação: da energia elétrica a partir dos combustíveis fósseis (gás natural, carvão); da energia eólica; da energia solar; e da desativação das usinas nucleares nos Estados desenvolvidos.

Omitem, escandalosamente, que a energia nuclear é utilizada em grande escala em todos os países desenvolvidos do mundo. O comércio e a indústria originada nos minérios nucleares está em franca expansão e desde 1986 é considerado o comércio do Século.

Silenciam sobre o TNP, o tratado que deu às indústrias nucleares dos países desenvolvidos, a tranqüilidade necessária para que possam produzir cada vez mais, desenvolvimento para os países de onde são nacionais –sem nenhuma concorrência comercial.

Deixam de informar que o gerenciamento dos rejeitos radioativos não é mais problema para a indústria nuclear. Existem soluções seguras para o tratamento dos efluentes, que são: o reaproveitamento do urânio e do plutônio em circuito fechado e o repositório geológico, que já são utilizados na Finlândia, EUA e Suécia.

São raras a informações verdadeiras que mencionam, por exemplo, o fato de que, na França, que possui quase 90 usinas nucleares em funcionamento a pleno vapor, no seu exíguo território –...” o re-processamento já conseguiu reduzir em quatro vezes o volume total dos afluentes tóxicos da indústria nuclear “. (Pascoal Colombani/CEA, Jornal do Brasil, setembro/2002).

Poucos são os que publicam informações esclarecedoras, oriundas de especialistas mundialmente reconhecidos, explicando que: “... as usinas nucleares têm a seu favor o fato de que o custo ambiental está internalizado no custo da operação, enquanto, o mesmo não ocorre, com as usinas que utilizam combustíveis fósseis, que deixam a conta para as futuras gerações. (Gerald Grandey, “chairman” da World Nuclear Agency/Jornal do Brasil, setembro, 2002).

A verdade é que será um contra-senso do Governo Brasileiro não tirar vantagens e lucro da intelig6encia dos técnicos brasileiros, apoiando-os no desenvolvimento dos usos pacíficos da energia nuclear em todas as áreas nas quais pode e deve ser utilizada, em benefício da população do Brasil

Em 2003, no início de seu governo - o Presidente Luis Inácio Lula da Silva, bem informado, a respeito dos encargos e compromissos gravosos ao patrimônio nacional – assumidos pelo país, a partir da assinatura do TNP – declara a intenção de rever os termos do tratado ou denunciá-lo.

Também,no início de 2003, declarações do Ministro da Ciência e Tecnologia motivaram um sem número de pressões externas, contra o Governo brasileiro, todas, no sentido de obrigá-lo a não tentar utilizar a energia nuclear.

As pressões embasam-se, sempre, em argumentos fundados na ideologia do desarmamento:
-        pouco inteligente (porque, não percebem que tais argumentos são  inaceitáveis por inteligência mediana);
-        repetitivos (porque, colonialmente, insistem em utilizar em pleno Século XXI, argumentos que utilizavam para atravancar do Século IX, tais como a necessidade de tutelar o desenvolvimento das colônias);
-        ilógicos (porque não existe lógica que impeça o Brasil de se auto-infraestruturar, utilizando, tecnologia genuinamente brasileira para dar destino útil aos minerais que abundam em seu subsolo);
-        e imorais ( porque, o que desejam é alijar o concorrente Brasil, em um verdadeiro acinte, às regras da concorrência internacional).

Já que os Estados desenvolvidos estão todos super-nuclearmente armados – inclusive Israel - e já que o tema, desse “paper” é a História do Direito da Energia Nuclear no Brasil - um país em desenvolvimento- penso que são pertinentes, as seguintes observações relacionadas às referidas pressões:

-        não pressionaram o Paquistão, Israel, a Índia, a China, a Coréia do Norte, também, países em desenvolvimento, nem a se desarmarem, vez que todos eles possuem a bomba atômica, nem a deixarem de utilizar a tecnologia do ciclo completo do combustível nuclear, vez que a tecnologia nuclear, objeto das referidas pressões é a mesma tecnologia da bomba atômica.

1.1 – O ad referendum do Congresso Nacional ao Tratado de Não Proliferação e a Constituição/1988.

O Brasil é detentor de uma das maiores reservas e já tem a tecnologia, genuinamente brasileira, para enriquecer o urânio, desenvolvida pela Marinha do Brasil e as Universidades Federais brasileiras (tecnologia, diga-se, a bem da verdade, que, segundo os físicos e especialistas, é considerada segredo de Polichinelo, porque, qualquer físico de inteligência média pode desenvolvê-la).

Logo, a proliferação é apenas vontade política de aceitar ou, não os termos do TNP, extremamente nocivo aos interesses do Brasil.

Convém não esquecer que o referido TNP é conhecido como o Tratado de Não Proliferação de Concorrentes no Mercado da Energia Nuclear.

O Tratado de Não Proliferação é conhecido, pelos Estados-parte vítimas das pressões para que seja assinado, como o Tratado de Não Proliferação de Concorrentes na área do comércio dos minérios e da tecnologia nuclear.

O TNP sempre foi considerado, desde 1969, quando foi elaborado em Viena, como um tratado discriminatório. É discriminatório, porque:

- impede a proliferação do desenvolvimento da energia nuclear horizontalmente (entre os países em desenvolvimento, que detém potencial minerário nuclear, e entre os países em desenvolvimento, que mesmo não detendo tal potencial, têm, na energia nuclear, a opção econômica para desenvolverem-se, através dos usos pacíficos da energia nuclear);

- não impede a proliferação vertical (entre os países desenvolvidos  nuclearmente, os quais poderiam e podem, segundo o TNP, continuar desenvolvendo livremente as suas pesquisas na área nuclear, aperfeiçoando as armas nucleares, experimentando os respectivos poderes bélicos nucleares, explodindo as bombas atômicas, de acordo com suas conveniências).


No entanto, o Congresso Nacional aprovou a assinatura do referido Tratado (no exercício de sua competência exclusiva, conforme o artigo 49, caput, inciso I da Constituição do Brasil/88).

Devido aos terríveis encargos e aos compromissos gravosos ao patrimônio nacional - acarretados pelo referido Tratado - assumidos pelo Brasil, através do Governo brasileiro de então – brasileiros estudiosos e pesquisadores da utilização da energia nuclear no Brasil (cientistas, geólogos, físicos, químicos, pesquisadores, engenheiros, médicos, juristas e outros, entre eles empresários, interessados não somente na energia elétrica barata oriunda da energia nuclear, mas, principalmente, nas inumeráveis possibilidades de ganhos, através da utilização pacífica da energia nuclear) – pasmos, com aprovação do TNP pelo Congresso Nacional, questionam a ignorância (na melhor das hipóteses) dos que referendaram o Tratado de Não Proliferação, face ao entendimento do que dispõe expressa e claramente, o artigo 49, inciso I da CRFB/88.

Diz o artigo 49, caput, inciso I, in limine:

..............................................................................................................................
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
I – resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais, que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;
..............................................................................................................................

Podemos dizer, relativamente, à aprovação do Congresso Nacional, ao TNP, que a competência exclusiva, outorgada pelo artigo 49, inciso I da CRFB/88 – foi utilizada para aprovar tratado que acarreta encargos e compromissos, extremamente gravosos ao patrimônio nacional tratado porque:

-        nada mais oneroso ao patrimônio nacional do que transformar o país em eterno cliente  comprador de dispendiosa e desnecessária tecnologia nuclear, a mercê dos preços e interesses do mercado internacional da energia nuclear;

-        inexiste pior encargo ou maior compromisso gravoso ao patrimônio nacional, do que aquele que obriga o Brasil a paralisar a inteligência de seus técnicos dentro de seu território;
-        nada mais oneroso para o patrimônio nacional do que se comprometer em fornecer a preço vil, matéria-prima preciosa in natura, para abastecer as usinas nucleares dos países desenvolvidos - sem antes garantir o abastecimento das futuras usinas nucleares do país, que por ser continente, delas, haverá de necessitar;

-        é um terrível compromisso gravoso ao patrimônio nacional, assumir que o país não irá utilizar a tecnologia genuinamente brasileira para beneficiar e transformar em combustível os minérios nucleares de seu subsolo;

-        entre tantos compromissos gravosos e encargos onerosos impostos pelo TNP – estão, também, os compromissos humilhantes que obrigam o Brasil a se submeter à espionagem comercial internacional – na contagem, re-contagem e devolução das pastilhas de urânio beneficiadas, de modo a não serem utilizadas na geração de desenvolvimento para o país.

É o mínimo que se pode dizer, sobre a assinatura e aprovação, pelo Congresso Nacional, do Tratado do qual se trata.

1.2 – A Denúncia de Tratado Internacional

A doutrina e a prática do Direito Internacional Público mostra que é possível, não é traumatizante, não é considerado agravo, nem delito internacional – a denúncia de tratado internacional:
:
-        denúncia de tratado internacional não configura nenhuma afronta nem nenhum agravo, ao Estado-parte do tratado denunciado;
-        não é delito internacional;
-         não é desobediência a nehuma regra de Direito Internacional (Cartas da ONU e da OEA)
-        é aceita e prevista pelo Direito Internacional Público.
-        a Convenção de Viena, de 1969, que trata do Direito dos Tratados, prevê, no artigo 62, alínea “b” a possibilidade da denúncia fundamentada no princípio de direito internacionalmente aceito, segundo o qual, os pactos têm que ser cumpridos desde que permaneçam iguais as condições sob as quais eles foram pactuados: pacta sunt servanda rebus sic stantibus;
-        não vigora mais o princípio da força obrigatória dos tratados, segundo o qual, haveria a obrigatoriedade de seu cumprimento pelos Estados-partes: o tratado seria lei entre as partes;
-        idem, relativamente, ao princípio da intangibilidade, segundo o qual, seria vedada qualquer alteração não consensual do conteúdo do tratado;
-        os tratados se baseiam em equilíbrio das prestações devidas e na previsão de perdas e ganhos de cada signatário;
-        quando perdas excessivas, para um dos signatários, concomitantes, com ganhos imensuráveis, para a outra parte, ultrapassam esta margem de previsão de prejuízo e lucro  - surge a cláusula rebus sic stantibus, permitindo, através, dela, a denúncia do tratado em razão da onerosidade excessiva, que sobreveio após a assinatura do tratado;
-        a cláusula rebus sic stantibus é pois, a exceção aos princípio, da força obrigatória e da intangibilidade dos tratados.

Historicamente, como na Idade Média era ínsita a noção de ética, a cláusula rebus sic stantibus consistia em presumir cláusula que não se lia, expressamente, mas que figurava implícita, no sentido de que, o cumprimento rigoroso do acordado estava adstrito ao pressuposto que circunstâncias ambientes se conservem inalteradas no momento da execução idênticas às que vigoravam no momento da celebração.(Caio Mário da Silva Pereira/Instituição de Direito Civil, vol.III, 4a. ed., 1995, ed. Forense, Rio de Janeiro/RJ)

A referida cláusula que surgiu no Direito Medieval e, foi abandonada pelo Direito Romano, voltou a ser adotada, com força total, após a primeira Guerra Mundial, por causa do desequilíbrio geral da economia mundial.

Modernamente, a rebus sic stantibus que é a exceção à pacta sunt servanda, é aceita pelo Direito Civil e Comercial (presente no o Direito Interno, italiano, alemão, francês, brasileiro, e outros) – e é aceita, sem traumas, pelo Direito Internacional, pois, está positivada na Convenção de Viena/69, art. 62, “b”, citada acima.

No que se refere ao TNP, salta aos olhos que, a cláusula pacta sunt servanda é aspecto de direito que não pode se sobrepor aos interesses do Brasil, relativamente, ao seu desenvolvimento econômico tecnológico.

A situação energética do Brasil, face ao recente racionamento, obriga o país a investir em todas as fontes de energia, principalmente a nuclear (por ser a mais econômica, a mais segura, o Brasil já ter a tecnologia da transformação de seu potencial minerário nuclear). 

Diga-se, que tal tecnologia, sempre foi segredo de Polichinelo, porque é de domínio público dos cientistas, ao redor do mundo e somente não é utilizada, porque, os demais países não possuem as minas de minérios nucleares que uns poucos possuem, entre os maiores possuidores, o Brasil.

As empresas estrangeiras que se instalam no Brasil vão necessitar cada vez mais de energia e o país, carente, não pode ser obrigado a pagar caro, por uma tecnologia que ele detém e que, por ser, genuinamente, brasileira é a mais econômica..

As empresas internacionais estrangeiras, estabelecidas no Brasil, e que dele retiram os seus maiores lucros, têm o maior interesse em ver o país estabilizado, infra-estruturado e seguro - porque, é da estabilidade, da infra-estrutura e da segurança do Brasil - que depende a certeza de que vão continuar retirando do Brasil, os seus maiores ganhos.

O Brasil é um dos maiores detentores de minérios nucleares (entre eles se encontra a África do Sul). O Brasil já detém, há mais de 30 anos a tecnologia genuinamente brasileira de transformação desses minérios em combustível (o do Século!).

É insano, sequer imaginar, obrigar as empresas internacionais - estabelecidas e por se estabelecerem no Brasil - a se sujeitarem às intempéries e aos royalties encarecedores dos preços da energia nuclear, cobrados pelas empresas da área de energia, que, através de seus respectivos governos, alijaram o Brasil da concorrência na área da energia nuclear.

Ademais, o TNP é uma violação às regras do direito da concorrência, internacionalmente aceitas e aplicadas pela Organização Mundial de Comércio/OMC: a energia nuclear é um bem comerciável como outro qualquer.

Para continuar desenvolvendo o a energia nuclear no Brasil ou o Brasil denuncia o TNP C ou o Brasil ignora o TNP C.

1.3 - Os Termos do Tratado EURATOM-EUA: Opção para o Desenvolvimento da Energia Nuclear no Brasil.

O Protocolo de Kioto/1989 atestou: energia nuclear é a mais econômica, a menos poluente e a mais segura.

Esta pressão exercida sobre o Brasil não correu sobre os Estados europeus,  quando da assinatura e termos principais, do Tratado EURATOM-EUA.

A Europa, e a sua máxima desconfiança européia, com marchas e contra-marchas,  antecedentes à assinatura e ratificação do tratado de cooperação nuclear, com os EUA, (EURATOM-EUA), inseriu cláusulas bastante cuidadosas e preventivas dos interesses europeus, podendo e devendo ser. paradigma para o Brasil (basta ler as tratativas, preliminares, a exposição de motivos, para se verificar o conflito de interesses e entender as razões européias).
 
Em termos de soberania e autodeterminação, a Europa unida não tergiversa, é exemplo de como fazer.

Copiar o que está dando certo não é desdouro algum.

O Tratado, em questão, por conter cláusulas muito interessantes, merece ser bem traduzido e estudado, com vistas à sua adaptação para a conciliação de interesses dos Estados-partes contratantes.

Bastante interessante seria, se os Mestrandos, Doutorandos, a diplomacia brasileiros, juntamente, com os especialistas do setor energético do Brasil estudassem o referido tratado de cooperação nuclear (EURATOM-EUA).

O poder de barganha do Brasil, em diversificados setores da economia e face ao seu mercado consumidor, com todo o respeito - nada fica a dever aos interesses dos europeus, da União Européia e do EURATOM.

O direito de se auto-determinar é reconhecido pelas Cartas da ONU e da OEA (e tem que valer para todos os seus Estados-Membros, entre eles, os Estados em adiantado estado de desenvolvimento) cujos representantes estão lá, para defende-lo e fazê-lo respeitado.

Inadmissível, a luz da razão e do direito, aceitar que sejam, sistematicamente, votos vencidos, nas questões mais importantes, tais como, a do direito dos Estados em adiantado estado de desenvolvimento, se auto-infraestuturarem.

Inadmissível contribuir e aceitar que tais Organizações se transformem em meras homologadoras de decisões prejudiciais à uma parcela considerável de  seus Estados-membros: não foram criadas para se transformarem em organizações de nações desunidas - sob pena dos contribuintes de fato de todo o dispendioso investimento  (originado nos Estados em adiantado estado de desenvolvimento) exigir a retirada de seus representantes.

Finalizando, a síntese da história da energia nuclear no Brasil, podemos dizer que, a partir de 2003, até a data, as coisas não mudaram muito: marchas e contra-marchas no andamento do PNB, com a inserção dos seguintes fatos:

-as pressões contra o Irã, com a mediação diplomática do Brasil;
-a tragédia do Japão e as “conseqüências” sobre a usina de Fukushima: a propaganda enganosa.


(Continuamos na próxima comunicação).

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A doação fraudulenta da Vale do Rio Doce

REALIZADA POR FHC, OBEDECENDO OS ACORDOS FIRMADOS ENTRE  O PACTO DE PRINCTON E O DIRETÓRIO INTERNACIONAL, SE NÃO BASTASSE A LEI KANDIR DESDE 1996 ISENTANDO DE ICM AS EXPORTAÇÕES, E BENEFICIANDO AS GOVERNANÇAS PELOS ROYALTIES E COMISSÕES CORRUPTAS INDIVIDUAIS, HOJE ANUNCIAM À FALÊNCIA DO BRASIL PELA OMISSÃO, INGERÊNCIA, ENTREGUISMO, DESTES NÃO PATRIOTAS!


A venda feagaciana da Vale do Rio Doce, o maior patrimônio mineral do planeta, envolvendo solo, subsolo, água, portos, ferrovias e florestas, abrangendo nove estados do país. Falar em preço aí é pura ignomínia. É como vender sua própria mãe, todavia a mãe não é uma commodity, a mãe não tem preço, a não ser para os executivos da mineradora Billington e do Bank of America, Gencor e Anglo-American.
A venda da Vale do Rio Doce foi o suicídio da nação brasileira. Esse entreguismo (“crime inominável”) anulou as possibilidades do desenvolvimento atual e futuro da Amazônia.

A CVRD detinha 99,99 % do controle acionário da DOCEGEO, todo esse imenso acervo em CONHECIMENTOS TÉCNICOS cujo valor real seria de fato INCALCULÁVEL por se referir a ocorrências minerais ainda "em ser" e que, portanto, de fato não pertenciam na data do Leilão legitimamente à CVRD e sim à União, por exigência do Art. 20, IX da CF, foi TODO ele integralmente transferido para a VALEPAR que "comprou" (e por preço vil) a maioria das ações ordinárias que foram colocadas à venda já no 1º Leilão. 

Assim, com o obstinado empenho pessoal do Presidente FHC, subtraiu-se do Estado Brasileiro algo que não se poderia vender por preço nenhum - os SEGREDOS MINERALÓGICOS DA DOCEGEO com ênfase sobre as riquezas do subsolo da Amazônia. Hoje esses segredos são da VALEPAR, e não pertencem mais ao Estado Brasileiro. PERTENCE AOS ANGLO-AMERICANOS, À MAÇONARIA QUE DESDE 1822 VEM USURPANDO O BRASIL.

sábado, 25 de julho de 2015

Terras indígenas no Brasil nióbio, urânio, ouro,... confusão entre órgãos estatais, CIMI vinculada a CNBB

Considerações:
01) “As orientações não tem sido seguidas e a toda hora o tema se renova” orientações têm sido desconsideradas nos processos de demarcação de terras indígenas no Brasil porque o governo está “embaraçado pelas pressões de vários grupos”. “Há confusão entre os órgãos estatais". O Incra coloca os colonos e os titula. "Vem a Funai e diz que é terra indígena”, “Tem  que  se encerrar o capitulo das demarcações".  O próprio direito de propriedade como tal precisa ser afirmado.  A constituição consagra a função social da propriedade, mas esse direito não é menor do que outros que já estão consagrados.  "A propriedade tem que ser bem utilizada”, O processo de homologação de terras quilombolas no Brasil, têm sido feitos segundo premissas semelhantes às da questão indígena,  não é a forma correta. “Grandes tratos de terras foram colocados nesse modelo gerando inúmeras demandas e tensões”. O governo não avalia as regras para a compra de terras por estrangeiros e as discussões a respeito de divisas de estados.

Deve haver mais participação do setor do agronegócio nas discussões relacionadas  a demarcação de terras e ao judiciário brasileiro.

02) Vejam no mapa abaixo, a maior reserva indígena no AM homologada por Dilma em abril/15 fica na divisa com a Colômbia (Farc) e Venezuela (Maduro), a reserva cercará a região dos Seis Lagos em S.Gabriel da Cachoeira observem no topo do mapa abaixo, acima de Japurá (como demarcada),  a cabeça do cachorro é ali, rica em nióbio, urânio, ouro, esmeraldas, terras raras,... as maiores jazidas do mundo, para quem? quem está no controle?
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EM RESPOSTA AOS CONFLITOS EM MATO GROSSO DO SUL, 
José Eduardo Cardozo (ministro da justiça do PT) afirmou aos integrantes da Comissão de Agricultura que a judicialização do conflito tende a atrasar ainda mais a busca por soluções 
"A judicialização é um direito, mas arrastará qualquer solução", afirmou.
A área foi demarcada e homologada no MS pelo governo Lula da Silva como terra indígena, mas em 2005 o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu uma liminar cassando a decisão do governo. Nas últimas semanas os Guaraní Kaiowá, liderados por Vilhaça, decidiram invadir as terras. Os fazendeiros da região reagiram tentando expulsar os indígenas. José Eduardo Cardozo reforçou que a Polícia Federal já está instruída a coibir qualquer ato de incitação à violência. Cardozo não mencionou  ou condenou que junto aos índios expulsando os agricultores em MS está o MST para incitar a violência, invasões, destruição, vandalismo.
FAÇO LEMBRAR, QUE DILMA ROUSSEFF NÃO RETIFICOU ATÉ 24/07/2015 A OIT/169 RATIFICADA POR LULA E CELSO AMORIM EM 2007, DANDO O DIREITO A ONU DE FUTURAMENTE DIVIDIR A AMAZÔNIA EM 216 ESTADOS!    "A ONU?"
ENQUANTO ISSO, 
Art.1o Este Decreto regulamenta a Lei nº 13.103, de 2 de março de 2015, que dispõe sobre o exercício da profissão de motorista.
NO  ENTANTO,
O DECRETO No - 8.433, DE 16 DE ABRIL DE 2015
Não conseguimos localizar na internet  sua publicação na íntegra no Diário Oficial da União, como homologação das terras indígenas, para analisar todo o seu conteúdo!!, esse governo comandado pelo inconstitucional Fôro de SP omite mesmo suas façanhas, engana o povo brasileiro de todas as formas.
INFORMAÇÕES EM ALGUNS SITES DO AMAZONAS:
A presidente Dilma Rousseff, homologa três terras indígenas na Região Norte do país. A demarcação de 232.544 hectares atende a quatro etnias nos estados do Amazonas e do Pará.
Vejam no vídeo abaixo o  entreguista CIMI falando que falta homologar as terras no 
Estado de Mato Grosso do Sul!!! Querem mais terra para índios? cadê os índios?
FUNAI e CIMI incentivam surge as "FARC" brasileira [1]
Veja o que fala o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto em entrevista  dizendo que o Ministério da Cultura vai investir em internet nas reservas!! 
Internet!  ou escola, hospitais, moradias... [2]
Segundo o decreto, a posse permanente da terra é destinada ao grupo indígena kaixana. A primeira área demarcada inicia na margem direita do Rio Mapari fechando o perímetro no lago Mapari. A nova terra indígena demarcada tem perímetro de 353.150.86 metros e a área com 157.246 hectares, 22 ares e 70 centiares.
Habitada por índios kaixana, a Terra Indígena Mapari, no Amazonas,  fica na região do Alto Solimões  é a maior das três novas reservas, está localizada nos municípios de Fonte Boa, Japurá e Tonantins.
Os Kaixana que vivem na Terra Indígena Mapari habitam tradicionalmente a microbacia do rio de águas pretas denominado Mapari, que constitui-se uma região frágil e limitada do ponto de vista ecológico. 
Vejam no mapa abaixo, a maior reserva indígena  homologada por Dilma em abril/15 fica na divisa com a Colômbia (Farc) e Venezuela (Maduro), a reserva cercará a região dos Seis Lagos em S.Gabriel da Cachoeira observem no topo do mapa abaixo,  acima de Japurá,  a cabeça do cachorro é ali, rica em nióbio, urânio, ouro, esmeraldas, terras raras,... as maiores jazidas do mundo, para quem? quem está no controle?
Ruralista acusa MST de ter aulas de guerrilha com as FARC em São Gabriel AM [3]

O governo também reconheceu oficialmente a demarcação da terra indígena denominada Setemã, que fica situada nas cidades amazonenses de Borba e Novo Aripuanã, ambas localizadas no Sul do Amazonas, fronteira com a Bolívia!. De acordo com o decreto, a demarcação administrativa foi promovida pela Fundação Nacional do Índio (Funai). A posse permanente da terra Setemã ficará com a etnia indígena Mura.
A terra indígena Setemã demarcada inicia na confluência do Rio Madeira com o Igarapé do Jacaré. O perímetro da área indígena termina no encontro do Igarapé Marajá até a margem direita do Rio Madeira. Ao todo, são 142.359.29 metros, área com 49.772.00 hectares, 95 ares e 58 centiares.
  • Fica apenas a questão, quando produzirão algo, já que possuem 13% do território nacional(fronteiras que NÃO ajudaram a estabelecer, antes que alguém diga que as terras são deles), alugam suas terras para estrangeiros, cometem infanticídio onde mídia, governo e sociedade se calam, sugiro que olhem o estado de abandono da Raposa do Sol.
Já no Pará, foi homologada a terra indígena Arara da Volta Grande do Xingu. Com 25,5 mil hectares, ela é habitada por povos arara e juruna e está localizada no município de Senador José Porfírio. Ela faz parte dos procedimentos de licenciamento da Usina de Belo Monte.
  • o motivo é que parte dos territórios ocupados atualmente pelos índios será alagada com a ativação da usina. “Nós, índios, não esquecemos onde é nosso lugar tradicional. Os índios não vão esquecer aquilo ali. Eles podem mudar para onde vai ser homologada, mas um dia ele vai querer voltar pra lá, onde tem parentes enterrados. A gente nunca esquece”, afirmou o cacique.
Enquanto isso, o RS - Rio Grande do Sul de Tarso Genro proíbe a demarcação indígena. Assim, o Mato Grosso do Sul reivindica os mesmos direitos e o ministro da justiça do PT Sr Cardoso ignora, levando os índios com ajuda do MST à invadir, matar, destruir agricultores:  http://www.canalrural.com.br/videos/bom-dia-campo/homologacao-terras-indigenas-esta-suspensa-temporariamente-23494

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Romero Jucá Senador sua filha explora minério em Roraima, na fronteira com a Venezuela

01) Empresa ligada a Romero Jucá é autorizada pela União a pesquisar e explorar minérios em RR Roraima. 

02) A Justiça de Roraima decretou a indisponibilidade dos bens da prefeita de Boa Vista, Maria Teresa Jucá (PPS)( atual Teresa Surita (PMDB), esposa de Romero Jucá, em razão de uma ação do Ministério Público Estadual em que ela é acusada de desvio de dinheiro público por coleta e lixo não realizadas e funcionários contratados pela prefeitura para trabalharem como cabos eleitorais de Romero Jucá.
03) Lula/Temer/Sarney sempre gostou da folha corrida de Romero Jucá. O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, denunciou Jucá ao Supremo Tribunal Federal STF por crimes contra o sistema financeiro.  O ministro Cezar Peluso STF arquivou o “inquérito (Inq. 2.221) contra o Senador Romero Jucá (PMDB-RR) acusado de fraude envolvendo a empresa Frangonorte, em razão da prescrição do crime”. Livre da ameaça de saldar a conta do calote e dormir na cadeia por 2 a 6 anos, Jucá festejou o Natal e o reveillon em paz. O Banco da Amazônia não verá a cor do dinheiro. Simples assim. É o Brasil.

04) Romero Jucá, um ministro feito 110% de encrenca
http://mudancaedivergencia.blogspot.com.br/2008/12/romero-juca-um-ministro-feito-110-de.html

05) Romero Jucá, o lobista, o laranja, a jucalandia e entreguismo em Roraima

http://mudancaedivergencia.blogspot.com.br/2016/05/romero-juca-o-lobista-o-laranja_24.html

Questionamos

Por que, Lula/Sarney/Temer,(PMDB) e PV de Sarney filho com endosso do STF demarcou como contínua as áreas indígenas em Roraima, expulsando os agricultores lá estabelecidos,  e já alocado na região o senador  condenado pela Operação Lava Romero Jucá? 

Por que, Sarney pai(PMDB) e o vice Temer também PMDB, Sarney filho com o seu partido de verde farsante  concordam com o entreguismo da região de floresta de Roraima até o Amapá, usando as demarcações indígenas SEM O POVO BRASILEIRO SABER,  alegando estarem protegendo o "ambientalismo"?

 

O Conselho de Defesa Nacional, órgão consultivo da presidente Dilma Rousseff (PT) em assuntos relacionados à soberania nacional e à defesa do Estado democrático, publicou no dia 24 de fevereiro 2014, no Diário Oficial da União, uma autorização prévia para que uma empresa ligada ao senador Romero Jucá (PMDB) possa pesquisar minérios em Roraima.

A empresa Boa Vista Mineração Ltda, que tem como cotista Marina de Holanda Menezes Jucá Marques, filha do parlamentar, poderá pesquisar ouro e basalto em 14 áreas diferentes do Estado. São 110.540,79 hectares divididos nos municípios de Amajari, Bonfim, Boa Vista e Cantá, inclusive na faixa de fronteira do Estado. Romero Jucá é autor do projeto de lei 1610/1996, que prevê a regulamentação da mineração em terras indígenas e que ainda está sob análise do Congresso Nacional.[1]
mineração Jucá
O senador Romero Jucá (PMDB) retirou de tramitação do Congresso, em 15/12/2014 o projeto de lei 1610/96, de sua autoria, que propunha a regulamentação de garimpo em terras indígenas. Ele justificou alegando que sua decisão contribuiria para calar aqueles que o atacavam com agressões “irresponsáveis e caluniosas”.
  • Embora alegue que retirada do projeto seria prova de que não tem interesse em mineração,  sua filha tem  mineradora em Roraima.
  • Um processo aberto pelo Ministério Público Federal requer a anulação dos 1.200 pedidos de pesquisa e lavra mineral em terras indígenas de Roraima que tramitam no Departamento Nacional de Produção Mineral. Se o procurador Fernando Machiavelli Pacheco tiver sucesso, enterrará as pretensões da Boa Vista Mineração de explorar áreas de reserva. Entre os sócios da empresa está Marina de Holanda Menezes Jucá Marques Marina Jucá, filha do senador Romero Jucá (PMDB-RR).
Na tarde do dia 17 de maio 2012,quinta-feira de trabalho no Congresso, o senador Romero Jucá, do PMDB de Roraima, subiu à tribuna para, como de hábito, defender os mais caros interesses do país. Desta vez, exortaria os parlamentares a legalizar a mineração em terras indígenas, prevista num projeto de lei patrocinado por ele. Jucá se ajeitou na tribuna, empertigando-se diante do microfone, e se pôs a falar: “Quero aqui registrar a importância deste debate. Para o Brasil, é muito importante (a aprovação da lei)”. Passou, então, a explicar os benefícios da proposta: “Haverá pagamento de royalties ao Poder Público e também à população indígena. Ganhará o direito à mineração aquele que pagar mais à comunidade indígena. Haverá uma licitação. Haverá todo o cuidado ambiental, todo o cuidado antropológico da Funai”. Jucá – talvez convencido de que comovera os colegas por ter, pela primeira vez na carreira, empregado no mesmo discurso os termos “licitação”, “cuidado ambiental” e “cuidado antropológico” – encerrou com um apelo para que o projeto seja aprovado logo, ainda neste ano. Por que Jucá tem pressa?
PEPITAS O senador Romero Jucá. Sua filha quer explorar minério em Roraima,  na fronteira com  a Venezuela  (Foto: Celso Junior/AE)Em 2 de abril – portanto, um mês antes do discurso de Jucá –, a empresa Boa Vista Mineração pedira autorização ao governo para explorar ouro em nove terras que contêm áreas indígenas. O pedido fora feito ao Departamento Nacional de Produção Mineral, o DNPM, instância burocrática que cuida do assunto. A quem pertence a Boa Vista Mineração, uma empresa com capital de R$ 2 milhões? A sócia majoritária chama-se Marina Jucá, de 29 anos, filha do senador Romero Jucá. Outros dois sócios dela no negócio também são ligados ao senador. O tino empresarial de Marina Jucá é recente. Não faz muito tempo, era empregada no gabinete do pai e fazia faculdade em Brasília.Na tarde do dia 17 de maio, uma quinta-feira de trabalho no Congresso, o senador Romero Jucá, do PMDB de Roraima, subiu à tribuna para, como de hábito, defender os mais caros interesses do país. Desta vez, exortaria os parlamentares a legalizar a mineração em terras indígenas, prevista num projeto de lei patrocinado por ele. Jucá se ajeitou na tribuna, empertigando-se diante do microfone, e se pôs a falar: “Quero aqui registrar a importância deste debate. Para o Brasil, é muito importante (a aprovação da lei)”. Passou, então, a explicar os benefícios da proposta: “Haverá pagamento de royalties ao Poder Público e também à população indígena. Ganhará o direito à mineração aquele que pagar mais à comunidade indígena. Haverá uma licitação. Haverá todo o cuidado ambiental, todo o cuidado antropológico da Funai”. Jucá – talvez convencido de que comovera os colegas por ter, pela primeira vez na carreira, empregado no mesmo discurso os termos “licitação”, “cuidado ambiental” e “cuidado antropológico” – encerrou com um apelo para que o projeto seja aprovado logo, ainda neste ano. Por que Jucá tem pressa?
Jucá afirma que não há conflito de interesses em defender uma lei que beneficia sua filha!!!
O clã Jucá/Sarney/Temer,... quer explorar ouro em reservas dos índios macuxi e uapixana, em terras que somam 90.400 hectares (algo como a extensão da cidade do Rio de Janeiro). O garimpo ficará próximo à fronteira com a Venezuela, em Roraima. Em Brasília, está tudo preparado para a criação do eldorado de Jucá &.... O relator na Câmara do projeto de Jucá é o deputado Édio Lopes, também do PMDB de Roraima, e amigo do senador. Sérgio Dâmaso, que dirige o DNPM e pode conceder as autorizações à empresa de Jucá, é bancado no cargo pelo PMDB. Se a proposta for aprovada, é provável que a empresa de Jucá consiga as autorizações de imediato, sem licitação, porque as havia pedido antes de a nova lei passar a valer.
Procurado por ÉPOCA, Jucá limitou-se a dizer, por e-mail, que não tem nada a ver com a empresa da filha. Disse ainda que a defesa que faz no Congresso Nacional da aprovação do projeto de lei não representa conflito de interesses com a atividade empresarial de Marina de Holanda Menezes Jucá Marques  Marina Jucá. “É de interesse do país que esse assunto seja regulamentado.”
O clã Jucá quer explorar ouro em reservas dos índios macuxi e uapixana, em terras que somam 90.400 hectares (algo como a extensão da cidade do Rio de Janeiro). O garimpo ficará próximo à fronteira com a Venezuela, em Roraima. Em Brasília, está tudo preparado para a criação do eldorado de Jucá. O relator na Câmara do projeto de Jucá é o deputado Édio Lopes, também do PMDB de Roraima, e amigo do senador. Sérgio Dâmaso, que dirige o DNPM e pode conceder as autorizações à empresa de Jucá, é bancado no cargo pelo PMDB. Se a proposta for aprovada, é provável que a empresa de Jucá consiga as autorizações de imediato, sem licitação, porque as havia pedido antes de a nova lei passar a valer.

Fonte:
[1] http://racismoambiental.net.br/?p=144297
[2] http://feeds.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1105200531.htm~
http://amajarirevela.blogspot.com.br/2014_08_01_archive.html - MINERAÇÃO - 31/08/2012 23h04 - Atualizado 
em 31/08/2012 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

"Terras Raras"

O Brasil é rico em terras raras  no descaminho.
PROCESSO NACIONAL RECUPERA TERRAS RARAS DE LÂMPADAS FLUORESCENTES ...
QUÍMICA PERIÓDICA: Terras raras e o meio ambienteResultado de imagem para Terras Raras ricas em minérios
CBMM é primeira empresa a processar terras-raras fora da China,
a aquisição mostra domínio da China nas terras raras
  • Trata-se de um grupo seleto de 17 elementos químicos de relativa abundância na crosta terrestre (com concentração variando entre 68ppm para o cério e 0,5ppm para o túlio e lutécio) considerados raros pela dificuldade da sua separação (já que ocorrem em vários minérios de composições distintas).
As terras raras ou metais de terras raras são, de acordo com a classificação da IUPAC, um grupo relativamente abundante de 17 elementos químicos, dos quais 15 pertencem na tabela periódica dos elementos ao grupo dos lantanídeos(elementos com número atômico entre Z=57 e Z=71, isto é do lantânio ao lutécio), aos quais se juntam o escândio (Z=21) e o ítrio (Z=39), elementos que ocorrem nos mesmos minérios e apresentam propriedade físico-químicas semelhantes. . As principais fontes econômicas de terras raras são os minerais monazite, bastnasite, xenótimo e loparite e as argilas lateríticas que absorvem ions.

Origem da designação e história:
  • Os elementos que constituem o grupo das terras raras foram inicialmente isolados sob a forma de óxidos, recebendo então a designação de "terras", à época a denominação genérica dada aos óxidos da maioria dos elementos metálicos. 
Por apresentarem propriedades muito similares, serem apenas conhecidos em minerais oriundos da Escandinávia e por serem de difícil separação, foram considerados "raros", daí resultando a denominação "terras raras", ainda hoje utilizada, apesar de alguns deles serem comparativamente abundantes na composição crostal da Terra.
  • Com exceção do lantânio, que por ser instável é muito raro, a abundância crustal dos elementos incluídos no grupo das terras raras varia entre as 68 partes por milhão para o cério, o 25.º elemento mais abundante dos 78 elementos mais comuns na crusta da Terra, e apenas 0,5 partes por milhão para o túlio e o lutécio, as terras raras menos abundantes. Ainda assim, o elemento mais raro da série, o túlio, é mais abundante que metais como a prata e o mercúrio.
As terras raras foram pela primeira vez assinaladas aquando da descrição do mineral negro ytterbite (também conhecido como gadolinite a partir de 1800), feita pelo militar e mineralogista Carl Axel Arrhenius no ano de 1787, a partir de uma amostra recolhida numa pedreira das proximidades da localidade de Ytterby, na Suécia .

Etimologia dos elementos:
  • Muitos dos elementos incluídos nas terras raras foram denominados em honra dos cientistas que os isolaram pela primeira vez ou que descreveram as suas propriedades físico-químicas elementares, pela sua origem geográfica, por referência à mitologia clássica greco-latina ou por neologismos latinizados ou helenizados.
História:
  • A partir de amostras do mineral ytterbite (gadolinite) enviadas por Carl Axel Arrhenius, o químico e mineralogista finlandês Johan Gadolin, professor na Universidade de Turku, isolou um óxido desconhecido (uma terra na linguagem química da época), a que deu o nome de ytteria, uma referência a Ytterby, a localidade onde se situa a pedreira onde o mineral fora recolhido. 
A partir de 1800 a ytterbite passou a ser conhecida por gadolinite, em honra de Johan Gadolin. A partir da gadolinite, o químico Anders Gustav Ekeberg isolou o elemento químico berílio, mas não conseguiu reconhecer a presença das terras raras, os outros elementos em que aquele minério é rico. 
  • Mais tarde, em 1803, um mineral recolhido em Bastnäs, uma localidade próxima de Riddarhyttan, na Suécia, que se acreditava ser um mineral de ferro-tungstênio, foi reanalisado por Jöns Jacob Berzelius e Wilhelm Hisinger, que obtiveram um óxido branco a que deram o nome de ceria, depois identificado como um óxido de cério. Martin Heinrich Klaproth descobriu independentemente aquele óxido, dando-lhe o nome de ochroia.
Asim, em 1803 eram conhecidos os óxidos de dois elementos pertencentes às terras raras: o ítrio e o cério. A partir deste ponto, a semelhança nas propriedade químicas dos elementos que hoje integram o grupo fez com que demorasse cerca de 30 anos até que os investigadores pudessem determinar a presença de outros elementos naqueles óxidos, tal é a dificuldade de separação.
  • Em 1839 Carl Gustav Mosander, um assistente de Berzelius, conseguiu separar o óxido então designado por ceria em dois componentes, aquecendo-o um seu nitrato e dissolvendo o produto em ácido nítrico. Deu a designação de lanthana ao óxido do sal solúvel que obteve, demorando três anos até conseguir separar o lanthana no seu didymia (gémeo) e em lantânio puro. O didymia, não separável pelas técnicas usadas por Mosander, era ainda uma mistura de óxidos.
Em 1842 Mosander também separou o ytteria em três óxidos: ytteria pura, terbia e erbia (nomes derivados de Ytterby, a localidade de onde o mineral original proviera). Ao elemento que dava origem a sais rosados Mosander deu o nome de terbium; ao que produzia peróxidos amarelados erbium. Estavam assim isolados o térbio e o érbio, o que elevava o número de terras raras conhecidas a seis: yttrium (ítrio), cerium (cério), lanthanium (lantânio), erbium (érbio), terbium (térbio) e didymium (didímio), este último afinal uma mistura de dois elementos diferentes (praseodímio e neodímio).
  • Nils Johan Berlin e Marc Delafontaine conseguiram também separar o ytteria e encontraram as mesmas substâncias que Mosander obtiverad, mas Berlin denominou (em 1860) a substância que produzia sais rosados como erbium e Delafontaine designou a substância que produzia o peróxido amarelado como terbium. 
Esta confusão levou a várias identificações erradas, incluindo diversos casos de isolamento de novos elementos que depois se provou serem já conhecidos, tais como o mosandrium de John Lawrence Smith, ou o philippium e decipium de Delafontaine.
  • As dificuldades impostas pelas semelhanças físico-químicas levaram a que durante mais três décadas não surgissem novos isolamentos de elementos, sendo o didymium listado nas tabelas periódicas como um elemento químico com massa molecular de 138. 
Em 1879 Delafontaine usou a então recém inventada técnica de espectroscopia de chama e descreveu um espectro óptico complexo, com linhas de absorção que indicavam a presença de mais do que um elemento. Também em 1879, o químico francês Paul Émile Lecoq de Boisbaudran isolou um novo elemento pertencente ao grupo das terras raras, o samarium (samário) a partir do mineral samarskite.
  • A partir de samaria, os óxidos de samarium, Paul Émile Lecoq de Boisbaudran isolou em 1886, resultado que foi confirmando por Jean-Charles Galissard de Marignac, que obteve o mesmo elemento diretamente da samarskite. A este elemento deram o nome de gadolinium (gadolínio), em honra de Johan Gadolin, designando os seus óxidos como gadolinia.
Análises espectroscópicas de amostras da samaria, ytteria e samarskite, realizadas por William Crookes, Lecoq de Boisbaudran e Eugène-Anatole Demarçay entre 1886 e 1901, revelaram linhas espectrais que indicavam a presença de um elemento desconhecido, que quando em 1901 foi isolado por cristalização fraccionada foi designado por europium (európio).
  • A partir de 1839 surgiu uma terceira fonte de terras raras, um mineral similar à gadolinite, o uranotantalum, hoje designado por samarskite. Este mineral foi inicialmente encontrado em Miass, no sul dos Montes Urais, sendo descrito pela primeira vez por Gustave Rose. 
O químico russo R. Harmann postulou então que um novo elemento, o ilmenium (de ilmenite, um mineral da região de Ilmen, nos Urais), deveria estar presente no mineral, mas Christian Wilhelm Blomstrand (1826-1897), Jean-Charles Galissard de Marignac e Heinrich Rose apenas nele encontraram tântalo e nióbio.
  • Nos princípios do século XX, o exato número de terras raras era pouco claro, estimando-se que pudesse atingir os 25 elementos. Apenas quando a utilização de raios x, aplicada ao estudo da difração em cristais por Henry Moseley, permitiu a determinação dos números atômicos se concluiu que o número de elementos químicos pertencentes aos lantanídios teria de ser 15, estando ainda em falta o elemento com número atômico 61. 
Por outro lado, a utilização da difração de raios x permitiu provar que o hafnium (háfnio) não era uma terra rara e que o anúncio feito por Georges Urbain da descoberta do elemento de número atômico 71 era incorreto.
Os 17 elementos químicos conhecidos como terras-raras são insumos
essenciais à tecnologia de ponta.
Características e usos:
  • As formas elementares das terras raras são metais tipicamente macios, maleáveis e dúcteis, geralmente reativos, especialmente a temperaturas elevadas ou quando finamente divididos, com cores que variam de cinza escuro a prateado.
As principais fontes econômicas de terras raras são os minerais bastnasite, monazite e loparite e as argilas lateríticas. Apesar da sua abundância relativa elevada, os minerais de terras raras são mais difíceis de minerar e de extrair do que fontes equivalentes de metais de transição, devido em parte às suas semelhanças químicas. 
  • Esta dificuldade torna os metais de terras raras relativamente caros, pelo que o seu uso industrial foi limitado até serem desenvolvidas técnicas de separação de alto rendimento, tais como a troca iônica, cristalização fracional e extração líquido-líquido nas décadas de 1950 e de 1960.
As propriedades químicas e físicas das terras raras são utilizadas numa grande variedade de aplicações tecnológicas, que vão desde a constituição de catalisadores à produção de materiais luminescentes e de magnetos. Os metais de terras raras estão incorporados em aplicações como os supercondutores, magnetos miniaturizados, catalisadores utilizados em refinação de produtos diversos e componentes para carros híbridos . 
  • Íons de terras raras são utilizados como os átomos ativos em materiais luminescentes usados em aplicações de optoeletrônica com destaque para o laser Nd:YAG. Foram também extensivamente utilizados como dopantes em tubos de raios catódicos para televisores e computadores.
A determinação da concentração relativa de terras raras é usada em Geologia para a determinação da fonte dos magmas que constituem as rochas ígneas e para a datação de alguns minerais, entre os quais as granadas, através da abundância relativas do par neodímio/samário.

Localização geográfica e comercialização:
  • É estimado que cerca de 97% das terras-raras estejam localizadas na Ásia, especialmente na China, que detém 2/3 das reservas globais e 87% do total comercializado no mundo. Com praticamente o monopólio chinês das terras-raras, o preço desses commodities se valorizou muito no mercado mundial.
Grupo das terras raras:
O grupo das terras raras inclui os seguintes elementos químicos:
  • Lantânio
  • Cério
  • Praseodímio
  • Neodímio
  • Promécio
  • Samário
  • Európio
  • Gadolínio
  • Térbio
  • Disprósio
  • Hólmio
  • Érbio
  • Túlio
  • Itérbio
  • Lutécio
  • Escândio
  • Ítrio
  • http://professoralucianekawa.blogspot.com.br/2014/12/as-terras-raras-nova.html