sábado, 23 de outubro de 2021

O Rei D. José I cria, através da Carta Régia de 3 de março de 1755, a Capitania de São José do Rio Negro, aldeia de Mariuá, atual cidade de Barcelos.

 A Constituição de 1824, outorgada por D. Pedro I, confirmou a inexistência do 
Rio Negro como província.
Durango Duarte escritor
Rio Negro

Os maiores arquipélagos do mundo estão na Amazônia. Em 2º lugar está o arquipélago de Anavilhanas, com mais de 400 ilhas e em 1º lugar está o arquipélago de Mariuá - Barcelos, com mais de 1.400 ilhas, ambos no localizados no Estado do Amazonas, Brasil.O Município de Barcelos, situado na margem direita do Rio Negro é o maior município do Estado do Amazonas, com uma área territorial de 89.572 km², está localizado a 396 km em linha reta de Manaus e 496 km por via fluvial.

 Parque Estadual Serra do Aracá  município de Barcelos 
https://www.youtube.com/watch?v=-MBXXN4eFZs
A Cachoeira do El Dorado é a mais alta queda d’água do Brasil com mais de 353 m de altura. Está localizada no monte Tantalita, na serra do Curupira, no município de Barcelos.
Em Barcelos está o Arquipélago Mariuá, o maior arquipélago fluvial do mundo que faz parte do Parque Serra do Araçá e do Parque do Jaú na floresta Amazônica brasileira. São 1.400 ilhas cobertas por densa floresta onde em determinadas épocas do ano surgem os extensos depósitos arenosos de quartzito, que formam belas praias de areia muito branca de uma beleza cênica imensurável.
Arquipélago de Anavilhanas (fluvial)
https://www.youtube.com/watch?v=s1hpYhT6fv8
A 200 quilômetros de Manaus (AM), o Parque Nacional de Anavilhanas protege o segundo maior arquipélago fluvial do mundo. Com cerca de 400 ilhas em meio ao Rio Negro, o parque é o local perfeito para conhecer a flora, a fauna, as águas, a história e a cultura amazônica, demonstrando a importância de conservar a natureza.

A reforma administrativa e política do estado do Amazonas, tema palpitante que raros amazonenses conhecem com profundidade e poucos com superficialidade, teve muitas idas e vindas. Isso despertou-me o interesse em abordá-lo e compartilhá-lo, ainda que “de passagem”.

A abordagem está dividida em sete textos que serão postados semanalmente. É uma perspectiva histórica na qual narrarei o seu passo-a-passo. Socorri-me da vasta literatura conhecida e outras desconhecidas, fruto de muita pesquisa. Estas trarão novas e relevantes informações.

Tudo começa quando o Rei D. José I cria, através da Carta Régia de 3 de março de 1755, a Capitania de São José do Rio Negro. De acordo com aquele documento, a capital da nova Capitania seria a Vila de São José do Javari. Mas dois anos mais tarde, a capital seria transferida para a então aldeia de Mariuá, atual cidade de Barcelos.

Entre 1779 e 1786 a Capitania foi administrada por oito juntas governativas provisórias, todas subordinadas ao Grão-Pará e Rio Negro. Somente em 1792, graças ao empenho de Lobo d’Almada, a sede da Capitania foi transferida para o Lugar da Barra, atual Manaus. A Barra tornou-se sede definitiva de São José do Rio Negro em 29 de março de 1808.

Em março de 1821, por meio da Decisão de Governo n. 13, o ministro e secretário de Estado dos Negócios do Reino, Ignácio da Costa Quintella, comunicava oficialmente a partida de D. João para Portugal e a imediata convocação das eleições dos representantes brasileiros para as Cortes em Lisboa.

As eleições para as Cortes de Lisboa movimentavam o país. Em São José do Rio Negro, a eleição aconteceu em 14 de janeiro de 1822, sendo escolhidos os deputados José Cavalcante de Albuquerque (titular) e João Lopes da Cunha (substituto), primeiros representantes federais eleitos pelo voto popular da história do Amazonas.

O Pará até reconhecia a legitimidade da Província do Rio Negro e a vontade em fazer com que as Cortes de Lisboa também aceitassem e sancionassem a elevação rionegrina, bem como a junta de governo. Mas o deputado José Ricardo da Costa Aguiar de Andrada, que residia no Pará, com apenas um discurso, mudou a situação da província quando questionou a emancipação da Província do Rio Negro, dizendo tratar-se de um equívoco. Sem representantes em Portugal, a província não pôde contra argumentar e não se emancipou.

Bem, essa introdução é só um aperitivo, depois veio o movimento pela Independência do Brasil, notícia que só chegou na Barra em 9 de novembro de 1823, quatorze meses após o grito de D. Pedro I, até que o imperador D. Pedro II assinou a Lei 582, de 5 de setembro de 1850, criando a província do Amazonas.

Grão-Pará e Maranhão

Em 1750, Portugal e Castela (atual Espanha), as duas maiores potências marítimas da época, assinaram o Tratado de Madri, documento que reorganizou as linhas territoriais das colônias sul-americanas que lhes pertenciam. Por este tratado, a Coroa portuguesa do rei D. João V (pai de D. José I) obteve a posse definitiva das terras situadas além da linha estipulada pelo Tratado de Tordesilhas, em especial, as conquistadas na região amazônica pelos espanhóis. Os novos limites estabelecidos serviram para a criação, em 1751, do estado do Grão-Pará e Maranhão (antigo estado do Maranhão e Grão-Pará), que, com o estado do Brasil, compunham as duas unidades administrativas então existentes na colônia. Com sede em Belém e subordinado diretamente a Lisboa, o novo estado possuía um território que compreendia as áreas dos atuais estados do Amazonas, Roraima, Pará, Amapá, Maranhão e Piauí. Seu primeiro governador, por indicação régia, foi Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão do então secretário de Estado para Assuntos Exteriores, e futuro primeiro-ministro português, Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido como Marquês de Pombal. Duas décadas mais tarde, Grão-Pará e Maranhão foi dividido, originando-se os estados do Grão-Pará e Rio Negro e do Maranhão e Piauí, passando o Brasil a ter três unidades administrativas.

De acordo com aquele documento, a capital da nova Capitania seria a Vila de São José do Javari. No entanto, em razão desta localizar-se muito próxima à fronteira com as colônias espanholas, dois anos mais tarde o alvará de 18 de julho de 1757, transferiu a capital para a então aldeia de Mariuá, situada numa região mais central, menos exposta à invasão castelhana e próxima a Belém, sede do estado.

Aldeia de Mariuá

A aldeia de Nossa Senhora da Conceição de Mariuá, atual cidade de Barcelos, foi fundada em 1728 pelo frei Matias de São Boaventura. Localizada na margem direita do rio Negro, próxima à foz do rio Uneixi, era habitada inicialmente por índios Manau, Baré, Pariana, Uiraquena e Passé, sendo o seu líder o tuxaua Camandri. Em meados do século XVIII, quando Portugal e Espanha decidiram realizar nova demarcação de limites em suas colônias americanas, Mariuá foi escolhida para ser, na parte norte do Brasil, o ponto de encontro entre os dois plenipotenciários: o português Francisco Xavier de Mendonça Furtado, capitão-general e governador do Grão-Pará e Maranhão, e o espanhol D. José Iturriaga, cavaleiro da Ordem de São Tiago e chefe da esquadra da armada real. Primeiro a chegar ao local do encontro, Mendonça Furtado aportou em Mariuá no dia 28 de dezembro de 1754. Enquanto aguardava Iturriaga, realizou diversos melhoramentos na aldeia com a colaboração do engenheiro Felipe Sturn. Foi em Mariuá que Mendonça Furtado recebeu, em 1755, a carta régia que criava a Capitania de São José do Rio Negro. O encontro entre os dois embaixadores nunca aconteceria, porém, a estrutura deixada por Mendonça Furtado naquela aldeia a credenciaria, poucos anos depois, a ser escolhida como capital do Rio Negro.

No ano seguinte, a 6 de maio de 1758, o governador Mendonça Furtado elevou Mariuá à categoria de vila, com o nome de Barcelos. A instalação efetiva da Capitania de São José do Rio Negro ocorreu no outro dia, sendo seu primeiro governador, por indicação régia, o coronel Joaquim de Melo e Póvoas, que era sobrinho de Mendonça Furtado e do primeiro-ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido como Marquês de Pombal. Ressalte-se que, até à chegada de Melo e Póvoas, foi o próprio Mendonça Furtado quem governou a nova Capitania. Nesta época, além de São José do Rio Negro, o estado do Grão-Pará e Maranhão era composto pelas capitanias do Pará, Maranhão e Piauí.

Mendonça Furtado

Francisco Xavier de Mendonça Furtado nasceu em 1700 na freguesia de Nossa Senhora das Mercês, em Lisboa. Filho de Manuel de Carvalho e Ataíde e de Teresa Luísa de Mendonça, estudou na Universidade de Coimbra e foi arcipreste na capital portuguesa. Teve onze irmãos, incluindo Sebastião José Carvalho e Melo, o marquês de Pombal. Aos onze anos de idade, tornou-se moço-fidalgo da Casa Real. Serviu a Armada Real portuguesa por quase dezesseis anos, participando de batalhas pela Europa, em defesa da Coroa lusa. Partiu para o Brasil em 1737 e em Pernambuco defendeu o litoral contra a invasão francesa. Por sua vasta experiência militar, em 24 de setembro de 1751 foi empossado governador do Estado do Grão-Pará e Maranhão e suas primeiras ações administrativas foram fundar missões religiosas para colonizar as terras devolutas e cristianizar os nativos da região, chefiar a Comissão de Limites com os espanhóis (1757-1758) e criar a Capitania de São José do Rio Negro. Seu governo à frente do Grão-Pará e Maranhão durou até 1759, quando foi substituído por Manuel Bernardo de Melo e Castro. Em 20 de março de 1760, assumiu o cargo de secretário de Estado dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos. Faleceu em 15 de novembro de 1769, em Vila Viçosa, Portugal.

Sob a condição de vila, Barcelos foi dotada de uma Câmara Municipal, cujos primeiros membros foram João Nobre da Silva e Manoel de Vasconcelos, juízes; Xavier da Silva Oliveira, Estevão Cardoso de Ataíde e Francisco Xavier de Morais, vereadores; Agostinho Cabral de Sousa, procurador, e Francisco Xavier de Andrade, tabelião e escrivão.

Na administração do quinto governador da Capitania do Rio Negro, coronel Joaquim Tinoco Valente, empossado em 16 de outubro de 1763, pensou-se em construir em Barcelos o palácio do governo. Entretanto, como a ideia foi vetada pela capital paraense, a solução encontrada foi reformar o hospício dos carmelitas e torná-lo o prédio administrativo da Capitania.

Em 20 de agosto de 1772, o estado do Grão-Pará e Maranhão foi dividido em duas unidades administrativas independentes: estado do Maranhão e Piauí – com base em São Luís e cujo primeiro governador foi Joaquim de Melo e Póvoas – e estado do Grão-Pará e Rio Negro – sediado em Belém e administrado por João Pereira Caldas.

Joaquim de Melo e Póvoas

Nascido por volta de 1722, em Paço do Lumiar, Freguesia de Lumiar, arredores de Lisboa, Joaquim de Melo e Póvoas era sobrinho distante de Francisco Xavier de Mendonça Furtado e do marquês de Pombal. Militar da cavalaria, em 18 de julho de 1757 foi nomeado primeiro governador da capitania de São José do Rio Negro, tomando posse em 7 de maio de 1758. Em sua administração, foram fundadas as vilas de Moura, Thomar, Serpa, Silves, Ega, Olivença e São José do Javari, e os lugares de Airão, Carvoeiro, Alvarães, Poiais, Castro de Avelãs, Nogueira, Fonte Boa e de Moreira. Deixou São José do Rio Negro em 25 de dezembro de 1760 e assumiu como governador da capitania do Maranhão em 16 de julho de 1761. Dez anos depois, recebeu a patente de brigadeiro de cavalaria. Em 1772, foi nomeado governador da capitania de Pernambuco, mas não chegaria a assumir, em face de articulações políticas que lhe foram desfavoráveis. Permaneceu em solo maranhense e em 9 de junho de 1773 foi elevado a primeiro governador do Estado do Maranhão e Piauí. Em 7 de julho de 1774, recebeu o título do Conselho de Sua Majestade. Sua administração à frente do Maranhão e Piauí se estendeu da posse, em 20 de julho de 1775 até 6 de novembro de 1779. Faleceu em maio de 1787 em sua cidade natal.

Da morte do coronel Tinoco Valente, ocorrida em 23 de agosto de 1779, até à nomeação do brigadeiro Manoel da Gama Lobo d’Almada em 26 de agosto de 1786, a Capitania de São José do Rio Negro foi administrada por oito juntas governativas provisórias, todas subordinadas diretamente ao marechal Pereira Caldas, ex-governador do Grão-Pará e Rio Negro e então responsável pela demarcação das fronteiras na região. As juntas eram formadas pelo ouvidor, pelo vereador mais velho da Câmara Municipal da vila de Barcelos e pelo comandante da Guarnição.

Lobo d’Almada somente veio a assumir São José do Rio Negro em 9 de fevereiro de 1788, quase dois anos após sua nomeação, demora justificada pelos trabalhos de exploração que ele estava realizando no vale do rio Branco. Quatro anos mais tarde, a sede da capitania foi transferida para o lugar da Barra (atual cidade de Manaus) pela primeira vez, por causa da “sua situação geográfica e pela salubridade que oferecia.” (REIS, 1934, p. 51).

O lugar recebeu melhoramentos, a igreja matriz da Barra passou por reformas e foram construídos uma sede administrativa e prédios destinados à Guarnição, além de armazéns para a Fazenda. Àquela época, conforme o censo demográfico realizado na região em 1793, a Capitania possuía 13.728 habitantes, sendo 11.789 índios, 1.365 brancos e 574 negros (LOUREIRO, 1979, p. 139).

O sucesso obtido por d’Almada em seu trabalho pelo desenvolvimento do Alto Amazonas gerou-lhe atritos com o governador do estado, Francisco de Sousa Coutinho, que parecia temer a perda do cargo para o capitão-mor do Rio Negro. Coutinho passou a articular contra d’Almada, principalmente junto a Lisboa, acusando-o levianamente de improbidade.

A estratégia do governador (que era irmão do ministro Rodrigo de Sousa Coutinho, secretário dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos) atingiu seu objetivo com o aviso enviado de Portugal a Lobo d’Almada em 17 de julho de 1797, alertando ao capitão-mor de que não enriquecesse com o ouro da Coroa. Em 2 de agosto daquele mesmo ano, Lobo d’Almada enviou carta a Lisboa elencando motivos para que a Coroa elevasse a Capitania a Governo Geral do Rio Negro. Não obteve, porém, resposta positiva.

Diante das acusações de improbidade administrativa, em 22 de janeiro de 1798 o capitão-mor rionegrino realizou em sua defesa um inventário minucioso de todos os seus bens e comprovou que, na realidade, era a Fazenda Real quem lhe devia soldos. Naquele mesmo ano, em 3 de agosto, d’Almada sofreria nova derrota política: por ordem do ministro Rodrigo de Sousa Coutinho, a sede da Capitania voltou para a vila de Barcelos, mudança que ocorreu efetivamente em maio de 1799.

Sua sequência de infortúnios naquele ano prosseguiu: a 31 de agosto, o coronel José Antônio Salgado foi nomeado para substituí-lo no comando da Capitania. E dois meses depois, em 27 de outubro de 1799, Manoel da Gama Lobo d’Almada sucumbiu ante o paludismo adquirido em suas expedições no Alto Rio Negro e o desgosto por ter sua reputação manchada, graças às articulações do governador Francisco de Sousa Coutinho.

O “algoz” de Lobo d’Almada encerrou sua administração à frente do governo do estado do Grão-Pará e Rio Negro em 1803, sendo sucedido por D. Marcos de Noronha e Brito. Este, em 13 de agosto de 1805, como forma de reconhecer o trabalho de d’Almada na região, ordenou ao recém-nomeado capitão-mor do Rio Negro, coronel José Simões de Carvalho, que reconduzisse a sede da capitania para o lugar da Barra. A transferência, porém, não ocorreu, porque Simões de Carvalho, em meio à viagem para assumir o cargo, faleceu no dia 7 de outubro de 1805, em Vila Nova da Rainha (Parintins), vítima, segundo relatam alguns historiadores, de uma indigestão causada por ovos de tartaruga.

Lobo d’Almada

Manoel da Gama Lobo d’Almada é natural de Lisboa e nasceu em 1745. Engenheiro militar, geógrafo e cartógrafo, ingressou na Armada Real em 1762 e aos vinte e poucos anos foi degredado para Mazagão, no Marrocos, onde trabalhou como ajudante de ordens do comandante. Sua atuação na defesa dessa região lhe rendeu o perdão do exilo, a patente de sargento-mor e a nomeação, em 5 de setembro de 1769, a comandante da fortaleza de São José do Macapá, na parte norte do Brasil. Chegou ao Estado do Grão-Pará e Maranhão entre o final de 1769 e o início de 1770. Em 1771, comandou a instalação das famílias portuguesas na vila Nova Mazagão, sul do atual estado do Amapá. Recebeu a patente de tenente-coronel e permaneceu em Nova Mazagão até 13 de março de 1773, quando retornou para São José do Macapá, onde ficou até 1784. Em abril desse mesmo ano, foi promovido a coronel e passou a integrar a Comissão de Demarcação e Limites com a Espanha e a comandar o forte de São Gabriel. Em 1786, foi nomeado governador da capitania de São José do Rio Negro, assumindo o cargo somente em 1788. Foi pelas mãos de d’Almada que Manaus, à época lugar da Barra, tornou-se sede da capitania do Rio Negro pela primeira vez, em 1791. Faleceu em 27 de outubro de 1799, na vila de Barcelos.

José Joaquim Vitório da Costa, que assumiu a administração rionegrina em 4 de fevereiro de 1806, transferiu sua residência da vila de Barcelos para o lugar da Barra em 10 de outubro de 1807, de onde passou a governar a capitania. Poucos meses depois, a Barra, enfim, tornou-se sede definitiva de São José do Rio Negro, fato ocorrido em 29 de março de 1808. E para sacramentá-la como capital, em 1816 o capitão-mor Vitório da Costa deu ordens ao seu genro Francisco Ricardo Zany para que destruísse todas as construções reais existentes na vila de Barcelos, poupando apenas o palácio, a igreja e a provedoria.

Quando estava prestes a ser substituído na governança da capitania, Vitório da Costa, que não gozava da simpatia das vilas, “solicitou” às câmaras municipais que emitissem atestado, elogiando a sua administração. Sob a ameaça de serem degredados para as prisões localizadas no lugar do Crato (atual cidade de Manicoré) e no forte de São José de Marabitanas (construção que se encontra atualmente em ruínas no município de São Gabriel da Cachoeira), os vereadores cederam ao seu “pedido”, à exceção da câmara da vila de Serpa (hoje, município de Itacoatiara).

Último governador de São José do Rio Negro antes da Independência do Brasil, Manoel Joaquim do Paço assumiu o cargo em 10 de dezembro de 1818. Para conquistar a simpatia popular e prolongar o seu mandato, o coronel solicitou a Portugal que concedesse autonomia para a capitania.

Seu pedido ao rei D. João VI contou com o apoio de Silves, Barcelos e Vila Nova da Rainha (Parintins). No entanto, mais uma vez a subordinação ao Pará permaneceu. Decorridos três anos de sua administração, Paço foi derrubado do comando da Capitania.


Elevação de Manaus à Categoria de vila

O ano de 1833 se mostraria nada auspicioso às aspirações de emancipação da região rionegrina. Com o advento do Código do Processo Criminal – promulgado pela Regência em novembro do ano anterior –, os presidentes, em conselho, ficaram incumbidos de reorganizarem a divisão administrativa de suas províncias, seguindo a orientação do artigo 3º daquele documento:

Na Província onde estiver a Corte, o Governo, e nas outras os Presidentes em Conselho, farão quanto antes a nova divisão de Termos e Comarcas proporcionada, quanto for possível, à concentração, dispersão, e necessidade dos habitantes, pondo logo em execução essa divisão, e participando ao Corpo Legislativo para ultima aprovação.

(Lei de 29 de novembro de 1832, que promulgou o Código do Processo Criminal de primeira instância, com disposição provisória acerca da administração da Justiça Civil)

Em face desta determinação, em 25 de junho daquele ano o então presidente da província do Pará, José Joaquim Machado de Oliveira, enviou à Câmara Municipal de Serpa (que ainda era classificada como vila) um documento que dividia o território paraense em três comarcas: Grão Pará, Baixo Amazonas e Alto Amazonas.

A comarca do Alto Amazonas (ex-província do Rio Negro) passava a ser composta por quatro Termos, que foram assim subdivididos.

27. O Lugar da Barra do Rio Negro fica ereto em Vila com a denominação de Manaus, servindo de cabeça de Termo, em o qual se compreende a mesma Vila, e a de Silves, que perde o predicamento de Vila e a denominação de Silves, sendo substituída pela de Saracá; e bem assim as Freguesias de Aturiá e de Amatari (suprimindo o título de Missão), e de Jaú, que era denominada Airão, com os seus atuais limites.

 28. A Missão de Maués fica ereta em Vila com a denominação de Luzéa (suprimido o título de Missão), compreendendo em seu Termo a mesma Vila; a de Borba, suprimido o predicamento de Vila e a denominação de Borba, que deve ser substituída pela de Araretama; e as Freguesias de Vila Nova da Rainha, que perde esta denominação, ficando com a de Tupinambarana, e Canumã (suprimido em ambas o título de Missão); e tendo por limites o Parintins e o rio Madeira, inclusive.

 29. O Termo de que é cabeça a Vila de Ega, que perde esta denominação e é substituída pela de Tefé, compreende a mesma Vila e a de Olivença (suprimido o predicamento de Vila e a denominação de Olivença, que é substituída pela de Javari); e as Freguesias de Coari, Fonte Boa, Amaturá e Tabatinga, com seus antigos limites.

 30. O Termo de que é cabeça a Vila de Barcelos, que perde esta denominação e é substituída pela antiga de Mariuá, compreende a mesma Vila e as de Moura e Thomar, que perdem o predicamento de Vilas e as denominações, que são substituídas, a 1ª pela de Itarendaua, e a 2ª pela de Bararoá, com seus antigos limites; e as Freguesias do Carvoeiro, que deverá ter a denominação de Araçari, do Moreira, que passa a ter a denominação de Caboquena, do Carmo, de Santa Isabel e de Marabitanas, com os seus atuais limites; e ficam suprimidas as Freguesias de Poiares, Lamalonga e Santa Maria de Betlem, por se acharem abandonadas.

N.B.  Todas as Vilas que perdem este predicamento ficam com o de Freguesias.

(Divisão das Comarcas e Termos da Província do Pará, feita em cumprimento do Artigo 3º do Código do Processo Criminal, pelo Governo em Conselho, nas Sessões ordinárias de 10 a 17 de maio de 1833, p. 2, in Relatório do Presidente da Província do Pará, Machado D’Oliveira, de 3 de dezembro de 1833)

Elevada à categoria de vila, Manaus agora possuía uma Câmara Municipal e deixava a “situação humilhante de distrito, de subúrbio de Serpa.” (REIS, 1934, p.69). E por ter sido escolhida como sede da comarca, também foi dotada de um juizado de direito, um juizado de órfãos e uma promotoria pública.

Apesar de o Digesto de 1828 indicar, em seu artigo 2º, que os pleitos municipais deveriam ocorrer sempre no dia 7 de setembro, a eleição da 1ª Legislatura da Câmara Municipal de Manaus aconteceu somente em 17 de dezembro de 1833, no edifício da Fábrica Imperial, e foi presidida por Joaquim Rodrigues Callado.

Os sete vereadores eleitos foram Manoel Gonçalves Loureiro Filho (36 votos), Francisco Gonçalves Pinheiro (36 votos), Mathias da Costa (31 votos), João Ignácio Rodrigues do Carmo (28 votos), Francisco de Paula da Silva Cavalcante (27 votos), Henrique João Cordeiro (26 votos) e Cláudio José do Carmo (26 votos). De acordo com o artigo 168, da Constituição de 1824, a função de presidente da Câmara seria exercida pelo vereador mais votado. Por isso, como houve empate entre os dois primeiros, foi realizado um sorteio em que Manoel Gonçalves Loureiro Filho venceu e Francisco Gonçalves Pinheiro ficou como vice-presidente.

A sessão inaugural da 1ª Legislatura da Câmara Municipal de Manaus ocorreu em 21 de dezembro de 1833 na mesma Fábrica Imperial onde ocorreu o pleito. Houve missa solene na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, realizada pelo frei José dos Inocentes e que custou aos cofres públicos o valor de 26$000 (vinte e seis mil réis).

 No ano seguinte, em 4 de agosto de 1834, os vereadores votaram e aprovaram a divisão do Termo da vila de Manaus em três distritos. A reunião ocorreu na residência do vice-presidente Francisco Gonçalves Pinheiro, local que estava servindo de sede para a Câmara Municipal. Os distritos ficaram assim distribuídos:

“… a primeira a freguesia de Saracá, compreendendo em si para a parte de cima até o paraná-mirim de Canauaçan, e para a parte de baixo até as barreiras de Cararaucú, compreendendo os seus limites, todos os lagos, rio Atomá, e todas as suas vertentes. Segundo distrito, a freguesia de Serpa, compreendendo Amatary na mesma visto o abandono de uma, e outra entrando os seus limites para a parte de riba até a boca debaixo do paraná-mirim do Amatary, entrando o lago Guautas, Mamory, e todos os mais, e suas vertentes. E terceiro distrito que é o desta vila, compreende em si pelo rio Negro até Jaú, rio Solimões até ao lago Anory, e para baixo até a boca de baixo do paraná-mirim de Amatary, e todos os mais rios, lagos e suas vertentes.” (REIS, 1934, p. 76-78)

Esta deliberação foi registrada na ata da sessão extraordinária realizada no dia 14 de agosto daquele mesmo ano, escrita pelo secretário interino Jerônimo Afonso Nogueira e assinada pelos vereadores Francisco Gonçalves Pinheiro, Jerônimo Conrado de Carvalho, Aniceto da Silva Craveiro, Martinho Joaquim do Carmo, Alexandrino Magno Taveira Pau Brasil, José Antônio de Oliveira e Gregório Naziazeno da Costa.

A Câmara Municipal da vila de Manaus obteve muito prestígio e bastante influência dentro da comarca do Alto Amazonas. “Todas as ordens que se expedem de Belém escalam primeiro por aí. A Câmara é que as envia aos outros Termos.” (MIRANDA, 1984, p. 34).

Henrique Cordeiro, juiz de direito e chefe de polícia, era a primeira autoridade policial do Distrito. Dias Guerreiro era o juiz de paz

NOTAS:

1. https://blogdodurango.com.br/artigos/um-breve-historico-da-formacao-do-estado-do-amazonas-i/

2.Fome, êxodo e suicídio: os problemas de São Gabriel da Cachoeira

http://vaidape.com.br/2017/06/fome-exodo-e-suicidio-os-problemas-de-sao-gabriel-da-cachoeira/

3. https://blogdodurango.com.br/artigos/um-breve-historico-da-formacao-do-estado-do-amazonas-v/

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

O Rei D.José I define novas fronteiras em 1750. No Limite do Brasil: O Parque de Tumucumaque - Amapá Oiapoque

No projeto Gestão de Florestas do Amapá, conduzido pela organização francesa GRET, Conservação Internacional e governo estadual, 4,7 milhões de euros estão sendo aplicados em diagnósticos socioambientais e capacitação de técnicos e da sociedade civil para a tomada de decisão sobre o patrimônio natural. “Não podemos morrer pobres numa floresta tão rica”, desabafa Aurélio de Araújo, liderança comunitária em Mazagão (AP). O município esconde as ruínas de uma vila colonial erguida por volta de 1770 em plena selva para receber a população de uma cidade marroquina de colonização portuguesa em fuga da guerra contra os mouros. A localidade amapaense foi um dos cerca de 60 povoados construídos a mando do rei D. José I para consolidar as novas fronteiras do território, redefinidas pelo Tratado de Madri, em 1750. (No final, toda a história da região: D.PedroII)

Já na cidade de Amapá, a 226 km da capital, estão os vestígios de uma base aérea americana que operou na II Guerra Mundial. Não é de hoje que o Estado é tido como uma região estratégica, condição que agora pode ser decisiva para a produção florestal com conservação da biodiversidade. https://pagina22.com.br/2016/04/05/pororoca-florestal/

O acesso regular ao PNMT é feito a partir da vila de Serra do Navio, distante 200 km da capital. Mas ele pode também ser acessado pelo sul (Laranjal do Jari), pelo leste (Calçoene) e pelo norte (Oiapoque). Entretanto, não existem acessos rodoviários até ele – você só chegará por barco ou avião 

Mosaico do PN Montanhas do Tumucumaque, AP (Fonte: IcmBio)

PN Montanhas do Tumucumaque, AP (Fonte: Divulgação)

Cachoeira do Desespero no Rio Jari (Fonte: Zig Koch)
Vista do parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, no Amapá.
ACERVO/ICMBIO

Fauna do Parque Nacional das Montanhas do Tumucumaque 

À margem do Rio Amazonas, que banha a cidade antes de descarregar no oceano o gigantesco volume médio de 200 milhões de litros de água por segundo, se localiza a fortaleza de São José, erguida no século XVIII para proteger a entrada da Floresta Amazônica contra invasores movidos pela cobiça de riquezas, como o ouro. A mineração é hoje a principal atividade econômica do Amapá. No entanto, os olhares se voltam para o maior tesouro, ainda inexplorado: as florestas nativas, que cobrem 80% da área do Estado. Mais de 97% delas estão em Terras Indígenas e Unidades de Conservação – o que, até recentemente, era visto como empecilho ao progresso. A região abriga o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, o maior do Brasil. Mas o potencial produtivo está na Floresta Estadual do Amapá, alvo do edital de concessão lançado no fim de 2015 para o manejo sustentável de madeira por empresas, mediante pagamento de royalties ao Estado e municípios.

PARQUE NACIONAL DO CABO ORANGE - AMAPÁ

Um extenso braço de terra vindo do interior da floresta amazônica se debruça no mar do extremo norte do Brasil. Este cabo, situado num ponto estratégico da América do Sul, já foi muito disputado e já passou pelas mãos de espanhóis, ingleses, franceses, portugueses e holandeses e só no século XIX, numa corte internacional na Suíça, ficou estabelecido como fronteira do Brasil. O Cabo já teve outros nomes como São Vicente, Cecil, La Corda e por fim Orange, o nome que perdura até os dias de hoje.  Estamos falando do Cabo Orange, que pertence e dá nome a um dos parques nacionais do Estado do Amapá. O nome ficou estabelecido em 1625, sendo uma homenagem a Casa Real Holandesa. A cor orange (laranja), com o passar dos anos se converteu em símbolo da Holanda. Atualmente os holandeses estão distantes dali, o Rio Oiapoque que deságua no mar naquele ponto, é a fronteira entre Brasil e a Guiana Francesa, um pedaço da França na América do Sul.[1]

Amapá ponte sobre o Rio Oiapoque fronteira entre Brasil e Guiana Francesa
Amapá Porto de Santana
Reserva de Cobre Renca - Amapá

Mineradoras canadenses souberam de extinção de reserva  Nacional do Cobre e Associados (Renca)  Amapá na Amazônia 5 meses antes do anúncio oficial. Parlamentares receberam 700 mil assinaturas digitais em abaixo assinado que pede a preservação da Renca.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

NOTAS:

1. http://www.klimanaturali.org/2010/04/parque-nacional-do-cabo-orange-amapa.htm

2. https://www.topsulnoticias.com.br/news/meio-ambiente-mineradoras-canadenses-souberam-de-extincao-de-reserva-na-amazonia-5-meses-antes-do-anuncio-oficial/newscbm_549759/5100/

3. https://www.topsulnoticias.com.br/news/meio-ambiente-mineradoras-canadenses-souberam-de-extincao-de-reserva-na-amazonia-5-meses-antes-do-anuncio-oficial/newscbm_549759/5100/

4. https://www.camara.leg.br/noticias/521727-deputados-e-ambientalistas-protestam-na-camara-contra-extincao-de-reserva-mineral-na-amazonia/

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Bolsonaro e o Nióbio do Tolo (os indígenas) Os militares camuflados são os espertos se aliando a CBMM de Moreira Salles &sócio Rockfeller

Seis Lagos AM em território indígena, a maior reserva de Nióbio do mundo. Para os cleptocratas de Cá e de Lá. (exterminar os indígenas é a solução?)
ADENDO 6/12/2021: O General Heleno acaba de liberar a mineração na região de São Gabriel da Cachoeira (AM), conhecido como Cabeça do Cachorro  nos Seis Lagos. É O MINÉRIO NIÓBIO PARA ATENDER A CBMM conforme acordo que Bolsonaro fez em setembro/2021 no Sírius em Campinas. O local está no extremo noroeste do Amazonas, na fronteira do Brasil com a Colômbia e a Venezuela [10].

Segundo a Bloomberg, uma das maiores descobertas científicas do mundo talvez não tivesse sido possível sem a participação do minério Nióbio que o  Brasil possui a maior reserva mundial —  Os cientistas da CERN estão muito próximos de confirmar que a partícula descoberta no ano passado realmente seja o Bóson de Higgs, e os experimentos realizados no Colisor de Hádrons não teriam sido possíveis sem o nióbio extraído de Araxá MG-CBMM, com novas tecnologias pelo acelerador de partículas Sírius filhote do CERN em Campinas. Sem as colisões entre prótons superenergéticos que ocorrem no Colisor de Hádrons da CERN na Suíça, a Partícula de Deus jamais teria sido descoberta. O patrimônio da família Salles da CBMM no Brasil, é estimada em US$ 27 bilhões.

O Sírius é um acelerador de partículas de 4ª geração no Brasil

A elite oculta  donos do CERN na Suíça, seu filhote Sírius em Campinas SP aonde Bolsonaro lançou o 1º Leilão do Nióbio, a serviço de quem?

CERN  –  O Brasil foi aceito recentemente como membro associado do CERNS (Organização Europeia para Pesquisa Nuclear) que opera o maior colisor de partículas do mundo o Large Hadron Collider (LHC). A organização firmou em novembro do ano passado 2020, um acordo de cooperação científica com o CNPEM para desenvolvimento de tecnologias aplicadas à física de aceleradores, imãs e materiais supercondutores. Conhecimentos de enorme valor para o desenvolvimento de novas tecnologias tanto no campo da ciência quanto em diversos setores da indústria.

O CERN, responsável pela operação do Grande Colisor de Hádrons (LHC), o maior colisor de partículas do planeta, trabalha no projeto do Futuro Colisor de Hádrons (FCC), uma estrutura quatro vezes maior, com cerca de 100 quilómetros de extensão, voltada para pesquisa de fundamentos da física. projeto que demanda recursos humanos e fornecimento de materiais certificados sob os mais elevados padrões tecnológicos.

"Como resultado dessa parceria, um trabalho que poderia levar anos para desenvolvimento de um projeto conceitual de um novo imã supercondutor que pretendemos usar no Sirius, foi concluído em seis meses", revela James Citadini, Gerente de Engenharia e tecnologia do CNPEM.

"Dentro do tema de supercondutividade, a CBMM busca alavancar o uso do NIÓBIO em novas aplicações. Dada a alta complexidade dessa tecnologia, parcerias desse tipo tem o potencial de acelerar o processo, conectando institutos e empresas com grande conhecimento em suas áreas de atuação e gerando oportunidade para inovação e criação de novas empresas no Brasil" finaliza Rodolfo Morgado, gerente de segmento de Produtos Especiais da CBMM[6].

Seis Lagos AM a maior reserva de Nióbio do mundo

Indígenas descarregam peixe no porto de São Gabriel da Cachoeira (AM) – Lalo de Almeida/Folhapress
Indígenas da comunidade Ya-Mirim tomam banho em um rio na Terra Indígena Balaio, na região de São Gabriel da Cachoeira – Lalo de Almeida/Folhapress
os indios "tolo" de Bolsonaro
https://www.youtube.com/watch?v=ChcNaN9xKV4
ponte de madeira construída pelo Exército na BR-307. A ligação passa pelos entornos das Terras Indígenas Balaio e Yanomami e segue até Cucuí, na tríplice fronteira do Brasil com Venezuela e Colômbia. A região vive em estado de tensão com a entrada de garimpeiros para os territórios indígenas.
O povo Yanomami também escreveu uma carta de repúdio à visita de Bolsonaro.
O povo Baniwa, da comunidade de Tunuí-Cachoeira“Na nossa avaliação, ele (Bolsonaro) está por trás de promover a mineração em terras indígenas. Ele quer legalizar. Então este é o contexto que levou a gente a fazer uma carta inicialmente de repúdio, mas a gente tem um plano mais forte para os próximos dias”. 

Liderança André Baniwa disse que Bolsonaro é uma pessoa ‘makadawalitsa‘, o mesmo que grosseiro e sem valor.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defensor da mineração em terras indígenas, é alvo de críticas por ambientalistas   EM (27/5/2021) em São Gabriel da Cachoeira (AM), inaugura  ponte vizinha a maior reserva mundial de nióbio.  Em visita ao Japão em 2019, Bolsonaro mostrou uma bijuteria feita com nióbio.  Distante 85 quilômetros de São Gabriel da Cachoeira (AM) pela BR-307, a ponte sobre o igarapé Ya-Mirim está a apenas dois quilômetros do Morro de Seis Lagos, o maior depósito mundial de nióbio, com estimados 2,9 bilhões de toneladas. Com a demanda atual do minério, as jazidas em exploração têm capacidade para abastecer o planeta por várias décadas. O Brasil possui 98% da reserva mundial do Nióbio de acordo com o Serviço Geológico dos EUA. A maior parte vem da CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), localizada em Araxá (MG)[5]. 

NIÓBIO DO TOLO!!!


Com os militares no controle aguardando o momento oportuno para a exploração, aplicam o termo NIÓBIO DO TOLO humilhando o indígena do entorno: A exploração do nióbio em Seis Lagos tem dois obstáculos quase intransponíveis. Pela legislação atual, Seis Lagos está fora do alcance da mineração. O local está incluído em três áreas protegidas e sobrepostas: além da TI Balaio, a área pertence ao Parque Nacional Serra da Neblina e à Reserva Biológica Morro dos Seis Lagos, esta do governo estadual do Amazonas. Nenhuma dessas categorias permite a atividade. Outro impeditivo à exploração do nióbio amazônico está na demanda. As projeções são unânimes em afirmar que as reservas atuais em exploração têm capacidade para atender ao mercado mundial durante várias décadas. O Brasil já é o principal produtor mundial, com 88% do total, segundo o Serviço Geológico dos EUA. A maior parte do nióbio vem da CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), sob controle da família sócia do Itaú Unibanco, localizada em Araxá (MG). A empresa estima ter reservas para produzir por pelo menos mais dois séculos
Nióbio de Tolo (os indígenas) Os militares que controlam a região e, camuflados são os espertos né!.
https://www.youtube.com/watch?v=_hyBcp4yeTc&t=6s

NIÓBIO SUPERCONDUTOR


Universidade Federal de São Carlos[2]


https://www.youtube.com/watch?v=MQxbsAzD5s8&t=1s [3.

Auditório do Sírius em Campinas SP parceria com a CBMM

Família Moreira Salles CBMM, dona do nióbio brasileiro

  • David A. Rockefeller comprou fazenda Bodoquena, no Mato Grosso. com o dono do Unibanco, Walther Moreira Salles (dono da CBMM em o monopólio do Nióbio de Araxá-MG, VALORIZADO EM LONDRES, TUDO DEPOSITADO NO BANCO UNIBANCO VIA ROCKFELLER), Era uma propriedade enorme (100 mil hectares), maravilhosa e muito selvagem. Tinha onze pistas de pouso e nenhuma estrada ligando uma a outra. Havia todo o tipo de animais selvagens, florestas e campos cultivados. Caçávamos onças. Gostávamos muito de ir lá. Há dez anos, vendemos a propriedade. TADINHO NÉ! No Rio de Janeiro, sua filha Peggy morou numa favela, abandonou o sobrenome Rockefeller e virou ativista de esquerda. TADINHA NÉ! Foi David quem patrocinou a criação de uma receita econômica, Consenso de Washington? adotada na América Latina nos anos 90. (E USADO NO SAMBA DO CRIOLO DOIDO DO GOVERNO COLLOR/FHC) Em Harvard, há o instituto David Rockefeller de estudos latino-americanos. ( FORMA CEOS PARA ATUAR COMO LARANJAS NAS EMPRESAS PÓS PRIVATIZAÇÃO DAS ESTATAIS NO BRASIL) Ele também criou o Council of Americas e a American Society, que reúnem líderes dos países das Américas. (Council of the Americas anuncia o expresidente de Brasil, Fernando Henrique Cardoso, como galardonado en los Premios BRAVO 2016 ) David A. Rockefeller GARANTIU AOS RICOS FICAREM MAIS RICOS DENTRO DO BRASIL E AOS POBRES, FICAREM SEM CULTURA, SEM SEUS DIREITOS BÁSICOS, SEM EMPREGO, HUMILHADOS, FRENTE O CONSENSSO DE WASHINGTON CRIADO POR ROCKFELLER PARA O BRASIL[7].

De Araxá-MG, família Zema coleciona bilhões e amigos poderosos. A cidade de Araxá, no Alto Paranaíba, é dominada pela família Zema. O Grupo Zema, que hoje se espalha em centenas de lojas de varejo e outros serviços por todo o estado, foi fundado em Araxá pelo bisavô de Romeu Zema Neto quase 100 anos atrás. O governador de Minas é dono de 30% do Grupo Zema que faturou em 2017 R$ 4,5 bilhões. O aeroporto de Araxá tem o nome do avô de Zema, também Romeu. Zema governador passou 18 anos filiado ao Partido da República, o PR, hoje “Partido Liberal”, embora tenha se vendido desde sempre como “novato” na política antes de se filiar ao Novo. Essa rede centenária de amigos, contatos e privilégios tem se mostrado bastante útil para as pretensões políticas de Romeu Zema, QUE critica Os menos favorecidos dizendo que o auxílio emergencial ficou nos bares.

A CBMM, líder mundial na produção e comercialização de produtos de nióbio, e o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) fecharam um acordo de cooperação para desenvolver materiais supercondutores à base de nióbio. O CNPEM abriga o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) onde está o Sirius, o maior acelerador de partículas do Brasil, localizado em Campinas (SP)[1]. 

– O anúncio oficial do acordo entre CNPEM e CBMM faz parte da agenda do presidente Jair Bolsonaro, que visita Campinas (SP) em  (8-10-21) para participar da "feira" de nióbio e inaugurar estruturas do Sirius.

– “Sabemos que o elemento nióbio (Nb), sozinho, apresenta supercondutividade quando resfriado a temperaturas muito baixas, da ordem de 9,2 Kelvin (K). Agora, descobrimos que isso não ocorre com o monoboreto de nióbio (NbB) propriamente dito. Ocorre que nas amostras de NbB existe uma grande fração volumétrica de NbB, mas também uma pequena quantidade de Nb quase puro. São duas fases cristalinas distintas que coexistem nos materiais estudados. É essa fase minoritária, composta por aproximadamente 98% de nióbio e 2% de boro, que se comporta como supercondutora”. O estudo teve também apoio da FAPESP por meio de bolsas nos projetos

 Os três supercondutores mais utilizados são o nióbio-zircônio (Nb-Zr), as ligas nióbio-titânio (Nb-Ti) e o composto intermetálico nióbio-estanho (Nb3Sn). Há também materiais cerâmicos supercondutores que vem sendo desenvolvidos, com temperaturas críticas extremamente elevadas, acima de 77K[2].

 CNPEM - O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais  é uma Organização social supervisionada pelo Min. da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). O Centro é constituído por quatro Laboratórios Nacionais e é berço do mais complexo projeto da ciência brasileira – o Sirius – uma das mais avançadas fontes de luz síncrotron do mundo.  

O CNPEM reúne equipes multitemáticas altamente especializadas, infraestruturas laboratoriais mundialmente competitivas e abertas à comunidade científica, linhas de pesquisa em áreas estratégicas, projetos inovadores em parcerias com o setor produtivo e ações de treinamento para pesquisadores e estudantes. 

– O Centro constitui um ambiente movido pela busca de soluções com impacto nas áreas de saúde, energia, meio ambiente, novos materiais, entre outras. As competências singulares e complementares presentes no CNPEM impulsionam pesquisas e desenvolvimentos inovadores nas áreas de luz síncrotron; engenharia de aceleradores; descoberta de novos medicamentos, inclusive a partir de espécies vegetais da biodiversidade brasileira; desenvolvimento de processos bio e nanotecnológicos com foco na produção de materiais avançados para aplicações nos setores químico, de alimentos e bebidas, têxtil, petróleo e gás, defesa e aeroespacial; além de soluções biotecnológicas para o desenvolvimento sustentável de biocombustíveis avançados, bioquímicos e biomateriais. É responsável pela gestão dos Laboratórios Nacionais de Luz Síncrotron (LNLS), de Biociências (LNBio), de Biorrenováveis (LNBR) e de Nanotecnologia (LNNano)"

NOTAS:

1.       https://journals.aps.org/prmaterials/abstract/10.1103/PhysRevMaterials.1.044803

2.       https://www.jornalamateria.ufscar.br/news/explicando-a-materia-supercondutores

3.       https://canaltech.com.br/inovacao/produtora-de-niobio-se-une-a-laboratorio-do-sirius-para-fabricar-supercondutores-198307/

4.       https://www.amazoniasocioambiental.org/pt-br/radar/niobio-de-tolo-sem-esperanca-em-mineracao-indios-da-maior-jazida-do-minerio-do-mundo-sonham-com-turismo-e-reclamam-de-estrada/

5.       https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/politica-e-poder/bolsonaro-inaugura-ponte-ao-lado-de-jazida-gigante-de-niobio/

6.        https://jornalaraxa.com.br/cbmm-e-cnpem-buscam-acelerar-desenvolvimento-de-tecnologias-em-supercondutividade-entenda/

7.         https://www.istoedinheiro.com.br/como-se-constroi-uma-lenda/?fbclid=IwAR0_KIWn8Pcwu3tkXcPwWqVa8dXMzysD9a-xEMjwMRv3nizhiaZ7PkztxjM

8.         https://www.brasildefato.com.br/2021/05/29/bolsonaro-e-pessoa-sem-valor-diz-lideranca-do-amazonas-apos-visita-do-presidente

9.         https://www.megacurioso.com.br/economia/35881-a-particula-de-deus-jamais-teria-sido-descoberta-sem-ajuda-brasileira.htm

10.      https://www.brasil247.com/brasil/general-heleno-autoriza-garimpo-de-ouro-em-areas-preservadas-na-amazonia