quarta-feira, 21 de julho de 2021

Instituto Sagres formado por oficiais da reserva do Exército aliado ao Instituto Vilas Boas, que lhes garante inúmeras benesses tributárias.

A Presidenta Dilma Rousseff, em ato assinado em homenagem a 31 de março, promoveu a General de Brigada o Gabrielense VALÉRIO STUMPF TRINDADE em PA. Em Abril/2020 Bolsonaro e Mourão nomeiam o General Valério Stumpf Trindade como chefee do Comando Militar do Sul.
 Foto: Comando Militar do Sul
Porto Alegre, RS - 30/04/2020: Prefeito Nelson Marchezan Júnior prestigia solenidade de transmissão de cargo de Comandante Militar do Sul do General Antonio Miotto para o General Valério Stumpf Trindade. 
  

Militares teriam um plano de governo pronto

O Instituto Sagres nasceu das mentes de um militar de extrema direita chamado Luiz Eduardo Rocha Paiva e de uma figura da várzea política do Sul chamada Thomas Korontai. É uma empresa fundada por militares da reserva para ganhar dinheiro em Brasília. Uma entre várias, como, por exemplo, o Instituto Força Brasil, investigado no inquérito das fake news e, desde  15/07/21, suspeito pela CPI da Pandemia, de participar de negociatas na compra de vacinas pelo governo Bolsonaro.

Instituto Força Brasil do Coronel Helcio Bruno na CPI da Pandemia

O Instituto Sagres é registrado como Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), mas atua como empresa e tem entre seus clientes a Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo, a Fundação dos Administradores do Rio Grande do Sul e a Universidade Católica de Brasília. Sturari não informou que contratos o Sagres tem hoje. Para ele, isso não é de interesse público, embora o instituto tenha vantagens de Oscip. Está qualificado como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), nos termos da Lei n. 9.790, de 23 de março de 1999, conforme despacho da Secretaria Nacional de Justiça, publicado no Diário Oficial de 15 de agosto de 2006.

parceria entre o Instituto Sagres, o Instituto Federalista, a Faculdade Mauá e a Revista Blitz Digital

PROJETO DE NAÇÃO:

(O Projeto é parceria do Instituto General Villas Boas (IGVB), Instituto SAGRES e Instituto Federalista).

Projeto de Nação por Instituto Federalista projeto de nação para o Brasil, nasceu com a

fundação do Movimento Federalista, em 1991, por Thomas Korontai.

https://sagres.org.br/artigos/Projeto_Nacao_Visao_InstitutoFederalista.pdf

Projeto de Nação por Mario Garnero " o homem de Rothschild no Brasil"

https://sagres.org.br/artigos/Mario_Garnero_RevistaForbes.pdf

professores: Gen. Rocha Paiva, TC Paulo José, Profa. Verônica Korilio, Humberto Garay, Raul Sturari, Gen Ridauto Fernandes, Olavo Mendonça, Celso Ferro, Luiz Aguiar

Projeto de Nação por IGVB – Instituto General Villas Boas, merecem destaque José Bonifácio de Andrada e Silva que já pensava a construção da nação no inicio do século XIX, e Alberto de Seixas Martins Torres, que fez o mesmo no inicio do século XX.

MARIA VERÔNICA KORILIO CAMPOS Presidente

JACINTHO MENDES LOPES JÚNIOR Vice-Presidente Executivo e Diretor de Gestão de Riscos e Crises

LUIZ EDUARDO ROCHA PAIVA Diretor de Geopolítica e Conflitos

RIDAUTO LÚCIO FERNANDES Diretor de Segurança e Defesa

RAUL JOSÉ DE ABREU STURARI Diretora de Prospectiva Estratégica

JEFFERSON DE SOUZA OLIVEIRA Diretor de Relações Internacionais

DIÓGENES LIMA NETO Diretor de Estratégias de Financiamentos e Investimentos de Produtos

HUMBERTO DE SÁ GARAY Diretor de Inteligência e Gestão do Conhecimento 

JORGE CORRÊA NETO Diretor de Gestão em Saúde

ARTUR DE MELO REIS DE SOUZA Diretor de Governança e Compliance

LUÍS HENRIQUE SGANZELLA LOPES Diretor de Gestão do Agronegócio e Meio Ambiente

MARILENE ANTUNES NOGUEIRA LOPES Secretária Executiva

Conselho Fiscal

José Alexandre Pires (presidente)

Jomar Mendes Gaspary

José do Carmo Ferreira

José Osmar Monte (suplente)

Sérgio Ferreira de Lima (suplente)

Conselho Consultivo

Alberto Mendes Cardoso (presidente)

Maynard Marques de Santa Rosa

Paulo Chagas

Mário G. S. B. Andreuzza

Rodolfo de Mello Prado

Timothy Martin Mulholland

https://sagres.org.br/diretoria/

SEDE

Brasília – DF

SHCN – Setor de Habitações Coletivas Norte

CL Comércio Local – Quadra 309

Bloco B nº 56 , Salas 211, 213, 215, 217 Parte A

1º Pavimento

Asa Norte

CEP: 70755-520

Tel/Fax: (61) 3272-7078

Pernambuco – Recife

Artur de Melo Reis de Souza

artur.reis@sagres.org.br

Rua Padre Euclides Jardim, 81

Afogados

CEP: 50750-090

Tel: (81) 99973-4200

Rio Grande do Sul – Porto Alegre

Mário G. S. B. Andreuzza

Tel: (51) 99331-6858


09/12/2008 -  Leandro Fortes  Instituto Sagres e a Operação Satiagraha

Os funcionários do Supremo Tribunal Federal assistiram a uma manifestação de fúria do presidente da casa, Gilmar Mendes. A tarde da terça-feira 2 mal havia começado e as agências de notícias e os sites na internet começavam a noticiar a decisão do juiz Fausto De Sanctis, que condenou o banqueiro Daniel Dantas a dez anos de prisão. Não foi a condenação em si a provocar a ira de Mendes, mesmo se sabendo que o ministro transformou o caso Dantas em uma diatribe pelos direitos individuais contra o aterrador “Estado policial”. O ponto era a menção, na sentença do magistrado de primeira instância, de uma informação até então desconhecida por ele e pelo distinto público. “Agora pego esse cara”, afirmou, segundo relatos narrados à CartaCapital. O cara é De Sanctis. À informação. Na página 281 da sentença há o registro de que, entre 4 de junho e 7 de julho, Hugo Chicaroni, condenado a sete anos de prisão por tentar corromper o delegado federal Victor Hugo Ferreira, ligou nove vezes para o telefone do coronel da reserva do Exército Sérgio de Souza Cirillo. A dupla pertencia aos quadros da mesma empresa, o Instituto Sagres, especializada, de acordo com o próprio site, em política e gestão estratégica aplicada. É de Chicaroni a jurisprudência, firmada em conversa gravada pela PF, de que Dantas usufrui de “facilidades” nos tribunais superiores do Brasil. Cirillo havia sido contratado por Mendes, 23 dias depois de deflagrada a Operação Satiagraha, para montar um núcleo de inteligência no STF. A investigação rastreou a troca de telefonemas a pedido da defesa de Chicaroni, que solicitou a quebra do sigilo à Justiça. Ao tomar conhecimento do fato, Mendes declarou-se “surpreso” e solicitou uma investigação ao Ministério Público para saber se o coronel tem relações com Dantas. Cirillo disse à CartaCapital que nas nove vezes em que falou com Chicaroni tratou da impressão de cartões de visita do colega de trabalho. “Ele foi quem mais distribuiu cartões do Sagres, agora isso nos preocupa”, reflete Cirillo. A entrada do coronel nesta história torna o episódio da Satiagraha, deflagrada em 8 de julho, e seus desdobramentos ainda mais intricados. Cirillo é um personagem capaz de colocar o presidente STF em uma saia-justa. O militar pode confirmar que foi no gabinete da presidência do tribunal que um repórter da revista Veja teve acesso a um relatório sigiloso do setor de inteligência sobre a possibilidade de ter havido escuta ambiental na Alta Corte. Apesar de inconclusivo, o tal relatório motivou uma reportagem de capa da revista, virou tema de debate nacional e serviu como elemento da tese do “Estado policial”, mais tarde reforçada pelo vazamento de um diálogo entre Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Sabe-se, até o momento, que a Polícia Federal não encontrou nenhum vestígio da existência do tal grampo, mas o episódio provocou uma leve crise institucional. Mendes atribuiu o grampo até hoje não comprovado à Agência Brasileira de Inteligência e chamou o presidente Lula “às falas”. O Planalto, sob pressão, afastou o delegado Paulo Lacerda da direção da Abin. O fato de o gabinete da presidência do Supremo vazar o documento à Veja, no determinado contexto, leva a algumas perguntas: por que se preferiu entregar à imprensa um documento inconclusivo do que levar às autoridades o temor da existência de um monitoramento ilegal? Se a presidência do Supremo não vê nenhum problema em repassar relatórios classificados como sigilosos a jornalistas, por que o assunto causa tanto mal-estar no tribunal, a ponto de o assessor de imprensa, Renato Parente, negar que o vazamento tenha partido do gabinete de Mendes? Antes de Mendes assumir a presidência do STF, em 23 de abril de 2008, a segurança dos ministros e do tribunal estava nas mãos da Coordenadoria de Segurança e Transporte, ligada à Diretoria-Geral do Supremo. O ministro decidiu desfazer essa estrutura, criar a Secretaria de Segurança e subordiná-la diretamente à presidência. Ou seja, criou o seu próprio grupo de arapongas. Mendes pretendia formar um núcleo de inteligência nos moldes daquele montado por José Serra, em 1999, no Ministério da Saúde, sob os auspícios do atual deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), presidente da CPI dos Grampos. Para tal, seguiu os conselhos de um velho amigo e companheiro do governo Fernando Henrique Cardoso: o general Alberto Cardoso. Foi Cardoso quem indicou ao cargo o coronel da reserva do Exército Joaquim Gabriel Alonso Gonçalves. Oficial de infantaria, Gonçalves é um especialista em estratégias de segurança e inteligência militar, embora nunca tenha sido um homem da área de informações. O coronel infante assumiu um dia após a posse de Mendes na presidência do STF. Três meses depois, conseguiu que o tribunal contratasse Cirillo para auxiliá-lo no trabalho. Gonçalves conseguiu reorganizar a estrutura de segurança do STF. Dividiu-a em cinco sessões. A principal delas, a de Operações Especiais, ficou com a parte de “monitoramentos e varreduras eletrônicas”, em que se pretendia instalar o embrião do núcleo de inteligência desejado por Mendes. Foi desse setor que vazou para a Veja o documento, datado de 14 de julho de 2008, com o resultado de uma varredura realizada no dia 10 do mesmo mês, na qual se indicava a suspeita de ter havido algum tipo de escuta ambiental realizada nas cercanias do STF. Foi, na verdade, um meio vazamento. Nas páginas da Veja, o documento que aparece tem apenas uma assinatura, a de Aílton Carvalho de Queiroz, chefe da Seção de Operações Especiais. O documento original tem, porém, outras quatro assinaturas suprimidas, porque uma delas indicava, com exatidão, a fonte do vazamento: a do coronel Joaquim Gabriel Alonso Gonçalves. Era a única carimbada e com a data exata da emissão do documento, 15 de julho – dia em que teria ocorrido o tal grampo no STF, publicado, um mês depois, pela Veja. Ao depor na CPI dos Grampos, em 14 de outubro, Queiroz mostrou-se visivelmente agastado com o fato de ter tido o nome estampado, isoladamente, no documento publicado pela revista. Ao deputado Itagiba (PMDB-RJ) entregou uma cópia na qual aparecem os outros quatro signatários. Lá, revelou ter existido somente duas cópias do relatório da varredura, uma ficou com ele, outra, com a chefe de gabinete de Mendes, Isabel Cristina Ferreira de Carvalho. Questionado pelo deputado Domingos Dutra (PT-MA) sobre a origem do vazamento, Queiroz se esquivou da responsabilidade, mas deu uma pista. “Eu imagino que a própria presidência (do STF)”, afirmou. Segundo informa o coronel Cirillo, a apresentação do documento e o repasse das informações sobre a varredura para a Veja foram combinados em uma reunião em que estavam presentes Gonçalves, seu superior, o chefe de Operações Especiais do tribunal, Aílton de Queiroz, e o assessor de imprensa de Gilmar Mendes, Renato Parente. Gonçalves fechou um acordo com os repórteres da Editora Abril para passar todas as informações sobre o relatório, mas sob a condição de não haver reprodução do papel, o qual ele havia carimbado e dado ciência, um dia depois de Queiroz e os outros três técnicos do tribunal terem assinado o documento. O assessor Parente confirma ter participado da reunião, mas nega ter avalizado qualquer tipo de acordo. “Foi a Veja que trouxe o documento e nos pediu para avaliá-lo”, garante, em dissonância com as declarações de Cirillo. “O coronel Alonso Gonçalves ficou chateado porque o relatório acabou publicado”, conta Cirillo. No final, o vazamento acabou faturado na conta de Queiroz, logo afastado do cargo. Cirillo ficou de fora das negociações, mas acabou informado de tudo pelo companheiro de farda, quando os dois se sentaram para tentar entender os motivos que levaram Mendes a demiti-los, sem nenhuma explicação, em 1º de outubro – 45 dias depois da publicação da reportagem. Cirillo, também oficial de infantaria, conheceu Gonçalves, mais antigo no Exército e mais velho, ao longo da carreira. O Instituto Sagres, do qual ele é um dos seis sócios-fundadores, é uma organização faz-tudo. A saber: organiza eventos, presta consultorias, promove capacitação e treinamento, e desenvolve projetos nas áreas de “política, estratégia, relações internacionais, defesa, preservação, conservação do meio ambiente, desenvolvimento sustentável, segurança, inteligência estratégica, promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia e dos valores universais” – embora o coronel Cirillo seja um admirador confesso do general Emílio Garrastazu Médici e chame o golpe de 1964 de “revolução democrática”. Cirillo, contudo, nada tem a ver com Médici. Cordial, recebeu a reportagem da CartaCapital em casa, uma chácara onde funciona um clube de tênis, no Lago Sul de Brasília. Ali conversou sobre os dois meses em que trabalhou ao lado de Gonçalves na Secretaria de Segurança do STF. O oficial foi contratado como assessor, em função de confiança. Há integrantes do Instituto Sagres no governo Lula. Também pertence à organização Homero José Zanotta Vieira, assessor de comunicação do general Jorge Felix, ministro-chefe do GSI. Zanotta é o responsável pelo relacionamento da pasta com a imprensa. O GSI, entre outras atribuições, comanda a Abin e está à frente de uma investigação interna sobre a participação da agência no suposto grampo telefônico do Supremo. O Sagres também presta serviços ao governo de São Paulo. Mais especificamente à Secretaria Estadual de Meio Ambiente, comandada por Francisco Graziano. Parece até piada: Graziano ficou conhecido como “o Corvo”, ao ser associado, nos primeiros meses do governo Fernando Henrique Cardoso, à divulgação de grampos que comprometiam um colega de Esplanada envolvido nas negociações do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). Graziano acabou demitido e passou anos na geladeira política. A contribuição de Cirillo aos planos de Gilmar Mendes tem a ver, porém, com um conhecimento específico tocado por um setor do instituto, o Núcleo de Inteligência Prospectiva e Estratégica (Nipe). De acordo com as informações do site da organização, o tal núcleo foi criado para “subsidiar” o trabalho de inteligência desenvolvido pelo Sagres e, “por vezes”, de alguns clientes. Mas o trabalho do coronel ficou apenas no campo das boas idéias. Ele mal teve tempo de iniciar um plano de assessoria estratégica para o presidente do STF. “Eu estava me inteirando quando fui, de repente, demitido”, explica. A demissão da dupla de coronéis pegou a Secretaria de Segurança do STF de surpresa. Na manhã do dia 1º de outubro, logo depois de chegar para iniciar o expediente, Gonçalves foi chamado à sala do diretor-geral do Supremo, Alcides Diniz da Silva. Lá, foi informado da decisão de Mendes de demiti-lo e a Cirillo. Apesar da insistência em saber a razão da dispensa sumária, Alonso nada conseguiu arrancar de Silva. Eram, simplesmente, as ordens do presidente do tribunal. Para o lugar do coronel, Mendes nomeou uma primeiro-tenente da Polícia Militar do Distrito Federal, Ana Lúcia de Freitas Rossi, ex-oficial de segurança da ministra Ellen Gracie, quando esta ocupou a presidência do tribunal. Indignado, Gonçalves exigiu uma audiência com Mendes. Antes, foi ao colega Cirillo e sentenciou: “Nossas cabeças rolaram”. No gabinete do presidente do STF, ouviu duas histórias incríveis, estopins, segundo o ministro, da demissão. A primeira dizia respeito ao juiz Carlos Gustavo Direito, filho do ministro Carlos Alberto Direito, a quem o coronel se negou a colocar à disposição, tarde da noite, os serviços de funcionários do STF encarregados de cuidar do embarque e despacho de bagagens dos ministros no aeroporto de Brasília. Os servidores do tribunal já haviam, de forma irregular, mas a título de gentileza, levado as malas do filho do ministro ao aeroporto da capital federal duas vezes no mesmo dia. À noite, quando o juiz Direito decidiu embarcar, pela terceira vez, para o Rio de Janeiro, o coronel perdeu a paciência com a chefe de gabinete de Direito pai, Ana Maria Neves. E deixou o rapaz cuidar sozinho do check-in. Ainda estupefato diante da justificativa apresentada por Mendes, Gonçalves teve de ouvir outra história. Desta vez, o protagonista era o ministro Eros Grau, a quem o coronel Alonso instou, mais de uma vez, a cumprir uma norma burocrática simples: assinar a ficha de horas extras do motorista do gabinete. Em quatro oportunidades, Grau, apesar de carimbar o documento, delegava à chefe de gabinete, Alexandra Matsuo, a missão de assinar o documento. O militar recusava-se a aceitar a papelada. Quando devolveu a ficha pela quarta vez, recebeu um recado irritado do ministro, anexado em forma de bilhete enviado à chefe de gabinete. “Não posso ficar preocupado com detalhes. Resolve”, escreveu. A Gonçalves, Mendes alegou, entre outras coisas, que, como presidente do STF, tinha como missão comandar um colegiado de ministros, razão pela qual deveria se manter sensível às demandas dos colegas. “Agora percebo que o motivo pode ter sido a ligação de Chicaroni com o Sagres”, avalia Cirillo. Se ele estiver certo, Mendes pode ter demitido os coronéis para tentar se livrar de uma dupla com imenso potencial de encrenca, depois da prisão de Chicaroni. Teria, no entanto, de explicar a razão de, agora, dizer-se “surpreso” com o registro do juiz De Sanctis sobre as ligações de Chicaroni e Cirillo. O novo imbróglio a envolver o STF, o Instituto Sagres e Daniel Dantas poderá ajudar a Polícia Federal a sair do atoleiro em que se meteu desde setembro, quando começou a investigar o suposto grampo em Mendes. O presidente do inquérito, delegado William Morad, ouviu mais de cem pessoas, mas ainda não tem um único indício de que o crime tenha sido sequer cometido. No dia 19 de novembro, Morad ouviu o coronel Gonçalves. O depoimento do antigo auxiliar do ministro Mendes está sob sigilo. O próximo convocado deverá ser o coronel Cirillo. http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=2883meuip

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Coronel Sérgio de Souza Cirillo  é sócio-fundador do Instituto Sagres, formado por oficiais da reserva do Exército. O instituto oferece consultoria em política, estratégia e inteligência. O diretor do Sagres, o coronel Raul Sturari, diz que o instituto não faz espionagem e não tem vínculo com Dantas ou qualquer pessoa investigada na Operação Satiagraha, da Polícia Federal.   O ex-assessor de segurança do Supremo Tribunal Federal (STF) coronel Cirillo, citado na sentença de condenação do banqueiro Daniel Dantascomo suposto espião infiltrado no tribunal pelo dono do Opportunity, era sócio de Hugo Chicaroni no Instituto Sagres até julho, quando Dantas e Chicaroni foram presos na Operação Satiagraha.

- O Cirillo e o instituto não têm relação com Hugo Chicaroni, STF, grampo, espionagem ou com nada parecido. Não fizemos e não fazemos grampo. Na sentença em que condenou Dantas a dez anos de prisão, o juiz Fausto De Sanctis, da 6 ª Vara Criminal Federal de São Paulo, faz referências a vínculos entre Cirillo e Chicaroni. O coronel foi secretário-executivo do Sagres de 2004, quando o instituto foi criado, até julho, quando assumiu cargo no STF.(Leia aqui a íntegra da sentença)

- Depois da prisão de Chicaroni, fizemos uma assembléia e ele foi expulso do instituto - afirma Sturari. O Sagres é registrado como Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), mas atua como empresa e tem entre seus clientes a Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo, a Fundação dos Administradores do Rio Grande do Sul e a Universidade Católica de Brasília. Sturari não informou que contratos o Sagres tem hoje. Para ele, isso não é de interesse público, embora o instituto tenha vantagens de Oscip.  Segundo Cirillo, não há vínculo entre sua demissão do STF e a Satiagraha. Ele teria se afastado porque a Secretaria de Segurança entrou em choque com a direção do STF, ao vetar o embarque do filho de um ministro pela sala vip.(Ouça a entrevista com Cirillo)

- O regulamento diz que a sala vip é para os ministros, não para familiares dos ministros - disse Cirillo. O coronel confirmou que manteve contatos com Chicaroni, alguns às vésperas da Satiagraha. Mas disse que nada sabe sobre as relações de Chicaroni com Dantas. Disse que, se a PF quiser, está disposto a depor sobre o assunto. Oficial da reserva, ele administra uma escola de tênis na casa em que mora do Lago Sul, em Brasília.

- O regulamento diz que a sala vip é para os ministros. Não diz que é para os familiares dos ministros - disse Cirillo. O coronel confirmou que manteve vários contatos com Chicaroni, alguns deles às vésperas da Operação Satiagraha. Mas disse que nada sabe sobre as relações de Chicaroni com Daniel Dantas. O coronel disse que, se a Polícia Federal quiser, está disposto a depor sobre o assunto. Oficial da reserva, Cirillo administra hoje uma escola de tênis na mansão em que mora do Lago Sul, bairro de classe média alta de Brasília. Gilmar pede apuração sobre araponga.  O presidente do STF, Gilmar Mendes, enviou nesta quarta ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, representação pedindo que sejam tomadas "as medidas necessárias" para esclarecer se Cirillo era um espião infiltrado de Dantas. Abordado sobre o caso, Gilmar demonstrou irritação, e não comentou o episódio.

Gilmar trocou a chefia do setor de segurança do STF em abril deste ano. Para recrutar o novo pessoal, consultou o general Alberto Cardoso, que foi chefe do Gabinete de Segurança Institucional no governo Fernando Henrique. O general recomendou o coronel Joaquim Gabriel Alonso Gonçalves, que foi contratado para montar a Secretaria de Segurança do STF.  Alonso convidou o coronel Cirillo para ser seu assessor e substituto imediato. Segundo a assessoria de imprensa do STF, Gilmar não conhecia nem Alonso nem Cirillo. Alonso foi demitido em outubro e, conseqüentemente, Cirillo também caiu. A assessoria do tribunal afirmou que o motivo da exoneração foi o gênio difícil e o comportamento intempestivo de Alonso.[1]

NOTAS:

1. https://extra.globo.com/noticias/brasil/ex-assessor-do-stf-citado-em-condenacao-de-dantas-ligado-entidade-de-oficiais-de-reserva-do-exercito-620483.html

2. http://wwwterrordonordeste.blogspot.com/2008/12/histria-de-cirillo-o-araponga-do-stf.html

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Ilhas artificiais na Amazônia são descobertas, complexidade é comparada à das pirâmides

Ilhas, abrigos para fugir das inundações;

Ilhas artificiais na Amazônia, cálculos avançados de engenharia;

Ilhas, legado dos antigos povos indígenas

Vestígios datam de até mil anos antes de Cristo;

Ilhas artificiais na Amazônia estão localizadas em reservas indígenas;

Genocidas estão incendiando tudo isso, para deixar a boiada passar.
Urna funerária, cultura marajoara, ilha de Marajó, Amazônia

Chuvas intensas alagaram nestes dias (maio 2021) Manaus e mais algumas cidades nas ribeiras da rede fluvial amazônica.

A calamidade não é nova. Já aconteceu outros anos e até com maior intensidade em decorrência do extraordinário índice pluviométrico que caracteriza a região.

Nada de aquecimento global e outras teorias que aplicadas ao caso são bobagens risíveis.

Enquanto essa desgraça atingia a uma vasta população já acostumada ao fenômeno, o blog Mar sem fim publicava uma descoberta arqueológica que, como diz esse blog, revela o quanto a Amazônia ainda é desconhecida e pouco pesquisada.

O fato pode ser espantoso para quem não acompanha blogs como nosso, ou outros seriamente interessados nas riquezas da Amazônia, não só naturais mas históricas e culturais.

Mas acontece que pesquisadores estão desvendando na Amazônia obras de engenharia comparáveis às pirâmides do Egito.

Sim comparáveis pela sua dimensão e conhecimentos de engenharia!
Mais uma vez desmentem o mito dos índios amazônicos que em seu primitivismo seriam um produto natural da selva como uma flor de Loto que brota espontaneamente nas águas.

Pelo contrário, tudo leva a supor que são remotos descendentes de civilizações decaídas que existiram antes de espanhóis e portugueses chegarem.
Arqueólogo Márcio Amaral do Instituto Mamirauá
São as ilhas artificiais da Amazônia: construções que exigiram saberes complexos em várias áreas do conhecimento.

Mais, foram erguidas nos períodos pré-colonial e colonial, no mínimo. Possivelmente, até muito antes disso, segundo acredita o arqueólogo Márcio Amaral, escreve Mar sem fim

As ilhas artificiais quebram o mito de as populações indígenas serem extremamente limitadas em seus conhecimentos antes da chegada dos europeus.

“As evidências corroboram a teoria de que a Amazônia era densamente povoada. E formada por sociedades organizadas e muito complexas, antes da colonização”, diz Amaral.
Ele faz parte do grupo de arqueólogos do Instituto Mamirauá, que está à frente dos estudos.

Amazônia Pré-colonial - Boa Esperança

https://www.youtube.com/watch?v=Grco2G1lkVg

Já foram descobertas 22 ilhas artificiais na região no Alto e Médio Solimões. Número que pode ser ainda muito maior, diante do tamanho da Amazônia, recolhe Mar sem fim de quem tiramos o essencial deste post.

Essas ilhas artificiais são apenas uma parte de um total de 250 sítios arqueológicos registrados em um quadrilátero de 180 mil quilômetros.

Desses, 65 mil quilômetros estão associados à distribuição das ilhas.

Elas são morros na realidade erigidos por civilizações multisseculares em várzeas para sobre eles construírem as aldeias abrigadas na época das cheias, aliás como a atual, acrescentamos nós.

Segundo a dinâmica de área, uma várzea costuma inundar ao menos seis meses do ano.

Cada uma tem entre seis e sete metros de altura acima do nível da várzea e a extensão varia de um a três hectares.

As ilhas artificiais são conhecidas pelos ribeirinhos como “aterrados”, que também as identificam como “construção de índio”.

Próximo a um aterrado sempre existe uma depressão, com dimensões em torno de 25 por 50 metros. São conhecidas pelos ribeirinhos como “cavados”.

Era desses locais que os saía a terra para a construção. “Ainda hoje tem muita gente que mora nos aterrados”, diz Amaral.

“Foi uma resposta complexa das antigas civilizações para sobreviver na época das cheias. E que não envolve apenas o método construtivo.”
Arqueólogos do Instituto Mamirauá identificaram 48 ilhas
construídas por indígenas ao longo de 4 anos. 'Aterrado 21'. Imagem, Márcio Amaral
A construção, por si só, já indica a necessidade de cálculos avançados de engenharia, assegura.

“Uma das maiores ilhas artificiais tem largura de cerca de 220 metros na base e no topo mede 45 metros.”

Isso foi calculado para uma melhor distribuição do peso da terra, afirma Amaral, a fim de que as ilhas se sustentassem.

O próprio volume de terra movimentado já mostra a necessidade de muitas pessoas atuando com muita organização.

“Construir estruturas com essas dimensões, com milhares de toneladas de terra, e sem maquinário, é realmente surpreendente”, acrescenta.

As ilhas artificiais foram posicionadas em locais estratégicos, próximos a muitos recursos necessários à sobrevivência, como a oferta de proteína animal.

“Elas foram construídas ao lado de bocas de paranás e lagos. Locais com fauna rica e diversificada, com muitos peixes, quelônios e jacarés.”

O conhecimento dos ribeirinhos também indica, segundo Amaral, a existência de currais de quelônios (tartarugas e afins) nessas áreas.
Parte 2: 
Vaso de gargalo recuperado em Santarém.
Fundo foto: floresta tropical úmida amazônica
Aterrado ou ilha artificial.

Vegetação típica das ilhas artificiais é bem diferente da encontrada nas várzeas.

“A cultura de plantação era diversificada, mostrando conhecimento botânico e um tratamento de engenharia genética na escolha dos alimentos cultivados.

“As mulheres, responsáveis pelas plantações, sabiam escolher quais alimentos cultivar, do açaí ao abacaxi, mais doce, a mandioca, com maior valor energético, até as ervas e plantas medicinais.

“Elas conseguiram transformar e multiplicar a variedade genética. Esses povos modificaram a paisagem, manejaram os recursos e desenvolveram estratégias de sobrevivência de acordo com o ambiente em que viviam.

“Esse foi um legado que deixaram para toda a Amazônia, que precisa ser resgatado.”

É uma surpresa admirável. A mata amazônica não é mera espontaneidade. É fruto de povos inteligentes, que sistematizavam seus conhecimentos, organizavam a produção alimentar e transformavam a selva.

Se hoje eles fizessem esse trabalho seriam condenados pela ONU, ONGs, Pastorais da CNBB, etc., etc. por atentarem conta a pureza da mata.

Entre os milhares de insumos e vestígios desse conhecimento, está ainda o denominado “pão de índio”.

É um material orgânico, que indica técnica tradicional de armazenamento de alimentos de origem vegetal.  

dão pistas sobre populações que ocuparam as ilhas artificiais na Amazônia Antiga.
Foto: Júlia de Freitas

Existem ainda muitos ossos de peixes e mamíferos, que comprovam a diversificação da alimentação à base de proteína animal nas ilhas artificiais.

E dezenas de fragmentos de cerâmicas, além de sementes carbonizadas, entre outros vestígios.

Das cerâmicas, foram encontrados fragmentos da Hachurada Zonada, estilo que, acredita-se, tenha surgido por volta do ano mil antes de Cristo, continuamos reproduzindo Mar sem fim.

Outras, contudo, são do estilo corrugado. Ele é caracterizado por “rugas” nas peças e vasos. Esse estilo, datado dos séculos XV e XVI, é comum a grupos tupis. 

Ilustração de indivíduo da população indígena Omágua, atual Kambeba.
Foto: Alexandre Rodrigues Ferreira 

Na área onde estão as ilhas viviam os omáguas, povo indígena do tronco tupi. “Acredita-se que os omáguas são ascendentes dos atuais kambebas, etnia amazônica com aproximadamente 1.500 indivíduos em território brasileiro.”

Além dos vestígios arqueológicos, há documentos sobre esses povos. São relatos em formato de crônicas feitos por portugueses e espanhóis que navegaram pela Amazônia, entre os séculos XVI e XIX.

O pesquisador do Instituto Mamirauá lembra que construções similares foram descobertas na Ilha do Marajó, Pará, e em Llanos de Mojos, Bolívia.

Segundo o arqueólogo, as descobertas derrubam o mito de que poucas civilizações antigas eram capazes de desenvolvimentos considerados sofisticados para determinadas épocas.

“Não foi apenas nos Andes ou no Egito, com suas pirâmides, como muitos pensam. Há um sistema de vida que teve sucesso ao longo de 13.000 anos aqui no país”.

“Há registros dos omáguas morando em ilhas que datam do século XVI, no mínimo. Por isso, essas ilhas podem ser historicamente associadas a eles.

“Mas, com base nessa data relativa, acreditamos que essas construções possam ser ainda mais antigas. Que essa data possa recuar bastante.”

Esses estudos, diz Amaral, foram iniciados em 2015. “Antes, algumas ilhas artificiais já tinham sido registradas na região, mas as investigações começaram nessa data, em abril.” 

Arqueólogo examina uma tigela antiga descoberta durante escavações na Floresta Nacional de Tefé,
no coração da Amazônia brasileira. Instituto Mamirauá

O trabalho é realizado na época da seca, quando a logística de deslocamento pela área amazônica é viável. São viagens que levam dias de navegação ou a pé.

O mapeamento das ilhas artificiais precisa de verbas e um trabalho que pode levar entre cinco a dez anos. Mas faltam recursos.

“Estamos reunindo as informações já coletadas para publicar artigos científicos. Mas precisamos de investimento para continuar e dar maior precisão à pesquisa.”

O Instituto Mamirauá é supervisionado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Está localizado em Tefé, a cerca de 550 quilômetros de Manaus.

A ideia ainda é investir para resgatar as informações passadas oralmente de geração para geração, típica das civilizações antigas. Foi dessa forma que os pesquisadores chegaram às ilhas artificiais.

“A arqueologia precisa se voltar para quem mora nessas áreas porque essas pessoas são as conhecedoras. E têm uma tradição oral que a gente consegue rastrear até há quatro, cinco gerações.” 

Um outro ‘aterrado’. Imagem Márcio Amaral

A momentosa matéria de Mar sem fim recebeu vários comentários, dentre os quais destacamos o assinado por Cleiton.

Ele testemunha desde o Tocantins: “Meu pai passou grande parte da sua vida morando em uma dessas ilhas artificiais!

“Na época ele trabalhava na coleta do látex para produção da borracha! Local chamado de aterro dos índios! Sacabum e lago grande! Próximo a São Paulo de Olivença!

“Inclusive meu pai levou os arqueólogos até essas ilhas artificiais onde ele viveu!”

Uma confirmação viva dessa realidade que fala da grandeza que aguarda à Amazônia nos anos vindouros, superadas as demagogias, mecanizações imprudentes, ignorâncias e ideologias abstratas ou fanáticas. E que emocionou ao responsável de Mar sem fim.

A verdadeira história da Amazônia está para ser escrita, e nada permite acreditar que seu rosto final tenha algo a ver com as mistificações da Teologia da Libertação e do comuno-missionarismo que tudo faz para que essa história verdadeira venha à luz.


NOTAS:
Parte 1: continua no próximo post: A verdadeira história da Amazônia está para ser escrita
https://ecologia-clima-aquecimento.blogspot.com/2021/05/ilhas-artificiais-na-amazonia-exigiram.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+VerdeACorNovaDoComunismo+%28Verde%3A+a+cor+nova+do+comunismo%29

Parte 2: continuação do posta anterior: Ilhas artificiais na Amazônia exigiram uma engenharia comparável às pirâmides do Egito

https://ecologia-clima-aquecimento.blogspot.com/2021/05/a-verdadeira-historia-dos-povos-que.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+VerdeACorNovaDoComunismo+%28Verde%3A+a+cor+nova+do+comunismo%29

Globalização e integração territorial – o caso da região de Tefé no Amazonas

https://journals.openedition.org/confins/13154

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Rockfeller, USA, e a exploração da Amazônia permitida pelos "novos militares"

 " É a América Latina, a região das veias abertas. Desde o descobrimento até os dias de hoje, tudo sempre se transmutou em capital europeu ou, mais tarde, em capital norte-americano, e como tal se acumulou e se acumulou nos distantes centros de poder. Tudo: a terra, seus frutos e suas profundezas ricas em minerais, o homem e sua capacidade de trabalho e consumo, recursos naturais e recursos humanos”.

  • Em “Veias Abertas da América Latina”, do uruguaio Eduardo Galeano. Em suas quase 500 notas, o livro apresenta como nosso continente foi expropriado ao longo dos séculos. No livro é citado um acordo Brasil-EUA de 1964 na ditadura militar, que permitia que os aviões da Força Aérea sobrevoassem e fotografassem a floresta amazônica: “Eles usaram cintilômetros para detectar depósitos minerais radioativos pela emissão de comprimentos de onda de intensidade variável, eletromagnetômetros para radiografar o solo rico em minerais não-ferrosos e magnetômetros para descobrir e medir o ferro. As reportagens e fotografias adquiridas no reconhecimento da extensão e profundidade das riquezas secretas da Amazônia foram colocadas nas mãos de empresas privadas interessadas no assunto, graças aos bons serviços do Serviço Geológico dos Estados Unidos. Na imensa região foi comprovada a existência de ouro, prata, diamantes, gipsita, hematita, magnetita, tântalo, titânio, tório, urânio, quartzo, cobre, manganês, chumbo, sulfatos, potássio, bauxita, zinco, zircônio, cromo e mercúrio.

Gerard Colby, entrevistado pelo jornal Folha de S. Paulo em 1996, disse: “Depois do golpe militar de 1964, não só o destino do Brasil passou por uma imensa mudança, mas a Amazônia e os índios se abriram para um genocídio ainda maior. E Nelson Rockefeller sabia o que estava acontecendo dentro do país. O que ele faz? Ele viaja ao Brasil em 1969, se reúne diretamente com a liderança militar, recebe o relatório do Serviço Nacional de Inteligência … e em seguida você vê Nelson pedindo apoio para o que ele chama de “novos militares” para ser a vanguarda do desenvolvimento. Um militar que promoveria coisas como a Rodovia Transamazônica. Não é de surpreender que, em 1972, o New York Times  publique o primo de Nelson, Richard Aldrich, que era então o presidente da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, afirmando entusiasticamente que “esta estrada é terrivelmente importante para o desenvolvimento do interior. Já está trazendo pessoas e tornará as matérias-primas muito mais acessíveis ao mundo exterior.”

Em 2021, Os "NOVOS MILITARES" continuam obedientes, e tornará as matérias-primas muito mais acessíveis ao mundo exterior.”, como mencionou o primo de Nelson Rockfeller, Richard Aldrich em 1972 ao  New York Times.

Mão da América, obra de Niemeyer inspirada no livro de Galeano que é símbolo de SP

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Militares e a fila de empresas – e outros órgãos públicos – interessados na liberação da mineração em terras indígenas.

NA TERRA INDÍGENA Alto Rio Negro, na fronteira da Amazônia com a Colômbia, a reforma da pista de 2 quilômetros do aeroporto de Iauaretê se arrasta desde 2005. Para substituir asfalto por concreto, material mais durável, os militares da Comissão de Aeroportos da Região Amazônica, a Comara, que administra o local, extraem granito de uma mina a pouco mais de 1 quilômetro da pista. Não é incomum as Forças Armadas explorarem minas para obras, principalmente em regiões afastadas. Porém, não há qualquer registro dessa extração na Agência Nacional de Mineração, a ANM, órgão que regula a atividade, e a Constituição proíbe a mineração em terras indígenas. Ou seja, a mina que alimenta as obras do aeroporto na cidade de São Gabriel da Cachoeira é clandestina e ilegal.

A região da terra indígena Alto Rio Negro é conhecida como “Cabeça do Cachorro” por causa do formato da linha da fronteira. O território tem cerca de 80 mil km² — cinco vezes a cidade de São Paulo — e abriga mais de 26 mil indígenas de 22 etnias. Chegamos até a mina clandestina da Aeronáutica a partir de dados levantados pelo projeto Amazônia Minada, do InfoAmazonia, que monitora requerimentos de mineração dentro de terras indígenas da Amazônia.

Entramos em contato com a assessoria de imprensa da Aeronáutica, que confirmou a existência da mina – sem explicar, no entanto, como explora um local que tem a mineração proibida. Em nota, enviada em 12 de novembro, o órgão informou que o granito extraído da mina é utilizado exclusivamente na produção de brita da reforma da pista, que já gastou R$ 63 milhões em 15 anos.

Três semanas depois, em 3 de dezembro, a Aeronáutica reformulou a sua versão e nos respondeu, via Lei de Acesso à Informação, que “embora conste no site da ANM o município de Japurá/AM, a atividade é em Iauaretê”. Uma referência ao único pedido de mineração protocolado pelo órgão na região, a 108 quilômetros do aeroporto em reforma. Só esqueceram de dizer que o pedido nunca foi aceito e tem coordenadas geográficas específicas – também dentro da terra indígena Alto Rio Negro. Uma decisão liminar da Justiça Federal do Amazonas de agosto de 2019, inclusive, proíbe a mineração e mesmo a pesquisa para mineração em todas as terras indígenas da Amazônia.

Ainda segundo a assessoria de imprensa, o material extraído da mina é utilizado no “aeródromo militar de Iauaretê”, que é “estratégico e necessário ao suporte à saúde das comunidades indígenas”. Ajudar os povos indígenas da região, no entanto, não parece ser o principal objetivo dos militares. Por falta de plano e entraves burocráticos, o aeródromo ficou quase um ano e meio sem voos. Em fevereiro de 2019, o Ministério Público Federal do Amazonas apresentou uma ação civil pública contra a Aeronáutica e outros órgãos federais para garantir voos para os Distritos Sanitários Especiais Indígenas, os DSEIs, na região do Rio Negro.

Uma denúncia feita por servidores dos DSEIs apontava que voos estavam proibidos em nove aeródromos da região, incluindo o de Iauaretê, de 6 de dezembro de 2018 até 31 de dezembro de 2020. Os aeródromos estavam fechados na Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, por falta de Plano Básico de Zona de Proteção — documento que estabelece, por exemplo, qual área próxima do aeroporto é exclusiva para voos e não permite construções. Ou seja, Aeronáutica, Ibama, Funai e Anac fecharam pistas usadas para atendimento de saúde indígena, em regiões onde o acesso por estrada é inexistente e por rio pode demorar dias, por uma simples pendência burocrática.

A denúncia ressaltava a necessidade de atendimento aéreo a povos indígenas, principalmente em casos de emergências médicas como “picadas de cobra, paradas cardíacas, partos prematuros ou com complicações, risco de vida infantil”.

Após alegações de órgãos federais sobre quem seria o responsável por solicitar a documentação, a magistrada Jaiza Maria Pinto Fraxe, da Justiça Federal no Amazonas, acatou o pedido liminar do MPF em 6 de março, menos de um mês após a apresentação da ação, e ainda criticou duramente a União: “É inadmissível que, em pleno século XXI, duas estruturas de poder público não se comuniquem entre si para solucionar uma simplória burocracia capaz de efetivar a saúde dos povos que formam a identidade da população brasileira”, escreveu a magistrada.

Uma cratera para a Aeronáutica chamar de sua

Imagens do Google Earth comprovam que até 2004 a região da mina explorada pelos militares estava intocada. O próximo registro da área no aplicativo é de 2016, mostrando o local já completamente alterado, com uma cratera de pouco mais de 100 metros de diâmetro e 4 metros de profundidade. Foi desse local que saiu a brita para os 800 metros de pista que já estão concretados, restando ainda 1,2 km.

Ibama e Funai são mencionados em notas divulgadas pela Aeronáutica como facilitadores de acordos com os índios. Mas lideranças locais nos contam que a história não é bem assim. Eles reclamam de atropelos e que não são ouvidos pelos militares e nem mesmo pela direção da Funai.

Iauarete-2020

Iauaretê em três tempos no Google Earth: 2020, 2016 e 2004.Mapas: Reprodução/Google Earth

Assim como não há registro da mina, tampouco há qualquer plano de manejo do dano ambiental causado. Pesquisador dos povos indígenas do Rio Negro, Geraldo Andrello, professor de antropologia da Universidade Federal de São Carlos, visita o distrito de Iauaretê quase todos os anos e questiona a inação do governo.

“Lembro que já fui algumas vezes na região e há uma mina sendo explorada. Se a utilizaram por tantos anos, o mínimo que se espera é que a Aeronáutica tenha um plano de recuperação ambiental da área”, diz o pesquisador, que também é membro do Conselho de Gestão Estratégica do Programa Rio Negro e sócio-fundador do Instituto Socioabiental.

Há 15 anos, a intenção inicial da Aeronáutica era explorar uma formação rochosa na Serra do Bem-Te-Vi. As 22 etnias indígenas que vivem na região se surpreenderam ao saber da intenção dos militares: no local está localizada a Cachoeira do Iauaretê, declarada Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan por ser considerada sagrada pelos indígenas. “Não soube se houve qualquer tipo de consulta, mas essas obras do governo nunca funcionam no tempo devido para o debate. Precisamos entender que na concepção dos índios todos esses lugares são habitados por entidades. É como se alguém chegasse na sua casa e mexesse em tudo”, diz Andrello.

Depois de protestos e da atuação de ONGs e do Iphan, a Aeronáutica mudou o alvo de lugar. Mesmo assim, a área escolhida, a 1 km da pista, continuou dentro da terra índigena.

No dia 4 de novembro, enviamos questionamentos à ANM sobre a mina sem registro explorada pelos militares no distrito de Iauaretê e sobre o requerimento protocolado pela Aeronáutica em Japurá, em 2014, para extração de granito a 108 quilômetros do aeroporto. Não obtivemos retorno da agência até a publicação desta reportagem.

À espera do príncipe

De mais de 3 mil requerimentos de mineração sobrepostos a terras indígenas da Amazônia identificados pelo Amazônia Minada, 83 têm a terra indígena Alto Rio Negro como alvo principal – quase a metade em busca de ouro. O único pedido formal da Aeronáutica para extrair granito na região, no distrito de Japurá, foi feito em 19 de março de 2014. A última movimentação processual ocorreu cinco dias depois, com indicação de que o pedido está “situado em área indígena”.

No sistema da ANM não há qualquer sinalização de aprovação ou rejeição do pedido que tem como alvo uma área do tamanho de quase cinco campos de futebol: 4,9 hectares. Sob condição de anonimato, um oficial militar que já trabalhou na região garantiu que, pela distância, a retirada de pedra do local indicado no processo na ANM seria inviável economicamente. Pelo jeito, a solução encontrada foi explorar uma área indígena sem consultar o órgão regulador do setor de mineração e atropelar a Constituição.

Em resposta a um pedido de Lei de Acesso à Informação, a agência informou que processos negados são retirados do sistema. Então, apesar de estar parado, o requerimento ainda está vivo e pode um dia se tornar uma grande mina em meio a terra indígena. É o que o MPF já chamou de “requerimentos Bela Adormecida”, que aguardam apenas uma lei que libere a mineração nessas áreas.

Em fevereiro deste ano, o governo Bolsonaro se propôs a ser esse príncipe encantado. O projeto de lei 191/2020, de autoria do Executivo, prevê a possibilidade de exploração de mineração em terras indígenas. Esse interesse de órgãos públicos em explorar o subsolo de regiões protegidas pela Constituição não é novidade. Há dezenas de pedidos ativos ligados ao setor público, alguns protocolados na década de 1970. Porém, o apoio escancarado do presidente transforma cada requerimento em uma ameaça ainda maior para os povos indígenas.

Em setembro, o Ministério de Minas e Energia ainda apresentou o Programa Mineração e Desenvolvimento, que tem como uma de suas metas “promover a regulamentação da mineração em terra indígena” até 2023. A deputada Joênia Wapichana, da Rede de Roraima, apresentou um projeto de decreto legislativo para sustar os efeitos desse trecho do programa do MME, que segue parado no Congresso.

Sem a sua ajuda o Intercept não existe

De olho no subsolo das aldeias

Há uma fila de empresas – e outros órgãos públicos – interessados na liberação da mineração em terras indígenas. Os pedidos se mantém ativos por anos, às vezes décadas, esperando a canetada que afinal liberará a exploração. E o troca-troca de executivos entre setor público e privado escancara os interesses em lucrar com os minérios na região.

A Petrobras, por exemplo, é uma das instituições com dinheiro público interessadas em minerar solo indígena. A empresa de economia mista protocolou em 2005 na ANM três requerimentos de silvinita, minério de onde é extraído o potássio para fertilizantes, na terra indígena Paraná do Arauató, no Amazonas, estado que abriga a maior reserva do minério de potássio no mundo.

A empresa pública Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, a CPRM, órgão responsável pelo planejamento geológico do Ministério de Minas e Energia, é outro órgão federal com requerimentos em terras indígenas.Entre 1975 e 1985, a empresa fez 12 pedidos em áreas de povos indígenas do Amazonas, Pará e Roraima para pesquisar diversos tipos de minério, de ouro a nióbio. Mesmo depois de tanto tempo, todos esses pedidos continuam tramitando na ANM.

O Ministério de Minas e Energia também tinha como secretário Nacional de Energia, até outubro de 2019, Ricardo de Abreu Sampaio Cyrino. Ao deixar o ministério, ele foi trabalhar na iniciativa privada e, atualmente, é presidente da Atiaia Energia S.A.. Focada na produção de energia solar e eólica e na instauração de pequenas centrais hidrelétricas, a empresa tem dois requerimentos de pesquisa de argila na terra indígena Tirecatinga, de Mato Grosso. Ou seja, depois de deixar a pasta que luta pela regularização da mineração no subsolo de aldeias, ele foi para uma empresa interessada em minerar o subsolo de… aldeias.

Gestões estaduais não ficam de fora desse interesse pelas riquezas em subsolo de áreas indígenas. A Companhia de Desenvolvimento de Roraima, empresa pública responsável pela concessão de licenças de mineração no estado, protocolou 29 requerimentos na ANM entre 1980 e 1984. Um processo é na terra Raposa Serra do Sol, que em 2009 ganhou as manchetes de jornais nacionais após os ministros do STF decidirem pela sua demarcação contínua e retirada de ocupantes não indígenas. Os outros 28 pedidos minerários estão em área Yanomami, terra que concentra 502 casos, entre todos os 3.211 processos minerários em terras indígenas da Amazônia.

Militares e minérios

Já a relação da Comissão de Aeroportos da Região Amazônica com a mineração é antiga. Desde a década de 1980, os militares exploram granito na pedreira de Moura, no município de Barcelos, no Amazonas. Segundo a Aeronáutica, o material é usado “para a construção das obras de infraestrutura aeroportuária em boa parte da região amazônica”. Diferentemente da mina em São Gabriel, ela não fica em terra indígena, mas também acumula irregularidades.

Além da Comara, pelo menos outras três mineradoras exploravam a pedreira de Moura: Britamazon Indústria Comércio e Mineração Ltda, Ita Mineração Ltda e Geonorte Geologia do Norte Ltda. Em 2016, o Ministério Público Federal ajuizou uma ação civil pública contra o órgão da Aeronáutica e as três empresas. Segundo o MPF, todos descumpriram licenças ambientais e causaram danos ao meio ambiente “em decorrência da extração mineral irregular de brita”.

Em decisão liminar de setembro de 2016, o juiz federal Emmanuel Mascena de Medeiros determinou a paralisação das atividades no local. O magistrado citou relatório de fiscalização do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonasque identificou, entre outras irregularidades, a dispensa de rejeitos do processo de britagem em curso d’água.

No ano passado, o vice-presidente da Comara, coronel aviador Steven Meier, visitou a Britamazon, em Barcelos. Apesar de a empresa de mineração desrespeitar regras de órgãos ambientais, o coronel assina um texto publicado no site da Comara definindo a visita como importante para “avaliar os processos, sua produção em larga escala e absorção das técnicas na área de mineração”. Ele também afirma que a empresa “sobressaiu-se no mercado” e que visitá-la foi de “grande valia”.

Esta reportagem faz parte do Amazônia Minada, projeto especial do InfoAmazonia com o apoio do Amazon Rainforest Journalism Fund e do Pulitzer Center.

https://theintercept.com/2020/12/07/aeronautica-mina-clandestina-terra-indigena/?fbclid=IwAR2ekHxxq4DVPYRyFboCNs_MCyBx1D_YyRh7iIgDpkFYc0eulLPT-byuTaY